Campanha de Flávio quer passar mensagem de que corrupção

Campanha de Flávio quer passar mensagem de que corrupção 'chegou no gabinete da Presidência'

Fonte: Bandeira da fonte

A campanha do candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), quer aproveitar as novas descobertas da Polícia Federal (PF) contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, para ampliar o desgaste do principal oponente dele nas eleições de outubro.
O objetivo é disseminar a mensagem de que a corrupção “chegou ao gabinete da Presidência”.

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O principal porta-voz dessas ofensivas da campanha deve ser o vice da chapa do PL, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), com o propósito de atrelar Lula à corrupção e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Com atuação na área de segurança pública, Gaspar recebeu holofotes no Congresso por ser relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou o escândalo no INSS.

“A corrupção chegou ao gabinete presidencial.
Quando nós fizemos o relatório da CPMI, apontamos Lulinha e Roberta Luchsinger como traficantes de influência e corruptos.
Levou seis meses para a Polícia Federal descobrir o que nós descobrimos lá atrás.
Mas foi um pouco além, porque [decisões do STF] retiraram de nós, CPMI, o sigilo que foi afastado da Roberta e do Lulinha.
E não é que nesse sigilo, [mostra que] quem estava ajudando essa quadrilha eram dois integrantes do gabinete presidencial”, declarou o alagoano em evento hoje, no qual representou Flávio em palestra a integrantes do setor de comércio e serviços.

Durante a CPMI, o deputado pediu o indiciamento de Lulinha em seu relatório final – o qual foi rejeitado – por supostas conexões do filho do presidente da República com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e que estaria envolvido no esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas.
A PF, contudo, não encontrou até o momento qualquer indício de que Fábio Luís tenha atuado nesses crimes relacionados ao INSS.

Após partidos do Centrão rejeitarem alianças com o candidato do PL, a campanha de Flávio escolheu Gaspar ao identificar que o perfil do deputado poderia ter um ganho eleitoral maior por meio do desgaste do candidato petista do que pela escolha de uma mulher para compor a chapa com o senador.
Durante a CPMI do INSS, o parlamentar alagoano viu sua popularidade crescer entre idosos e aposentados, segmento populacional que a campanha do PL tenta atrair.

O filho de Lula está sendo investigado pela corporação por possível tráfico de influência para, em uma frente, tentar vender medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde e, paralelamente, fazer suposto lobby junto à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev).
Ele atuaria em conjunto com a empresária Roberta Luchsinger, segundo a PF.

A defesa de Lulinha nega que ele tenha cometido qualquer tráfico de influência e diz que ele está à disposição para prestar esclarecimentos à PF, embora esteja morando fora do Brasil.

Marcola, por sua vez, teria obtido um empréstimo com Roberta Luchsinger, o qual a defesa do ex-chefe de gabinete afirma que é de natureza “estritamente privada” e que ele devolveu o valor com uma transferência bancária de R$ 249 mil.
A corporação também identificou que ele recebeu dela, por WhatsApp, uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

Reação petista
Em reação aos ataques bolsonaristas, a campanha petista quer utilizar a investigação da PF e a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro por conta do financiamento do filme “Dark Horse”, que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Aliados do senador do PL minimizam esse possível contra-ataque e acreditam que os prejuízos que o candidato bolsonarista teve com esse caso já passou.
Eles destacam a pesquisa Quaest divulgada na última semana, que mostra que a diferença de intenção de votos entre Flávio e Lula se estreitou, voltando ao patamar anterior ao da denúncia atrelada ao filme, financiado pelo ex-dono do banco Master.

Esses interlocutores ainda ressaltam que a produtora que desenvolveu o filme, a Go Up Entertainment, enviou uma prestação de contas do longa-metragem ao inquérito que apura se recursos desviados um contrato entre a prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil – presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora em questão -- teriam sido usados no Dark Horse.
De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o documento enviado pela empresa mostra que a produção do filme custou R$ 75 milhões.

Ontem, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), falou publicamente a jornalistas nessa linha, minimizando que o candidato ainda não tenha esclarecido todas as dúvidas envolvendo a relação dele com Vorcaro.
“Quem tem a responsabilidade de fazer a prestação de contas fez.
Foi a produtora que recepcionou os recursos.
Está nos autos de uma ação do Ministério Público do Estado de São Paulo”, disse Marinho.