Na disputa pelos votos do eleitorado bolsonarista em Santa Catarina, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) virou alvo do senador Esperidião Amin (PP), que adotou como lema de campanha o título de "catarinense raiz".
Criticado por parte da direita por disputar a eleição neste ano fora de seu reduto eleitoral, o Rio de Janeiro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem ancorado a candidatura na popularidade do atual governador e candidato à reeleição, Jorginho Mello (PL-SC), que o tem defendido publicamente.
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Em indireta ao adversário visto como "forasteiro", Amin passou a incluir o rótulo que remete à sua ligação com Santa Catarina em suas peças de campanha, que também dizem que ele "conhece o estado de ponta a ponta" em função de sua experiência como governador e senador por dois mandatos.
A estratégia difere do lema adotado por Carlos, que argumenta que disputará a vaga no Senado “pelo Brasil, pela liberdade e pelo futuro”.
Desde que foi anunciado como candidato, por indicação do pai, o ex-vereador recebeu críticas da classe política catarinense, que via a transferência de domicílio eleitoral como "oportunismo".
A mudança chegou a ser questionada por uma ação enviada em julho ao Ministério Público Eleitoral (MPE), mas o órgão recomendou o arquivamento do processo.
Na época, em uma publicação nas redes sociais, Carlos se descreveu como "catarinense por adoção" e disse que a contestação representava "uma tentativa de quem tem medo da força da direita no estado e do nome Bolsonaro, todos unidos em torno do governador Jorginho Mello”.
O governador entrou em campo para defendê-lo durante o evento de lançamento oficial da chapa na última segunda-feira, comparando a ida de Carlos para o estado à migração de outros brasileiros.
— Carlos Bolsonaro é um catarinense como mais de 500 mil que vieram para Santa Catarina nos últimos tempos, se apaixonaram pelo estado, gostam do estado, aqui é bom para viver, é bom para progredir.
Ele é um brasileiro que veio e o povo de Santa Catarina vai decidir, é uma candidatura — disse o governador na ocasião.
No estado, Carlos também tem como aliada a deputada Caroline de Toni (PL), que ameaçou deixar o partido no início do ano diante das costuras para que as vagas ao Senado na chapa de Jorginho fossem ocupadas por Carlos, referendado pelo pai, e Amin, em função do peso do PP em Santa Catarina.
O senador, no entanto, acabou escanteado e decidiu compor com o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD), adversário de Jorginho na disputa estadual.
O ex-vereador, por sua vez, ainda enfrenta resistência de nomes como a deputada estadual Ana Campagnolo, presidente do PL Mulher catarinense, que recentemente viralizou nas redes sociais com um vídeo em que se recusava a declarar apoio a Carlos.
Após o episódio ganhar tração nas redes, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu intervir por meio de um comentário em uma publicação de Campagnolo.
No post, ele pediu para a deputada fazer um vídeo pedindo votos ao ex-vereador.
"Caso não possa fazê-lo, vou compreender, mas também compreenda se eu te pedir para não usar mais minha imagem nem a de Jair Bolsonaro.
Posso contar com você?", escreveu Flávio.
