O cirurgião plástico André Melo, investigado no caso da morte de Giovanna Coelho, de 29 anos, não compareceu nesta quarta-feira (19) à Polícia Civil para prestar depoimento.
Segundo o delegado Diego Pinheiro, responsável pela investigação, o médico havia sido intimado, mas não apresentou nenhuma justificativa formal para a ausência.
De acordo com o delegado, o não comparecimento será registrado no inquérito e uma nova intimação será expedida para que André Melo seja ouvido.
“Não houve o comparecimento dele, vai ser certificado o não comparecimento e vai ser expedida uma nova intimação.
Não houve também nenhuma explicação, nenhuma justificativa pelo não comparecimento, pelo menos não formal, não consta nos autos nenhuma petição, não foi atravessado nenhum e-mail explicando a justificativa”, afirmou Diego Pinheiro.
O delegado ressaltou, porém, que André Melo está formalmente na condição de investigado e que o direito de não comparecer ao depoimento é assegurado constitucionalmente.
“Ele está formalmente na qualidade de investigado.
É um direito constitucional dele não comparecer.
Cabe à Polícia Civil, também como presidente do inquérito, tomar as devidas providências cabíveis em caso de não comparecimento”, explicou.
Questionado sobre o que poderá acontecer caso o médico não compareça novamente, Diego Pinheiro afirmou que existem medidas investigativas que podem ser adotadas, mas que não serão antecipadas porque o inquérito está sob sigilo.
“São métodos investigativos que aí não cabe realmente agora, nesse momento, antecipar ou expor”, declarou.
Dois médicos serão ouvidos
Segundo Diego Pinheiro, além de André Melo, outro médico também é investigado no caso.
A Polícia Civil já prevê ouvir os dois profissionais, mas o delegado não informou as datas dos depoimentos.
“O procedimento está em sigilo, eu realmente não posso informar a data da oitiva, mas tem sim a previsão da oitiva dos dois médicos já, com certeza”, afirmou.
A Polícia Civil também deverá ouvir outras pessoas que possam contribuir para esclarecer o que aconteceu com Giovanna durante o período em que ela permaneceu internada.
“Pretendo ouvir sim.
Por questões de sigilo processual e até também para não conturbar um pouco as investigações, prefiro nesse momento manter em resguardo o nome das pessoas que serão ouvidas”, explicou o delegado.
Segundo ele, entre os próximos depoentes estão médicos e pessoas indicadas pela irmã da vítima.
“Serão sim, com certeza.
Alguns médicos, provavelmente, algumas pessoas apontadas também pela irmã, que vão ter bastantes informações para nos fornecer a respeito dessa situação”, declarou.
Prontuário já está com a Polícia Civil
A investigação recebeu nesta quarta-feira o prontuário médico de Giovanna, que foi formalmente juntado ao inquérito.
O documento deverá ser analisado pelos investigadores.
Além do prontuário, a Polícia Civil aguarda o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML), que será utilizado para auxiliar na determinação da causa da morte.
“Chegou hoje para nós algumas dessas documentações, especificamente o prontuário do Hospital Beneficência Portuguesa.
Essa documentação vai ser analisada, ainda estamos aguardando também o laudo necroscópico do IML para determinar a causa mortis”, afirmou Diego Pinheiro.
A irmã da vítima, Ana Caroline Coelho, também prestou depoimento nesta quarta-feira.
Segundo o delegado, ela permaneceu por cerca de quatro horas na unidade policial e apresentou informações sobre o período em que acompanhou Giovanna.
Polícia avalia ouvir outras supostas vítimas
A repercussão do caso fez com que outras pessoas passassem a publicar nas redes sociais relatos sobre supostos problemas relacionados ao médico investigado.
A Polícia Civil afirma que ainda não recebeu formalmente essas pessoas, mas avalia ouvi-las.
“Não compareceu procurando ainda, mas eu estou avaliando a oitiva dessas pessoas.
Creio que sim, é uma hipótese ouvi-las”, afirmou o delegado.
Parte desse conteúdo já foi preservada pela Polícia Civil para eventual utilização na investigação.
“Muitas pessoas realmente relataram ter sido vítimas de algum impedimento médico.
Como já foi perguntado, essas pessoas podem vir a ser ouvidas.
Então isso foi documentado e materializado dentro do processo, o registro de integridade, hash, a auditabilidade.
Tudo isso foi feito”, declarou.
A Polícia Civil afirma que o objetivo é reconstruir toda a cronologia dos acontecimentos, desde o período pré-operatório até a cirurgia e o pós-operatório, confrontando documentos e depoimentos antes de chegar a qualquer conclusão.
“O objetivo nosso aqui da Polícia Civil é documentar a cronologia dos fatos, documentar todo o processo pelo qual a vítima passou, desde o pré-operatório até a própria cirurgia em si, até o pós-operatório, documentar, trazer para os autos todos esses elementos, confrontar os depoimentos com os documentos e aí sim, ao final, tomar alguma conclusão se haverá indiciamento, se houve culpa, se houve nexo causal, alguma omissão, alguma negligência”, afirmou Diego Pinheiro.
