A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avalia usar já na estreia do horário eleitoral gratuito as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tema também vai seguir alimentando uma ofensiva nas redes sociais e nos discursos do candidato, numa estratégia para transformar as suspeitas sob apuração em um flanco permanente de desgaste do petista durante a corrida ao Planalto.
A ideia começou a ser desenhada antes mesmo da definição da chapa, mas ganhou força com a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice.
Relator da CPI do INSS, ele deverá assumir papel de destaque na exploração do escândalo dos descontos indevidos de aposentados e das relações de personagens investigados com pessoas próximas ao filho do presidente.
Integrantes da campanha afirmam que ainda está em discussão o formato do primeiro programa, mas a possibilidade de estrear na televisão com referências a Lulinha está à mesa.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto, e Flávio deverá ter aproximadamente 4 minutos e 20 segundos em cada bloco, segundo projeção do GLOBO feita com base nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Até lá, a estratégia deverá ser testada principalmente nas redes.
A campanha pretende produzir peças que associem as investigações envolvendo Lulinha ao governo do pai e explorar o contraste com a maneira como familiares de Jair Bolsonaro foram tratados durante os governos anteriores.
Expressões como “pai do Lulinha” e questionamentos sobre “onde está” o filho do presidente já vinham sendo discutidos como parte desse repertório.
A ofensiva ganhou impulso após a abertura de investigações da Polícia Federal sobre Fábio Luís.
Flávio passou a explorar publicamente o episódio e, em uma de suas lives, afirmou que “falta braço” à PF para investigar Lulinha e questionou qual seria a repercussão caso as suspeitas recaíssem sobre um filho de Bolsonaro.
Gaspar reforça estratégia
A chegada de Gaspar à chapa oferece à campanha um novo caminho para explorar o assunto.
Sua atuação na CPI do INSS foi um dos fatores que pesaram na escolha para a vice e é vista pela cúpula do PL como uma credencial para colocá-lo na linha de frente dos ataques relacionados ao caso.
No próprio anúncio da chapa, Flávio deixou claro que pretende fazer do escândalo um dos eixos da campanha.
O presidenciável citou as investigações sobre o INSS e buscou aproximá-las do entorno de Lula ao mencionar Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou a campanha petista nesta semana.
A estratégia deverá explorar as relações entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e pessoas próximas a Lulinha.
A campanha pretende usar Gaspar para dar peso às acusações por sua experiência na CPI, enquanto Flávio fará a exploração política do tema contra o presidente.
O movimento faz parte de uma tentativa mais ampla de deslocar para Lula um de desgaste que marcou a pré-campanha de Flávio, com a divulgação das mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro pelo financiamento do filme “Dark Horse”.
Ofensiva em diferentes frentes
A intenção é não restringir a exploração do assunto à propaganda eleitoral.
A campanha discute uma atuação combinada entre redes sociais, discursos, entrevistas, lives e, posteriormente, rádio e televisão.
A entrada de Duda Lima no comando da comunicação também ocorre no momento em que a equipe começa a estruturar a produção para o período oficial da campanha.
Uma das preocupações é transformar assuntos complexos das investigações em peças mais simples, capazes de estabelecer uma associação política direta entre as suspeitas envolvendo Lulinha e o presidente.
Ontem mesmo, a campanha veiculou um vídeo de Gaspar afirmando que o filho do presidente se envolveu com o Careca do INSS.
No dia anterior, chamou o caso das fraudes de “esquemão do Marcolão”.
A ideia é seguir apostando em expressões de fácil compreensão e trazer o tema cada vez mais ao centro do debate eleitoral.
Campanha de Flávio avalia levar Lulinha para estreia do horário eleitoral e planeja ofensiva nas redes
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