O celular é o dispositivo mais usado por leitores de e-books e audiolivros no país: 72% deles recorrem aos smartphones em vez de computadores (23%), e-readers (19%) e tablets (16%).
Os dados são da pesquisa Leitores Digitais, realizada pela NielsenIQ BookData e apresentada nesta quarta-feira (2) na Biblioteca Nacional de Brasília.
Financiado pela plataforma de livros digitais Skeelo, o estudo ouviu 3 mil brasileiros com mais de 10 anos de todas as regiões e classes socioeconômicas do país.
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Com base no levantamento, estima-se que cerca de 18 milhões de brasileiros passaram a ler mais depois de começar a consumir e-books e audiolivros: 43% dos leitores e 45% dos ouvintes de livros digitais que responderam à pesquisa afirmam estar lendo “muito mais do que antes”.
Entre os entrevistados, 78% afirmam buscar conteúdos digitais para adquirir conhecimento sobre novos assuntos, 72% relataram benefícios para a saúde mental e 71% consideram que esse tipo de leitura contribui para ampliar o vocabulário e melhorar a escrita.
Ao todo, 49% da população brasileira com mais de 10 anos consumiu algum tipo de leitura digital nos 12 meses anteriores ao levantamento.
A definição de leitura digital adotada pela pesquisa inclui, além de e-books e audiolivros, textos informativos, PDFs, fanfics, quadrinhos e mangás.
O resultado não deve ser comparado diretamente com pesquisas que empreguem outras definições de leitor, como os Retratos da Leitura, que consideram leitor quem leu ao menos parte de um livro nos três meses anteriores.
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As mulheres representam 58% dos consumidores de e-books e audiolivros no país e 47% desse público tem entre 25 e 44 anos.
A classe C, que representa 47% da população brasileira, responde por 46% dos leitores digitais.
Nas classes A e B, os índices são, respectivamente, 25% e 36%, o que mostra concentração da leitura digital nos segmentos de maior renda.
Os pretos e pardos, que compõem 55% da população, são 48% dos leitores digitais.
A pesquisa mostra ainda que os pretos e pardos são maioria entre os leitores digitais de histórias seriadas, fanfics, quadrinhos e mangás.
A ficção é o gênero favorito tanto dos leitores de e-books quanto dos ouvintes de audiolivros, citada por 57,1% e 44,5% deles, respectivamente.
A preferência pelos demais gêneros varia de acordo com o formato.
Entre os leitores de e-books, os gêneros mais populares (depois da ficção) são a não ficção (38,8%); os livros científicos, técnicos e profissionais (34,9%); a Bíblia (34%) e a autoajuda (27,1%).
Já o público dos audiolivros cita os títulos científicos, técnicos e profissionais (38,5%), a Bíblia (36%), obras de autoajuda (35,9%) e a não ficção (34,6%).
Segundo a pesquisa, e-books e audiolivros atendem necessidades complementares.
O e-book é escolhido pela facilidade de acesso, portabilidade e possibilidade de carregar vários títulos em um único dispositivo.
Já o audiolivro ganhou o público “multitarefa”, que gosta de ouvir histórias enquanto se desloca, dedica-se a tarefas domésticas ou a outras atividades.
Oportunidades e barreiras
Na apresentação dos números, Rodrigo Meinberg, CEO da Skeelo, lembrou que, segundo o IBGE, apenas 18% dos municípios do país têm livrarias e que o conteúdo digital permite que mais brasileiros tenham “o direito de consumir livros”, o que antes “era limitado aos grandes centros e às classes mais abastadas”.
— A próxima pergunta não é se (o modelo digital) funciona, mas como a gente pode escalar isso e levar a cada vez mais brasileiros essa grande oportunidade — disse Meinberg, ressaltando que os dados indicam que os livros digitais não “canibalizam” os títulos físicos.
— O que há não é canibalização, e sim complementaridade de oportunidades para o setor.
Mais que o preço, é a conveniência o principal atrativo dos formatos digitais.
O acesso aos títulos ocorre por uma combinação de fontes gratuitas, compartilhamentos, compras, assinaturas e benefícios incluídos em serviços diversos (de academias à telefonia móvel).
Entre os leitores de e-book, 24% afirmam consumi-los todos os dias e 26% o fazem de quatro a seis vezes por semana.
Os índices baixam para 22% e 24%, respectivamente, entre os ouvintes de audiolivros.
Segundo a pesquisa, a principal barreira à inclusão dos formatos digitais nas rotinas de leitura não é o acesso à tecnologia ou o preço, mas sim a preferência por outros tipos de lazer, como assistir a vídeos na internet, acessar as redes sociais e ler livros físicos.
Entre aqueles que preferem livros impressos, 63% são mulheres: 45% delas são da classe C e 45% têm mais de 35 anos.
O estudo indica que a maioria dos leitores analógicos estaria disposta a dar uma chance aos formatos digitais, em especial se o acesso for simples, sem custo adicional e integrado ao celular.
Embora as redes sociais consumam tempo que poderia ser investido nos livros, essas mesmas mídias oferecem indicações de leituras ao público que prefere os formatos digitais.
Entre os consumidores de e-books, 27% recorrem a criadores de conteúdo no Instagram para buscar informações sobre obras, mesmo percentual registrado entre os ouvintes de audiolivros.
O YouTube é citado por 27% dos leitores de e-books e 33% dos ouvintes.
Os perfis literários no TikTok (o famoso BookTok) são lembrados por 23% e 25%, respectivamente.
Canais não oficiais
O levantamento também mapeia o consumo de livros digitais fora dos canais oficiais (lojas ou bibliotecas virtuais): 48,8% dos leitores de e-books e audiolivros afirmaram já ter baixado ou acessado gratuitamente conteúdos em sites, aplicativos ou links.
Outros 41,5% disseram ter recebido arquivos compartilhados por amigos ou familiares.
No entanto, as respostas isoladas não permitem concluir se se trata de conteúdo autorizado, gratuito por opção do dono dos direitos autorais ou disponibilizado de forma irregular.
Além disso, 67% dos respondentes não sabem identificar se um livro digital gratuito foi disponibilizado legalmente.
Homens da classe A são o grupo que mais acessa conteúdo digital por download ou meios não oficiais: 36,5%.
Já o acesso por arquivos compartilhados é maior entre mulheres da classe A: 38,1%.
O Google figura como o site ou aplicativo mais usado para acessar livros digitais, citado por 55% (o resultado indica que as respostas se referem não só ao Google Livros, mas principalmente ao uso do buscador para pesquisar títulos).
Na sequência, são mencionados a Amazon (37%), o Skeelo (23%), a plataforma do governo federal MEC Livros e o Kindle Unlimited (ambos com 22%) e a plataforma Minha Biblioteca (21%), cujo acervo é constituído principalmente por obras acadêmicas.
*O repórter viajou a convite da Skeelo.
