Campanhas priorizam gastos com marqueteiros, advogados e redes na largada - QTU Questões do Universo

Campanhas priorizam gastos com marqueteiros, advogados e redes na largada

Fonte: Bandeira da fonte

Marqueteiro Duda Lima, dono da F.A.R.O Propaganda e Publicidade, que tem o segundo maior contrato na lista do TSE
Joelmir Tavares/Valor
As contratações mais elevadas dos candidatos nos primeiros dias de campanha se resumem a contratos com marqueteiros, escritório de advocacia e impulsionamento de publicações em redes sociais, segundo levantamento do Valor.
O Partido Liberal (PL) lidera o ranking tendo três dos cinco contratos mais caros da lista divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é atualizada diariamente à medida que as prestações de contas são enviadas.

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A principal despesa da legenda é com à empresa F.A.R.O Propaganda e Publicidade Ltda, cujo sócio é o marqueteiro Duda Lima, responsável pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
O contrato é de R$ 4,1 milhões, em segundo lugar da lista, atrás dos gastos com redes sociais que totalizaram R$ 5,9 milhões pagos por 525 candidatos.

Duda Lima integrou a equipe de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022 e coordenou a campanha de Ricardo Nunes (MBD) para a prefeitura de São Paulo, em 2024.
Segundo informações do relatório financeiro enviado ao TSE, o contrato deste ano tem como objeto a “prestação de serviços técnicos” de planejamento, consultoria e comunicação para 112 candidatos e 54 candidatas em São Paulo, onde existem 169 candidatos pelo partido.

O diretório estadual do PL foi o responsável pelo pagamento.
Gastos da campanha de Flávio à empresa Duda Lima ainda não foram informados.
Em nota, o publicitário pontuou que "o PL de São Paulo precisa eleger muitos deputados e deputadas" e sua empresa tem trabalhado para entrega dos materiais.
"Tudo estará na prestação de contas como a lei manda", disse.

Na campanha do pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a F.A.R.O Propaganda e Publicidade recebeu R$ 3,26 milhões.
Já na campanha de Nunes, R$ 5,8 milhões.
Em 2024, a empresa ainda aparece tendo atuado em campanhas no interior de São Paulo, recebendo ao todo R$ 7,8 milhões.
Foram elas: a do prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania), de Santo André; a do prefeito Eduardo Borges (PL), de Itaquaquecetuba; e a de Flávia Morando (União Brasil) para a prefeitura de São Bernardo do Campo - única dos três não eleita.
Eles pagaram R$ 700 mil, R$ 500 mil e R$ 200 mil, respectivamente.

O segundo maior gasto do PL e terceiro da lista geral do TSE é o contrato de R$ 3,15 milhões pago pela campanha de Flávio ao escritório de advocacia da ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Claudia Bucchianeri, nomeada por Jair Bolsonaro em 2021.
Ela deixou a Corte em 2023.

Bucchianeri também já atuou na equipe jurídica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, quando o presidente estava inelegível, advogou na campanha do deputado Arthur Lira à presidência da Câmara dos Deputados e representou o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em nota, o escritório informou que “foi regularmente contratado pela campanha de Flávio Bolsonaro para toda atuação contenciosa ativa e passiva no Tribunal Superior Eleitoral” e que tem equipe “majoritariamente feminina”.
“O trabalho é hercúleo, envolve prazos em horas todos os dias da semana, e será prestado por uma equipe de 15 profissionais, entre advogados, controladores, apoio digital e secretariado.”

“A atuação em campanha eleitoral presidencial envolve serviço altamente especializado.
Daí porque é extremamente comum a participação de advogadas e advogados que já passaram pela Corte em campanhas presidenciais, realidade não só da campanha de Flávio Bolsonaro, como de Lula, que anunciou recentemente dois ex-ministros em seu time jurídico”, afirmou, em nota.

A campanha de Lula ainda não enviou relatório financeiro de despesas.
Procurada, a campanha não deu retorno até a publicação desta matéria.

O terceiro contrato, também pago pelo PL de São Paulo e que está em quinto lugar na lista do TSE, foi feito à empresa Fan Movie, criada em fevereiro do ano passado, para a produção, captação, direção, edição e finalização de conteúdo audiovisual, também para 112 candidatos e 54 candidatas do partido.
O montante é de R$ 2,9 milhões.
Um dos sócios é o marqueteiro baiano Bruno Cartaxo, que atuou na campanha de João Roma, ex-ministro da Cidadania durante o governo de Jair de Bolsonaro, para governo da Bahia no passado.

Gastos com rede social
O maior gasto até agora pelas campanhas foi com o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais da Meta – dona do Facebook, Instagram e Whatsapp - totalizando R$ 5,9 milhões.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que concorre a uma vaga ao Senado no Paraná, foi quem mais gastou com o recurso para ampliar o alcance das publicações aos usuários, R$ 350 mil.

Em segundo, está o ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL), que agora tenta uma vaga no Senado pelo mesmo Estado, totalizando R$ 150 mil em gastos.
Em seguida estão o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao Senado, e a vereadora Maria Bragante (PSB), candidata a deputada estadual, com R$ 120 mil gastos cada um.
Ambos concorrem em São Paulo.

Em quarto lugar na lista de cinco maiores gastos de campanha está a instituição de pagamentos Dlocal Brasil, tendo recebido R$ 3 milhões de mais de 244 candidatos.

As informações ainda são parciais.
Até agora, segundo dados do TSE, cerca de R$ 96,4 milhões de gastos foram declarados pelos candidatos com fornecedores em relatórios financeiros, uma exigência da legislação federal.
Partidos e candidatos têm até 13 de setembro para enviar a prestação parcial do que foi recebido e gasto, com detalhamento de como os recursos foram usados e de quem partiram as doações.

O relatório final deve ser enviado até 3 de novembro.
Candidatos que não enviarem o documento à Justiça Eleitoral terão as contas julgadas não prestadas e ficarão sem quitação eleitoral por pelo menos 4 anos – oito anos no caso de candidatos ao Senado.
A sanção continua até que as contas sejam apresentadas, mesmo fora do prazo.

O PL e Fan Movie foram procurados, mas não deram retorno até a publicação desta matéria.