Chefe da CIA alertou Moscou a não atacar países da Otan em viagem secreta, dizem fontes; Kremlin rejeita acusação como

Chefe da CIA alertou Moscou a não atacar países da Otan em viagem secreta, dizem fontes; Kremlin rejeita acusação como 'alarmista'

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A viagem secreta do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou na terça-feira teve por objetivo alertar a Rússia contra um ataque direto a países-membro da Otan, em um momento em que informações de inteligência coletadas por Washington sugeriam que a nação liderada por Vladimir Putin poderia estar planejando um ataque limitado — de um ciberataque a uma incursão em pequena escala — contra um alvo europeu nos próximos anos.
Fontes ouvidas pelo jornal americano Wall Street Journal apontaram a finalidade da viagem à publicação nesta quinta-feira, um dia após o presidente americano, Donald Trump, classificar a ida de Ratcliffe como uma "visita de semirrotina", e rejeitar qualquer relação com ameaças russas aos aliados.
O Kremlin chamou a narrativa apresentada pela mídia americana como "alarmista".
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Fontes informadas sobre a ida de Ratcliffe a Moscou afirmaram ao WSJ, sob condição de anonimato, que as autoridades americanas estão preocupadas que Putin, pressionado pela guerra na Ucrânia e suas consequências internas e externas, poderia lançar algum tipo de ação agressiva contra um aliado europeu.
O alvo provável seria algum país báltico, disseram as fontes — mencionando as ex-repúblicas soviéticas, territorialmente próximas à Rússia.

Aliados europeus da Otan têm denunciado um comportamento mais agressivo da Rússia nos últimos meses, com alguns episódios sendo atribuídos a Moscou mesmo sem uma confirmação oficial.
Entre os casos mais recentes, drones com explosivos foram identificados em aeroportos da Alemanha, um projétil abriu uma cratera em uma área rural da Polônia e jatos caça tiveram que ser acionados pela aliança para abater possíveis ameaças aos espaços aéreos de países mais orientais.
Moscou tem criticado o apoio europeu à Ucrânia com repetidamente desde o início da guerra.
A frente de pressão mais recente envolve o anúncio do Reino Unido sobre ceder tecnologia de mísseis de longo alcance a Kiev — um artigo a muito solicitado pelos ucranianos para atacar além das linhas de frente com maior poder de fogo.
O governo russo afirmou que a medida correspondia a uma participação de Londres na guerra ao lado dos ucranianos, e acrescentou que via o líder britânico "empenhado em jogar gasolina no fogo e em elaborar planos para impedir qualquer tipo de processo de paz".
As forças ucranianas têm investido em ataques aéreos contra o território russo e de áreas ocupadas, em uma campanha que chamam de "sanções de longo alcance", a fim de fazer a guerra ser sentida do outro lado da fronteira.
Entre os alvos recentes estão grandes redes de e-commerce e refinarias de petróleo.
Uma investigação foi aberta nesta quinta-feira para apurar as circunstâncias da morte de um militar russo da Força Aérea, em um incidente envolvendo um carro-bomba perto de São Petersburgo.
A Ucrânia realizou uma série de assassinatos de militares russos de alta patente desde que começou a ofensiva da Rússia há mais de quatro anos.
Da esquerda para a direita: o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante uma reunião na Cúpula da Otan de 2025, realizada em Haia, nos Países Baixos, em 25 de junho de 2025
Haiyun Jiang / The New York Times
Em uma manifestação nesta quinta, o Kremlin classificou as informações da mídia americana sobre a visita do diretor da CIA como "histórias alarmistas".
O principal porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov , disse que a informação "não tem nada a ver com a realidade nem com as intenções da Rússia".
Ele insistiu, porém, que Moscou enfrenta uma "agressão" dos países europeus.
— A Rússia preferia alcançar seus objetivos por meios pacíficos, mas, como isso não é possível, continua com sua operação militar especial [termo usado pelo governo russo para se referir à guerra lançada contra a Ucrânia].
Isso é para garantir sua segurança e seus interesses — acrescentou Peskov.
Tanto Moscou quanto Washington afirmaram nos últimos dias que as reuniões envolvendo o diretor da CIA incluiria apenas contrapartes, rejeitando que Ratcliffe tivesse qualquer encontro programado com Putin.
Embora o enviado especial de Trump para negociações no exterior, Steve Witkoff, tenha viajado a Moscou algumas vezes desde o retorno do republicano à Casa Branca, o último chefe da Inteligência dos EUA a pisar na capital russa tinha sido William Burns, durante o governo Joe Biden, em novembro de 2021 — antes do início da guerra com a Ucrânia, portanto.
(Com AFP)