Chevron negocia ampliar operações na Venezuela, em vitória potencial para Trump - QTU Questões do Universo

Chevron negocia ampliar operações na Venezuela, em vitória potencial para Trump

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A Chevron está em negociações avançadas para ampliar significativamente suas operações na Venezuela, e um acordo poderá ser anunciado já na próxima semana, segundo pessoas a par das negociações.
Qualquer novo investimento da Chevron, a segunda maior petrolífera dos EUA e a única com presença de porte em Caracas, reforçaria os esforços do país para revitalizar sua combalida indústria petrolífera e sua economia em dificuldades.
Um acordo do tipo também representaria uma vitória para o governo Trump, que vem pressionando empresas americanas a desempenharem um papel maior no setor energético da Venezuela, depois que forças dos EUA capturaram o líder do país, Nicolás Maduro, em janeiro.
Em outra frente, na noite de sexta-feira, Trump afirmou que os EUA fecharam um acordo para assumir o controle majoritário de uma enorme parcela das reservas de petróleo da Venezuela, sinalizando um amplo esforço para afirmar a predominância americana sobre a energia no Hemisfério Ocidental.

Em publicação em rede social, Trump destacou que a iniciativa reduziria o preço da gasolina para os americanos.
O acordo representa incursão altamente incomum nos campos petrolíferos de outro país por meio de uma parceria com uma empresa privada, informou o Departamento de Estado por meio de uma autoridade americana.
parceria com ‘bolichico’
Segundo duas fontes a par das negociações disseram ao New York Times, a empresa privada envolvida no negócio é ligada ao empresário venezuelano Alejandro Betancourt López.
Ele é chamado no país de “bolichico” ou “garoto bolivariano”, em uma referência a empresários venezuelanos favorecidos pelo governo e que lucraram durante a revolução socialista do país.
O acordo daria aos EUA controle sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas provadas de petróleo, segundo Trump afirmou nas redes sociais.
O volume é quase equivalente a todas as reservas provadas dos EUA, que são o maior produtor de petróleo do mundo.
A presidente Venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que o acordo envolveria o desenvolvimento de 17 campos de petróleo e atrairia mais de US$ 100 bilhões em investimentos.
Além disso, geraria estimados US$ 209 bilhões para o governo venezuelano, mas os detalhes até agora são escassos, e o texto do acordo não estava imediatamente disponível.
Do lado das negociações do setor privado, várias outras petrolíferas americanas vêm buscando oportunidades na Venezuela, mas grande parte do que se concretizou até agora é de natureza preliminar.

As negociações envolvendo a Chevron ainda podem fracassar, mas o esforço da companhia para ampliar sua presença no país dá continuidade a uma aposta feita há duas décadas, quando decidiu permanecer em Caracas depois que o governo venezuelano mudou as condições sob as quais empresas estrangeiras poderiam operar.
Outras petroleiras americanas, como ExxonMobil e ConocoPhillips, recusaram os novos termos e deixaram o país.
As operações da Chevron respondem por cerca de um quarto da produção venezuelana enquanto grande parte da indústria de petróleo venezuelana entrou em desordem nos últimos anos devido à corrupção, má gestão e sanções dos EUA.
As negociações apontam para a grande transformação em curso no cenário energético da Venezuela, que possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo.
Manter o controle nacional sobre seus recursos naturais moldou a política do país durante décadas, e muitos venezuelanos veem o petróleo como um direito de nascimento e um elemento fundamental da identidade nacional.
Mas o governo Trump colocou o petróleo venezuelano no centro de sua campanha para afirmar a predominância energética dos EUA em todo o Hemisfério Ocidental, onde o aumento da produção ajudou a compensar a perda de petróleo proveniente do Oriente Médio nos últimos seis meses em razão da guerra com o Irã.
Mudança na legislação
Líderes americanos anteriores frequentemente evitavam qualquer sugestão de que obter o controle dos recursos naturais de outro país fosse um objetivo primordial da política militar e externa dos EUA, preocupados com uma possível reação negativa internacional.
Mas Trump e alguns de seus assessores deixaram claro que o petróleo é uma parte importante de sua atuação na Venezuela.
Mesmo antes de retirar Maduro do poder, autoridades americanas afirmaram de maneira contundente que os EUA haviam criado a indústria petrolífera venezuelana e que o governo do país havia, na prática, roubado campos de petróleo americanos por meio de nacionalizações.
Sob pressão dos EUA, apenas algumas semanas depois da captura de Maduro, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma reforma da legislação que regulamenta sua indústria petrolífera, concedendo às empresas estrangeiras maior controle sobre suas operações no país.
A medida reverteu grande parte da nacionalização dos projetos petrolíferos venezuelanos realizada em 2007 e abriu caminho para que a Chevron ampliasse sua posição no país.
A nacionalização havia sido um dos pilares do chavismo, o movimento político criado por Hugo Chávez, antecessor de Maduro.