O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) participa nesta terça-feira da sabatina da TV Globo com os candidatos à Presidência da República.
Após ser questionado, o presidenciável iniciou a entrevista defendendo a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e defendeu que ela seja "ampla, geral e irrestrita".
— Sou um democrata na essência.
Jamais transigi nas regras da democracia, nunca contestei resultados de eleições — disse o ex-governador de Goiás, que afirmou em seguida que "o traço do brasileiro não é de construir o ódio" — Desde o império você tem anistia.
Depois Juscelino Kubitschek sofreu realmente tentativa de golpe e propôs anistia.
Nós temos que acabar com a polarização e pacificar o país.
Ele comparou uma eventual anistia à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular as condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Lava Jato.
O STF entendeu que não cabia à Justiça Federal do Paraná julgar o petista.
— Ele foi condenado em todas as instâncias.
Todo mundo eufórico que havia combate à corrupção, e de repente o Supremo diz que o foro não era o correto, e uma atitude do Supremo o anistiou para que ele voltasse até a disputar a eleição — disse Caiado.
O candidato do PSD falou em seguida do tema da segurança pública ao ser questionado sobre a proposta de criar uma polícia internacional em parceria com países do continente sul-americano.
Caiado disse que o Brasil é uma "Disneylândia do narcotráfico" e afirmou que o governo Lula é conivente com os criminosos.
— Todos os nossos vizinhos são da centro-direita, só falta o Caiado ganhar a eleição para concluir.
Hoje o presidente da Colômbia já declarou facções como terroristas.
Hoje o único nicho que tem para traficante na América do Sul é o Brasil, que é o grande resort do narcotráfico, a Disneylândia do narcotráfico — respondeu o ex-governador de Goiás.
Ele afirmou ainda que não autorizaria militares americanos dos EUA a entrar no país — Para que? Se vamos tratar entre nós aqui.
São dez países e o Brasil tratando desse assunto.
Caiado foi questionado também sobre o ajuste fiscal e a governabilidade junto ao Congresso Nacional.
Ele aproveitou a pergunta para atacar os adversários e líderes nas pesquisas eleitorais, Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
— Você acha que Lula ou Flávio vão construir algum tipo de maioria para aprovar alguma emenda constitucional? Vou para o segundo turno e vou bater o Lula.
Esses dois não respondem nada.
Tipo de homem que não serve para governar, só faz populismo, negociata e proteger familiar — diz Caiado, que acresentou em seguida — Meu ajuste fiscal será uma emenda constitucional que encaminharei no primeiro dia do governo, dizendo que as receitas do governo federal serão limitadas a corrigir a inflação e atingir no máximo 50% do PIB.
Em outro momento, ao ser questionado sobre corte de gastos, ele disse que não vai "mexer com o cara que ganha salário mínimo, com o aposentado".
— Estamos falando de algo macro.
Eu nem examinei o doente.
Calma.
Vamos cortar na própria carne, cortar o excesso de salários — respondeu.
Essa é a segunda entrevista da série com os presidenciáveis.
A primeira aconteceu nesta segunda-feira, com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).
