O ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, apresentou nesta segunda-feira (31), em São Paulo, o modelo de combate ao crime adotado pelo governo de Nayib Bukele e classificou como “manipulação” as acusações de violações de direitos humanos feitas contra o país.
Durante um congresso promovido pela Fiesp, Villatoro apresentou o regime de exceção, em vigor desde 2022, como uma das principais ferramentas para combater organizações criminosas e recuperar o controle de territórios.
O ministro afirmou que as mudanças tiveram respaldo popular e classificou defensores de direitos humanos como “hipócritas”.
O modelo é alvo de críticas de entidades que denunciam prisões arbitrárias, julgamentos coletivos e maus-tratos.
"E nós temos o respaldo dos próprios salvadorenhos, não das organizações internacionais.
Não estamos interessados em nenhuma delas, porque nenhuma delas nos põe um prato de comida na mesa.
E por muito fortes que eles consigam falar, ou por muitos pseudo jornalistas que eles paguem, ou por muitos canais de televisão que eles tenham, em El Salvador fica claro que os direitos humanos em todos os níveis da sociedade, inclusive até dos criminosos, é respeitado.
E todos esses pseudo defensores de direitos humanos, eles são tão hipócritas."
A palestra teve a transmissão pela internet interrompida após os primeiros dez minutos.
Segundo a organização, a restrição foi comunicada pela Fiesp pouco antes do evento por "questões relacionadas aos direitos autorais".
Villatoro foi aplaudido em três momentos e recebeu aplausos de pé ao final da apresentação.
Presente no evento, o deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, do PL, afirmou que, se eleito, o senador pretende classificar as facções criminosas como organizações terroristas já no primeiro ato de governo.
Gaspar elogiou a experiência de El Salvador e comparou os desafios de segurança do país com os enfrentados pelo Brasil.
Os candidatos ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite, do PP, e ao governo do Paraná, Sergio Moro, do PL, também estavam no congresso.
À imprensa, Moro disse que pretende construir um presídio de segurança máxima no estado e batizar a unidade de “El Salvador”, em referência ao modelo defendido por Villatoro.
Também nesta segunda-feira, o candidato à reeleição pelo governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, defendeu o endurecimento das punições para crimes que, segundo ele, alimentam a "sensação de impunidade".
Sem citar a política de segurança de El Salvador, Tarcísio afirmou que é preciso aumentar o risco de prisão para criminosos reincidentes e garantir o cumprimento das penas.
A declaração foi dada após encontro com representantes do setor de transporte de cargas.
"O grande problema é a falta de sensação de risco que o criminoso tem.
Ora, por que a gente tem tanto roubo de celular? Porque a pessoa sabe que não vai ficar presa e aí o Estado fica enxugando gelo.
A gente chega a prender o mesmo ladrão de celular 30 vezes, 35 vezes.
Então, uma coisa que realmente afasta o criminoso do crime é a sensação de que ele vai cumprir pena.
Então, para alguns crimes que estão aborrecendo a nossa sociedade, que estão tirando a paz do cidadão, a gente precisa endurecer a pena e, claro, você precisa estruturar o sistema prisional para acomodar esses criminosos."
A posição de Tarcísio ocorre apesar de o governador ter afirmado, no primeiro ato de campanha, ser contrário ao encarceramento em massa, uma das políticas de Bukele.
Em outras declarações recentes, porém, o governador citou El Salvador como exemplo de enfrentamento ao crime e defendeu medidas mais duras, como a prisão perpétua no Brasil.
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