Um lago formado após um deslizamento de terra atingir a fronteira entre a China e o Nepal apresenta "alto risco" de romper e provocar novas inundações, informou a imprensa estatal chinesa, citando autoridades responsáveis pelos recursos hídricos.
Espera-se que o nível da água continue subindo nos próximos três dias, com pico previsto para próximo de 1º de setembro, segundo a emissora estatal CCTV.
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O lago se formou depois que uma massa de lama e detritos atingiu, na quarta-feira, o centro fronteiriço de Gyirong, no Tibete, deixando centenas de desaparecidos.
"O volume de água que entra no lago pode alcançar cerca de 3 milhões de metros cúbicos nos próximos três dias devido às chuvas contínuas, o que aumenta o risco de uma ruptura que poderia fazer as águas seguirem rio abaixo e causar danos adicionais", informou a agência estatal de notícias Xinhua nesta quinta-feira.
Há previsão de chuva para a região nos próximos três dias.
Inundações deixam mortos e centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e a China
A CCTV indicou que, até a manhã desta sexta-feira, 499 moradores locais e 555 turistas haviam sido retirados da área afetada pelo desastre.
A emissora não especificou as nacionalidades dos turistas.
Buscas
Cerca de 1,5 mil pessoas seguem desaparecidas após as inundações, entre elas centenas de peregrinos que viajavam para o Monte Kailash, uma das montanhas mais sagradas para hindus, budistas, jainistas e seguidores da tradição tibetana Bon.
Para chegar ao destino, milhares de devotos enfrentam todos os anos uma jornada de cerca de 52 quilômetros, que inclui uma passagem a 5.630 metros de altitude e trechos em que a quantidade de oxigênio disponível é aproximadamente metade daquela encontrada em condições normais.
A peregrinação ao Kailash Manasarovar é uma das mais importantes para diferentes tradições religiosas do sul da Ásia e do Tibete.
O monte nevado, localizado no sudoeste do Tibete, próximo às fronteiras com Nepal e Índia, se eleva a mais de 6.400 metros acima do nível do mar e fica perto do lago Manasarovar.
Para os peregrinos, porém, o objetivo não é chegar ao topo da montanha: tradicionalmente, eles percorrem a pé um circuito ao redor de sua base, em uma jornada conhecida como parikrama.
Segundo a tradição, completar uma volta ao redor do Kailash equivale a 12 anos de penitência.
Acredita-se que o percurso purifique os peregrinos de seus pecados.
Hindus e budistas fazem tradicionalmente o circuiro no sentido horário, enquanto os seguidores do Bon percorrem a montanha no sentido anti-horário.
No lago Manasarovar, alguns hindus também se banham nas águas como parte de um ritual de purificação espiritual.
Muitos devotos, porém, não chegam ao fim da jornada.
Alguns voltam no meio do caminho, derrotados pela altitude.
Outros são barrados por uma enxurrada de documentos para conseguir uma das várias autorizações exigidas pelas autoridades chinesas para entrar no Tibete.
Desta vez, porém, o obstáculo para os peregrinos que faziam o percurso foi outro: uma torrente de água barrenta devastou a região.
Como resume o jornal Indian Express, a peregrinação Kailash Manasarovar talvez seja uma das poucas no mundo em que geografia, política e fisiologia influenciam a possibilidade de chegar ao fim.
E, depois disso, Deus decide.
China alerta para 'alto risco' de colapso de lago formado após deslizamento no Tibete
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