O ex-deputado estadual Gelson Merísio (PSB) fez um pix de R$ 1 milhão para a própria campanha ao governo de Santa Catarina (SC) e assumiu a liderança do ranking de autodoação em 2026.
Apoiado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida ao Executivo de um dos principais redutos bolsonaristas, ele declarou voto em Jair Bolsonaro (PL) em 2018, mas buscou se aproximar do PT nos anos seguintes.
Dados publicados pelo Divulgacand, portal da Justiça Eleitoral, registram um lançamento milionário de Merísio para si mesmo.
Era a única receita registrada pela campanha até a manhã desta quarta-feira.
Declaração de receitas de Gelson Merísio (PSB)
Reprodução/Divulgacand
O montante doado contrasta com o patrimônio declarado pelo candidato, de quase R$ 653 mil, que inclui uma casa em São Paulo de R$ 430 mil e participação societária de R$ 95 mil numa empresa de materiais de construção batizada em seu nome.
O GLOBO tenta contato com o político.
Merísio investe no apoio de Lula e na trajetória política no estado para tentar furar o predomínio da direita em Santa Catarina.
De acordo com pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, na disputa pelo Executivo, o governador Jorginho Mello (PL) aparece com vantagem confortável, com 50% das intenções de voto, enquanto João Rodrigues (PSD), que também disputa o apoio da direita, tem 17%.
Já Merísio (PSB), escolhido para encabeçar o palanque petista no estado, marca 4%.
Enquanto articulava a pré-campanha, Merísio publicou nas redes sociais um vídeo em que classificava a mudança política como um "privilégio de quem está vivo" e citou o "abandono" do estado pelo governo Bolsonaro e "posturas descabidas" do mandato do ex-presidente.
"Quando muitos se omitem, se radicalizam e afrontam a democracia, fica mais claro ver que o caminho está errado e que é preciso alterar a rota", escreveu, na ocasião.
Até o registro da autodoação de Merísio, o professor e jurista Edvaldo Pereira Brito (PSD) lidervaa o ranking.
Ele repassou R$ 533 mil à campanha de Jaques Wagner (PT) à reeleição ao Senado na Bahia, depois de ser escolhido como primeiro suplente na chapa do candidato petista.
Caberá a ele assumir a cadeira de Wagner na Casa legislativa em eventuais períodos de ausência prolongada ou quaisquer afastamentos por saúde ou decisão judicial.
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Brito é pai do deputado federal Antonio Brito, líder do PSD na Câmara, e contou com o apoio de correligionários, como o senador Otto Alencar, na corrida.
Para assumir a primeira suplência de Wagner, ele superou outros nomes cotados — como a colega de Câmara Lídice da Mata (PSB-BA), que tenta a reeleição, e a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), nomeada segunda suplente.
Prevaleceu o arranjo do PT com o PSD no estado, que apoia a chapa majoritária dos petistas Jerônimo Rodrigues ao governo e Rui Costa à outra vaga do Senado.
Aos 88 anos, Brito é conhecido pela trajetória jurídica, como advogado particular e professor de Direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Mas também se engaja há décadas na seara política: foi vereador, vice-prefeito de Salvador (BA) e secretário estadual de diferentes áreas da Bahia.
Primeiro suplente fez autodoação para chapa de Jaques Wagner
Reprodução/Divulgacand
Entre 1978 e 1979, foi prefeito da capital baiana em um cargo biônico, sistema vigente durante parte do regime militar.
Brito foi nomeado para a cadeira pelo então governador Roberto Santos após eleição indireta na Assembleia Legislativa estadual.
Depois de ficar na suplência durante a Constituinte, ao fim da ditadura, já nos anos 1990, Brito foi nomeado secretário municipal de Negócios Jurídicos em São Paulo na gestão de Celso Pitta.
A revista Veja reportou que o advogado chegou a defender o chefe do Executivo municipal no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) em meio ao "Pittagate", um escândalo de corrupção e compra de votos.
À Justiça Eleitoral, Brito declarou este ano ter mais de R$ 12,5 milhões em bens, incluindo uma casa em Salvador (BA) de R$ 2,8 milhões e um apartamento em São Paulo (SP) de R$ 560 mil.
Além do aporte do primeiro suplente, a campanha de Jaques Wagner já declarou ter recebido outros R$ 50 mil da Direção Estadual do PT.
