A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, decidiu trocar a equipe que comanda a comunicação do presidenciável.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha.
Saem os marqueteiros Alexandre Oltramari e Eduardo Fisher e entra no lugar Duda Lima, que fez a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 e é ligado ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
"A campanha de Flávio Bolsonaro agradece e reconhece o excepcional trabalho desempenhado por Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer.
Suas contribuições foram importantíssimas e valiosas nessa etapa e marcaram um momento estratégico desta caminhada.
Desejamos a Oltramari e a Fischer que continuem colaborando para o aperfeiçoamento de nossa democracia, com toda a sua competência e profissionalismo.
Informamos que o publicitário Duda Lima foi convidado para comandar a área de comunicação da campanha", diz a nota assinada por Marinho.
É a segunda troca na equipe de marqueteiros de Flávio em dois meses.
Eduardo Fischer havia sido convidado para comandar a comunicação da campanha no final de maio, logo nos primeiros dias da crise do caso "Dark Horse", quando foi revelado pelo site Intercept que o candidato do PL pediu dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para financiar um filme em homenagem a Jair Bolsonaro.
Antes, quem comandava a comunicação era o marqueteiro Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”.
Fischer passou a ser criticado nas últimas semanas por uma ala de apoiadores de Flávio, principalmente o grupo mais próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Esse grupo avaliava que os dois marqueteiros e sua equipe eram "perdidos" e que não conseguiam lidar com as crises envolvendo o senador.
É citado, por exemplo, o episódio em que Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro gravaram vídeos indicando reconciliação, após semanas de uma briga pública, e que isso não foi bem aproveitado pela comunicação.
Dirigentes ligados ao partido e campanha de Flávio afirmam que a campanha reagiu de forma lenta às crises envolvendo Michelle Bolsonaro e Daniel Vorcaro e avaliam que as principais iniciativas adotadas no período não partiram da equipe responsável pela comunicação.
Uma ala do partido defendia, inclusive, o retorno de Marcello Lopes ao comando do marketing.
O nome era apoiado principalmente por aliados ligados ao ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, que vinham demonstrando incômodo com o espaço reduzido que passaram a ter na campanha.
A possibilidade, porém, acabou descartada diante do desgaste provocado pelos episódios envolvendo as negociações para o financiamento do filme Dark Horse e, posteriormente, pelas revelações sobre a relação entre Flávio e o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo interlocutores, foi o próprio Marcello quem indicou Duda Lima como o nome mais preparado para assumir a coordenação da campanha.
Dirigentes do PL afirmam ainda que havia poucas alternativas disponíveis no mercado neste momento da disputa, o que contribuiu para consolidar o consenso em torno do publicitário.
