Campanha de Flávio terá transmissão 24 horas e tenta recuperar impacto digital da era Bolsonaro para encurtar distância a Lula - QTU Questões do Universo

Campanha de Flávio terá transmissão 24 horas e tenta recuperar impacto digital da era Bolsonaro para encurtar distância a Lula

Fonte: Bandeira da fonte

A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) vai colocar no ar uma transmissão 24 horas pela internet numa tentativa de recuperar o peso que as redes sociais tiveram nas campanhas de Jair Bolsonaro e ampliar a exposição do senador na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quatro integrantes do QG confirmaram ao GLOBO que o projeto sairá do papel e deve ser lançado nas próximas duas semanas.

Para ajudar a atrair público, a equipe estuda incorporar influenciadores de direita à programação.
A iniciativa terá entrevistas, videocasts, propaganda eleitoral, comentaristas e conteúdos produzidos por apoiadores e candidatos aliados.
A intenção é manter uma programação permanente durante a corrida presidencial e fazer da internet uma extensão da campanha, com material circulando também nos intervalos entre os programas oficiais de rádio e televisão.
A ofensiva digital ocorre num momento em que Flávio tenta reduzir a distância para Lula na disputa presidencial.
O Datafolha mais recente, divulgado na semana passada, mostra o petista com 47% das intenções de voto contra 43% do senador numa eventual disputa de segundo turno.
A diferença é de quatro pontos percentuais, no limite da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
No primeiro turno, Lula aparece com 39%, e Flávio, com 33%.
Na televisão, Lula também terá mais espaço.
O presidente contará com 5 minutos e 31 segundos por bloco no horário eleitoral, enquanto Flávio terá 4 minutos e 20 segundos.
A aposta do PL é usar a programação permanente na internet para aumentar a exposição do candidato para além desse tempo e recuperar uma ferramenta que foi central para Jair Bolsonaro em suas campanhas.
O projeto também tenta responder a uma dificuldade identificada pelo próprio QG.
Integrantes da campanha avaliam que as lives de Flávio não vêm alcançando o impacto esperado e que o senador ainda não reproduziu em suas próprias transmissões o poder de mobilização digital alcançado pelo pai.
A estratégia passa, por isso, por agregar ao canal produtores de conteúdo que já tenham audiência própria e possam levar seus seguidores para a programação.
A participação dos influenciadores ainda está em fase de planejamento.
Os nomes discutidos internamente não foram procurados e não há convites acertados até agora.
A lista serve, neste momento, como referência do perfil buscado pela campanha.
A expectativa é reunir comunicadores identificados com diferentes segmentos da direita e aproveitar públicos que hoje estão espalhados por diversos canais e redes.
A equipe ainda define onde a transmissão ficará hospedada.
Uma das possibilidades é utilizar o canal de Flávio no YouTube, que se aproxima da marca de 1 milhão de inscritos.
A outra é criar um endereço específico para a programação.
Também estão em discussão a composição da grade, os apresentadores e a divisão dos conteúdos ao longo do dia.
A inspiração na estratégia digital do pai ocorre em um cenário bastante diferente daquele enfrentado por Jair Bolsonaro em sua primeira disputa presidencial.
Em 2018, Bolsonaro tinha apenas oito segundos no horário eleitoral de rádio e televisão e fez das redes sociais uma das principais ferramentas para compensar a escassez de espaço nos meios tradicionais.
Flávio chega à disputa deste ano em situação diferente.
Com 4 minutos e 20 segundos, terá o segundo maior tempo entre os presidenciáveis.
Lula, porém, terá 5 minutos e 31 segundos, e a campanha do PL pretende usar a programação digital para ampliar o tempo de exposição de Flávio e mantê-lo no ar também fora das janelas da propaganda.
O senador já havia começado a recuperar ferramentas usadas pelo pai.
Flávio retomou as lives semanais às quintas-feiras, numa tentativa de criar um hábito entre apoiadores semelhante ao estabelecido por Bolsonaro durante a Presidência.
Em uma das primeiras transmissões, lembrou que a vitória de 2018 havia sido construída com forte participação das redes e pediu ajuda para alcançar 1 milhão de inscritos no YouTube — hoje tem 994 mil.
Os resultados dessas transmissões, no entanto, são considerados aquém do potencial pela campanha.
É nesse contexto que surgiu a proposta de ampliar a estrutura e deixar de depender apenas das lives conduzidas pelo próprio candidato.
A experiência de 2022 também serve como referência.
Na campanha pela reeleição, Bolsonaro chegou a realizar uma transmissão de cerca de 22 horas com uma sequência de convidados.
Agora, a intenção é transformar esse tipo de iniciativa em uma programação contínua durante a eleição.
Influenciadores para trazer audiência
O formato permitirá manter o canal ativo mesmo quando Flávio estiver viajando ou cumprindo agendas.
Em vez de depender permanentemente da presença do candidato, a grade poderá ser preenchida por entrevistas, comentaristas, videocasts, propaganda e conteúdos previamente gravados.
É nessa engrenagem que a campanha pretende encaixar influenciadores de direita.
A lógica é aproveitar públicos que esses produtores de conteúdo já reúnem e tentar direcioná-los para o ambiente oficial da candidatura.
Paulo Figueiredo, Alexandre Pittoli, do canal AuriVerde Brasil, e Caio Coppolla aparecem entre os nomes discutidos, mas não houve convite ainda.
Procurados, eles não comentaram.

A estrutura também deverá integrar as diferentes frentes de comunicação.
Peças feitas para a televisão, trechos de entrevistas, agendas e conteúdos das redes poderão ser exibidos na transmissão.
No sentido inverso, entrevistas e programas produzidos para o canal poderão ser recortados e distribuídos pelas redes de Flávio e de seus apoiadores.
Candidatos aliados deverão ser outra fonte de conteúdo.
Flávio vem ampliando gravações com postulantes a deputado federal e estadual do PL
TV aberta mira outro público
A estratégia desenhada para a televisão tradicional será diferente.
Na estreia do horário eleitoral, Flávio pretende adotar um tom mais leve, concentrado em segurança pública, custo de vida e na própria apresentação, além de recorrer à imagem e ao legado de Jair Bolsonaro.
A avaliação interna é que a televisão oferece uma oportunidade de chegar a eleitores menos envolvidos com a disputa política e que ainda conhecem pouco Flávio para além da ligação com o pai.
Na internet, a campanha pretende falar também com uma audiência mais mobilizada e abrir espaço para um confronto político mais intenso.
Ataques mais duros a Lula deverão ser distribuídos ao longo das semanas seguintes.
O caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por exemplo, vinha sendo preparado para chegar à televisão, mas deve ficar fora da primeira peça.