Para o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, a instituição conseguiu entregar “números significativos” em seus resultados do segundo trimestre de 2026, apesar de ter sido um período difícil para o mercado.
O banco público reportou ontem lucro recorrente de R$ 3,899 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta trimestral de 12,4% e anual de 5,9%.
“Todos nós sabemos que o segundo trimestre deste ano, para o mercado como um todo, para o mercado financeiro em particular, foi extremamente desafiador”, afirmou Vieira, em teleconferência de resultados.
“Mas a Caixa colhe números que são muito significativos.”
O presidente da Caixa também destacou que o segundo semestre deste ano será fundamental para a “virada” que o banco quer fazer em transformação digital.
Segundo ele, no primeiro semestre, foram investidos R$ 2,5 bilhões em tecnologia, e hoje 100% dos funcionários já usam inteligência artificial (IA).
“Isso tem dado um impacto muito grande”, avaliou Vieira.
O investimento também tem impulsionado a abertura de contas digitais, sendo que, desde junho do ano passado, foram abertas 5,2 milhões de contas digitais, 42% pela geração Z.
Hoje, a Caixa atende 160 milhões de clientes.
Crédito imobiliário
No segundo trimestre de 2026, a Caixa Econômica Federal bateu, pela primeira vez, R$ 1 trilhão de carteira de crédito imobiliário, conforme divulgado anteriormente.
A carteira imobiliária da Caixa corresponde a 69,4% do total, que alcançou R$ 1,448 trilhão no período.
A carteira total cresceu 11,9% em um ano, enquanto a carteira imobiliária avançou 15,0%.
“É uma coisa realmente a ser observada”, destacou Vieira.
“O crescimento sustentável de uma carteira que cresce nessa velocidade, que se estabiliza do ponto de vista de crescimento, todo um contexto que reduziu comparativamente trimestralmente a sua base de inadimplência.
Teve um trabalho fantástico feito nesse sentido”, afirmou.
A inadimplência na Caixa (acima de 90 dias) foi de 3,64% em junho, de 3,71% em março e 2,66% em junho de 2025.
Essa redução na margem foi puxada pela queda da taxa de calotes no crédito imobiliário, que recuou para 1,45%, de 1,60% e 1,26%, na mesma base de comparação.
Margem financeira
O vice-presidente financeiro da Caixa, Marcos Brasiliano, destacou o avanço da margem financeira durante apresentação de resultados do banco no segundo trimestre de 2026.
A margem financeira do banco público somou R$ 19,664 bilhões no segundo trimestre de 2026, um aumento anual de 20,2%.
"Fizemos o dever de casa e avançamos com recomposição da nossa margem financeira", disse.
“Quando a gente fala de recuperação, fala principalmente de recuperação financeira.
Então, quando a gente olha para essa DRE (demonstração de resultados), eu já destaco a recuperação da nossa margem financeira”, afirmou.
“A recomposição dessa margem financeira poderia ser mais rápida se a gente desacelerasse o crédito e deixasse de cumprir com esse mandato que nós temos de ser um agente indutor do desenvolvimento do país.”
Além da margem financeira, a receita de serviços também evoluiu, com bom desempenho em todas as linhas, destacou Brasiliano.
A receita de prestação de serviços foi de R$ 7,537 bilhões no segundo trimestre, alta de 12,9% em 12 meses.
“Um ponto muito importante que fala sobre a questão dos avanços da nossa dinâmica operacional é o crescimento da receita de prestação de serviços, crescendo 12,7% praticamente em todas as linhas.
Faço menção importante em relação a cartões crescendo e seguros, crescendo na faixa de 15%”, disse.
À frente, o executivo espera melhora do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente da Caixa.
“A gente tende a olhar para dezembro com a recuperação desse ROE, voltando à casa dos dois dígitos”, estimou Brasiliano.
Hoje, o indicador está em 9,16%.
'Curva com estabilidade' na inadimplência do agronegócio
O vice-presidente financeiro da Caixa, Marcos Brasiliano, afirmou que a instituição já vê “curva com estabilidade” na inadimplência da carteira de agronegócio.
O mercado como um todo tem enfrentado desafios no agro, com o aumento de recuperações judiciais no setor.
Na Caixa, a inadimplência dessa carteira saltou para 20,74% no segundo trimestre de 2026, de 18,29% três meses atrás e 7,02% um ano antes.
“A qualidade da carteira — e vem aquela questão da nossa transparência —, a gente olha o nosso índice consolidado de 3,64%, ele é inferior ao mercado, mas quando a gente faz a abertura, a gente vê exatamente onde que está o nosso foco, a nossa preocupação.
A nossa carteira do agro chega a 20,74% de inadimplência”, disse, em teleconferência.
“Eu já faço primeiro uma observação importante, que nós já olhamos para essa curva com uma estabilidade, perda de velocidade”, informou.
“Agora, eu olho para essa carteira já como uma oportunidade, por conta de todo o cenário, medida provisória [MP 1.376/2026], possibilidade de a gente ir lá negociar esses créditos e atender o nosso cliente que está hoje com alguma dificuldade.”
Carlos Vieira, presidente da Caixa
Divulgação/Febraban
