A ascensão do escritor e candidato a presidente Augusto Cury (Avante) nas redes sociais alertou a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a se armar caso identifique no adversário uma ameaça.
O índice de popularidade digital (IPD) medido pela Quaest mostra que Cury saltou, em uma semana, de 37,8 para 54,5 pontos em uma escala que vai de 0 a 100.
A partir desse crescimento, a equipe de Flávio passou a reunir dados sobre a motivação desse crescimento a a levantar informações sobre a trajetória e as relações políticas do candidato do Avante.
A orientação, contudo, é não transformá-lo em alvo direto, ao menos por enquanto.
A avaliação na campanha do PL, que aparece como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida pelo Palácio do Planalto, é que uma ofensiva neste momento poderia ampliar a exposição do adversário e conferir a ele um protagonismo que a própria campanha ainda não reconhece.
Aliados do candidato do PL acreditam que a disputa segue polarizada entre Lula e Flávio e que os ataques devem continuar sendo direcionados ao principal opositor do senador: o atual presidente.
Auxiliares de Flávio ainda se referem a Cury como o “maior dos nanicos” e o colocam no segundo pelotão da disputa.
A leitura é que ainda não está claro se o aumento da exposição do escritor será suficiente para sustentar um movimento duradouro.
Aliados do senador afirmam também que ele não aparece com força nos levantamentos internos da campanha.
Por isso, a estratégia é acompanhar as próximas pesquisas antes de decidir se haverá uma mudança de postura.
Um dos termômetros será a nova rodada da Quaest, prevista para esta quarta-feira.
Se Cury confirmar uma trajetória de crescimento, o tratamento dado a ele poderá ser revisto.
O receio é que ataques de Flávio ou de integrantes do primeiro escalão da campanha produzam justamente o efeito que a campaha quer evitar: elevem Cury à condição de adversário direto e ampliem sua exposição num momento em que o escritor ainda busca se apresentar como alternativa aos dois principais polos da eleição.
Uma das principais frentes desse monitoramento está nas redes sociais.
Cury registrou uma rápida expansão de sua audiência desde que ganhou maior exposição na campanha, sobretudo após participar do primeiro debate presidencial.
No Instagram, foram cerca de 2,5 milhões de novos seguidores em poucas semanas.
O salto chamou a atenção do entorno de Flávio, que tenta identificar o que explica a expansão.
Integrantes da campanha verificam se o crescimento ocorreu de forma orgânica ou se há sinais de compra de seguidores, atuação de contas artificiais ou redes coordenadas para ampliar o alcance do candidato.
Até o momento, porém, a equipe não apresentou evidências de irregularidade.
O levantamento vai além das redes.
A equipe também reúne declarações, episódios da trajetória de Cury e informações sobre suas relações políticas.
Uma das frentes passa pelo Avante, partido que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022.
A equipe de Flávio mapeia os vínculos políticos da legenda que poderiam, numa eventual ofensiva, ser usados para contestar a imagem do escritor como um candidato independente da polarização.
Aliados de Flávio também apontam limitações que, na avaliação deles, podem dificultar que Cury mantenha o ritmo de crescimento.
Citam o pouco tempo de propaganda eleitoral — 35 segundos por bloco no rádio e na televisão — e uma estrutura partidária e de militância menor que a de PL e PT.
