Campanha de Flávio vê Marçal como freio a adversários na direita e mira aliança após possível decisão do TSE barrando candidatura - QTU Questões do Universo

Campanha de Flávio vê Marçal como freio a adversários na direita e mira aliança após possível decisão do TSE barrando candidatura

Fonte: Bandeira da fonte

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que a entrada de Pablo Marçal (PRTB) na corrida presidencial pode acabar ajudando mais do que atrapalhando o senador na disputa pela direita.
Embora o empresário passe a concorrer pelo mesmo eleitorado, interlocutores do presidenciável consideram que ele já tem uma base mais consolidada nesse campo e enxergam Marçal como um obstáculo maior para adversários que ainda tentam ganhar espaço.
O principal nome citado nessa conta é Renan Santos (Missão), cuja possibilidade de crescimento pode ficar mais limitada com o empresário também na corrida.
Há ainda uma segunda aposta: se Marçal for barrado pela Justiça Eleitoral, a campanha pretende atraí-lo para o palanque de Flávio.
No entorno do senador, trabalha-se com a expectativa de que Marçal permaneça cerca de dez dias como candidato antes de uma definição sobre seu registro.
O período, ainda que curto, é considerado suficiente para mexer na acomodação das candidaturas à direita.
O empresário volta a ocupar um espaço que conhece desde a eleição municipal de São Paulo, com forte presença nas redes sociais e discurso antissistema, justamente o terreno em que outros concorrentes tentam se apresentar como novidade nesta eleição.
Renan aparece com frequência nessa análise.
Integrantes do QG consideram que o candidato do Missão poderia se beneficiar de uma eleição concentrada entre Lula e o bolsonarismo para tentar crescer como uma terceira opção à direita.
Com Marçal na disputa, passa a dividir esse espaço com um nome mais conhecido nacionalmente e que já demonstrou capacidade de mobilização eleitoral.
Na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2024, o empresário chegou a 28,14% dos votos válidos e ficou a menos de 60 mil votos de avançar ao segundo turno.
Flávio também divide o eleitorado à direita com candidaturas como as dos governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União), de Goiás.
A avaliação no QG é que a entrada de mais um nome nesse campo aumenta a fragmentação e dificulta que um dos concorrentes concentre o voto de eleitores conservadores que procuram uma alternativa ao bolsonarismo.
Aliados reconhecem que Marçal pode disputar votos com o senador, mas consideram que o presidenciável do PL está mais protegido por ter herdado uma parcela consolidada do eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A preocupação maior é evitar que outro nome ocupe o espaço de alternativa dentro da própria direita e ganhe musculatura ao longo da campanha.
A situação jurídica de Marçal também entra nessa conta.
A campanha não acredita que o empresário chegará ao primeiro turno, diante da inelegibilidade hoje em vigor.
Caso seja impedido de continuar na disputa, aliados de Flávio já se movimentam para tentar construir seu apoio.
Ainda não há acordo fechado, mas a expectativa é que Marçal possa se incorporar ao palanque depois de uma eventual impugnação.
A aproximação interessa também pelo perfil do eleitorado mobilizado pelo empresário.
Aliados apontam que Marçal consegue conversar com uma parcela da direita que não necessariamente integra a base mais fiel do bolsonarismo e destacam sua entrada entre evangélicos e sua capacidade de mobilização nas redes.
Tê-lo ao lado de Flávio poderia ajudar a concentrar votos do campo conservador e, ao mesmo tempo, estreitar o espaço para as demais candidaturas à direita.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla para consolidar Flávio como o principal nome desse campo contra o presidente Lula (PT).
Enquanto Zema e Caiado tentam sustentar candidaturas ancoradas em suas gestões estaduais e Renan busca crescer como novidade na disputa, o QG de Flávio procura evitar que algum desses adversários ganhe força suficiente ao longo da campanha para ameaçar a posição do senador.
Situação de Marçal entra no cálculo
A perspectiva de uma passagem curta de Marçal pela corrida ganhou força nesta quarta-feira, quando a Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite seu registro à Presidência.
A PGE também solicitou que o empresário seja impedido, antes mesmo de uma decisão definitiva, de participar de debates, do horário eleitoral gratuito e de outros atos de propaganda, além de usar recursos públicos de campanha.
A Procuradoria aponta dois obstáculos à candidatura.
O primeiro é uma condenação de Marçal pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por uso indevido dos meios de comunicação social na eleição municipal de 2024.
O tribunal manteve a inelegibilidade por oito anos e aplicou multa de R$ 420 mil.
Segundo a PGE, como o primeiro turno daquela eleição ocorreu em 6 de outubro de 2024, Marçal permanece inelegível até 6 de outubro de 2032.
A condenação está relacionada à realização de concursos que ofereciam prêmios para estimular apoiadores a produzir e disseminar vídeos nas redes sociais durante a campanha à Prefeitura de São Paulo.
O segundo questionamento envolve a filiação partidária.
Marçal conseguiu no último fim de semana uma liminar reconhecendo retroativamente sua entrada no PRTB desde 4 de abril, de forma a cumprir o prazo mínimo de seis meses exigido pela legislação eleitoral.
A PGE, porém, cita uma certidão do TSE segundo a qual o empresário consta como filiado ao União Brasil desde 6 de março deste ano.
A Procuradoria também reuniu entrevistas, publicações e outros registros públicos para sustentar que Marçal continuava se apresentando como integrante do União depois do prazo eleitoral.
Entre os elementos citados está uma entrevista concedida em abril na qual afirmou: “Eu sou do União”.
O pedido será analisado pela ministra Estela Aranha, relatora do registro.
Enquanto não há uma definição, Marçal permanece na corrida.