Caso Gisele: Laudo descarta suicídio e afirma que morte da PM é compatível com

Caso Gisele: Laudo descarta suicídio e afirma que morte da PM é compatível com 'intervenção de segunda pessoa'

Fonte: Bandeira da fonte

Um laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo reforçou que a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, não cometeu suicídio e que sua morte envolveu a intervenção de uma segunda pessoa.
Ao responder a questionamentos apresentados pela defesa do ex-marido da policial, a perícia afirmou que a hipótese de suicídio foi “falsificada” por incompatibilidades materiais encontradas na cena.
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O documento é complementar a exames anteriores e foi produzido a pedido da Justiça para responder aos quesitos apresentados pelo assistente técnico da defesa.
O Instituto de Criminalística afirma ter analisado todos os vestígios documentados nos autos e confrontado as diferentes versões sobre a dinâmica da morte.
Segundo a perícia, o conjunto de padrões de manchas de sangue e os demais elementos objetivos encontrados no local contradizem a hipótese de suicídio.
A perícia também afirma que nenhum dos elementos examinados permitiu afastar a hipótese de intervenção de uma segunda pessoa na morte.
Já a hipótese de suicídio não resistiu ao teste feito pelos peritos.

Para reconstruir a dinâmica dos acontecimentos, os peritos analisaram diferentes configurações do apartamento: uma baseada na versão apresentada pelo réu, outra relatada pelos socorristas que chegaram primeiro ao local e uma terceira reconstruída a partir das fotografias feitas na época.
Essas versões foram confrontadas com os registros e vestígios documentados.
O trabalho também utilizou um levantamento tridimensional do apartamento feito com laser scanner.
Segundo o laudo, foram realizadas 26 estações de escaneamento, com erro médio global de 0,7 milímetro.
A reconstrução fotográfica foi ainda submetida a uma contraprova com a imagem original em alta resolução, procedimento que, de acordo com a perícia, confirmou a fidelidade do modelo utilizado.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, ex-marido de Gisele, é réu por feminicídio e fraude processual e está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes.
Segundo a acusação do Ministério Público, ele matou a soldado e depois alterou a cena para simular um suicídio, incluindo o posicionamento da arma na mão da vítima.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça em seu apartamento, na Rua Domingos Paiva, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.
O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas a investigação passou a sustentar a hipótese de feminicídio.
O Ministério Público afirma que o crime foi motivado pela recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento e que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa.
Geraldo nega as acusações por meio da defesa.
O interrogatório do tenente-coronel, que já foi adiado anteriormente, está marcado para 8 de setembro, às 10h.
Em agosto, o Superior Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva do oficial.
A defesa de Geraldo afirmou que analisa a resposta do Instituto de Criminalística aos quesitos apresentados no laudo, juntamente com o assistente técnico.
Já o advogado dos familiares de Gisele afirmou que o documento reforça as provas existentes e a conclusão de que a policial foi vítima de feminicídio.