Campanha de Lula quer evitar acenos

Campanha de Lula quer evitar acenos 'artificiais' a evangélicos, e busca ações concretas ao segmento

Fonte: Bandeira da fonte

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê a necessidade de o chefe do Executivo se aproximar e fazer acenos mais concretos ao eleitorado evangélico, que continua a ser um dos pilares do eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A menos de dois meses das eleições, contudo, a equipe ainda não definiu qual deve ser a estratégia a ser adotada, e quer evitar que qualquer aproximação no momento possa ser interpretada como artificial.

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De olho nessa demanda, está sendo avaliado um ato no Rio de Janeiro com a presença do presidente para aproximar a campanha a esse segmento.
Ainda não há data nem formato definidos, mas a expectativa é que ocorra já nas próximas semanas.

Essa agenda, porém, não está fechada pois não há consenso dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) sobre o ato e, portanto, há certa resistência de parte da equipe.
A leitura interna é de que é preciso fazer um aceno mais concreto, mas não necessariamente repetir o modelo de 2022.
Naquele ano, o petista participou de um ato público com pastores em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
O evento teve apresentação de jingles gospel e a leitura da Carta de Evangélicos a Lula.

Na época, havia uma preocupação no núcleo de campanha do PT em relação à disseminação de “fake news” geradas a partir da rede evangélica de apoio a Bolsonaro.
O principal objetivo era tentar estancar o estrago produzido a partir de mensagens falsas de que Lula fecharia igrejas evangélicas em caso de vitória nas urnas.

Apesar de o PT ver que parte dessas “fake news” já foram eliminadas, ainda enxerga um resquício em parte do eleitorado, e acha que precisa avançar em relação ao que foi feito na última corrida presidencial.
Para isso, o desafio, na visão de aliados, é transformar a aproximação em diálogo permanente com o segmento, com uma comunicação mais adequada e pautas concretas.

Mesmo que se admita que Lula já avançou nesse sentido durante seu terceiro mandato, reconhece-se que ainda há uma distância importante, e que precisa ser reduzida para vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista no momento, em outubro.
O fundamental, segundo uma pessoa a par das discussões, é não artificializar a relação nem tratar os evangélicos como um bloco homogêneo.

Um dos empecilhos para essa aproximação mais concreta é o próprio presidente, que é contra usar a religião como instrumento político e, portanto, se recusa a ir a igrejas e discursar, por exemplo.
Para contornar isso, a campanha quer manter uma estratégia que já estava sendo adotada pelo governo: “reforçar e massificar” a informação sobre ações da administração federal para que a aproximação com o segmento aconteça de maneira quase espontânea.

Para isso, a equipe do PT quer mostrar que esse esforço de se aproximar do segmento é algo construído ao longo das décadas, e apontar o quanto pode ser construído ainda.
Um dos fatos a ser apresentado é a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), que é evangélico e dialoga bem com as principais lideranças neopentecostais.
O nome, porém, foi recusado pelo Congresso.
Nesse sentido, o diálogo passa por ouvir as diferentes comunidades, construir propostas e ampliar parcerias com as igrejas em ações sociais e de interesse público.

Ao mesmo tempo, a campanha pretende apresentar que seu projeto de governo se aproxima dos ideais religiosos e se difere da extrema-direita, ao se basear na democracia, justiça social, solidariedade, paz e redução das desigualdades.
Assim, um ponto é relacionar os programas federais a ideais religiosos.
Um exemplo é a ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, que será apresentado como um instrumento de justiça social.
O mesmo valerá para os programas Gás do Povo e o Bolsa Família.
Já as medidas para ampliar o acesso ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida representariam uma “defesa da família”.

Embora a estratégia para as próximas semanas de campanha ainda esteja em discussão, a equipe de Lula já iniciou o esforço para se aproximar do segmento evangélico.
No domingo (16), primeiro dia oficial da campanha, a primeira-dama Janja da Silva cantou o jingle gospel da campanha ao lado do pastor evangélico Kleber Lucas.

Janja, inclusive, tem desempenhado um papel central como interlocutora e construtora do diálogo entre o governo e o segmento.
Nos últimos meses, ela intensificou as conversas com líderes e fiéis, com um foco especial nas mulheres evangélicas.