Brega atinge seu auge no Rio com show histórico de Natanzinho Lima no Complexo do Alemão  - QTU Questões do Universo

Brega atinge seu auge no Rio com show histórico de Natanzinho Lima no Complexo do Alemão 

Fonte: Bandeira da fonte

Há fatos que, pela importância, merecem um registro no papel.
É também por isso que esta coluna existe.
O Rio foi impactado pela voz de um nordestino: Natanzinho Lima, de Itabaiana (SE).
O cantor juntou uma multidão de pessoas ao Complexo do Alemão, na Zona Norte, em uma terça-feira à tarde, para a gravação do audiovisual “Favela Ao Vivo”.
O show durou cerca de seis horas, teve participações especiais e viralizou nas redes sociais.

Durante a semana, vídeos da gravação ganharam enorme repercussão na internet e apresentaram o território ao Brasil por uma perspectiva diferente da tradicional cobertura policial.
O evento também movimentou a economia local, gerando trabalho e renda para moradores e comerciantes.
Segundo as informações divulgadas sobre a realização, não houve registro de brigas ou confusões.
O que se viu foi uma multidão bem vestida e com o chapéu característico do artista.

Para Rene Silva, morador do Alemão e criador do Voz das Comunidades, o episódio ajuda a romper estereótipos sobre esses territórios.“O show foi, de certa forma, um marco na história das favelas do Rio de Janeiro, principalmente porque quebra aquela ideia de que na favela só tem bandido, só tem marginal”, disse.

E completou: “a favela tem muitas escritoras, muitos empreendedores e muitos talentos.
O Natanzinho, por exemplo, fez questão de chamar artistas locais para subir ao palco e mostrar quem são os talentos da comunidade”, destacou a liderança do Complexo do Alemão.

RaulSantiago, empreendedor social ligado à inovação periférica e ao impacto social, também destacou a força simbólica do acontecimento.
“A gente está acostumado a ver o Alemão ganhar o Brasil pelas páginas policiais, e dessa vez ganhou as redes pela alegria, pela cultura e pela potência do nosso povo", afirmou.

Para ele, “tem uma simbologia ainda maior nisso tudo: um artista nordestino chegando com essa força numa favela do Sudeste, fazendo um show gratuito e reunindo milhares de pessoas.
Isso fala sobre o Brasil que existe para além dos centros tradicionais da indústria cultural”.

Durante a realização do evento, a emoção tomou conta do cantor de brega várias vezes.
Em entrevista exclusiva ao EXTRA, o artista foi direto quando a minha pergunta foi por qual motivo ele havia escolhido o Complexo do Alemão: “Eu gosto de favela.
Meu pai vendia castanha no Rio e me disse para vir para cá.
Eu amo o Rio.
Eu gosto.
Povo alegre, simples”, contou Natanzinho Lima.

O momento do Brega
Antes associado de forma preconceituosa à música “popular demais” ou de baixa qualidade, o gênero ganhou novas sonoridades, grandes produções e espaço nas plataformas digitais.
Romântico, dançante e popular, o brega segue falando de amor, cotidiano e sentimentos, agora alcançando públicos cada vez maiores.

Na favela ou no asfalto, o brega já faz parte da trilha sonora do Rio.
Nas caixas de som, bares e eventos, artistas ainda desconhecidos do grande público também conquistam espaço e fazem a festa dos fluminenses.