Um foguete da SpaceX, o Falcon 9, teria atingido a Lua nesta quarta-feira (5), em uma forte explosão, com uma uma velocidade de impacto de 8.700 km/h, o que representa sete vezes a velocidade do som.
Isso seria como a detonação de três toneladas de TNT.
O caso é mais um de uma situação que vem se tornando comum e gera temor sobre a exploração especial que vem aumentando nos últimos anos.
Desde 2019, esse é o quinto caso, sendo que, anteriormente, apenas episódios esporádicos tinham ocorrido.
O primeiro objeto feito pelo homem a atingir a Lua foi uma colisão intencional lançada pela União Soviética em 1959.
Algumas partes de espaçonaves construídas pelos EUA atingiram a Lua durante as missões Apollo, de 1969 a 1972.
Uma sonda robótica japonesa atingiu a Lua em 1993 e um satélite da Agência Espacial Europeia colidiu com a superfície lunar em 2006.
Depois, em 2009, a NASA voltou a lançar de forma proposital um estágio de foguete contra a Lua para estudar a pluma de material lunar expelida pelo impacto.
A situação mudou a partir de 2019, com os seguintes casos:
2019: A missão Chandrayaan-2 da Índia, com seu módulo de pouso, caiu em 2019, embora o orbitador acoplado permaneça intacto.
2019: O módulo de pouso israelense Beresheet caiu, provavelmente deixando para trás minúsculos tardígrados, animais microscópicos conhecidos por sobreviverem à radiação e a outros ambientes hostis, que podem ainda estar na superfície.
2022: Um estágio de foguete chinês caiu na Lua após concluir uma missão de teste lunar, sendo considerado o primeiro estágio de foguete descartado a cair na Lua.
2023: A missão Luna-25, movida a energia nuclear pela Rússia, perdeu o controle e colidiu com a Lua.
Sua pequena fonte de energia, plutônio-238, provavelmente permanece inofensiva na superfície lunar.
O temor para o futuro é porque, em meio a considerada segunda era espacial, há uma expectativa em breve também de astronautas ficarem na Lua durante algum tempo daqui há alguns anos.
Com isso, foguetes descontrolados poderiam atingir bases lunares tripulares ou equipamentos sensíveis, como cápsulas e equipamentos deixados no astro.
Entenda a nova colisão
Falcon 9 antes do lançamento.
Divulgação/SpaceX
O caso deve gerar uma cratera de cinco metros de profundidades, esperam os cientistas.
Além disso, será levantada uma nuvem de detritos de 20 quilômetros de altura.
A parte superior do foguete, que lançou dois módulos de pouso lunar ao espaço em janeiro de 2025, se desprendeu enquanto as duas espaçonaves seguiam seu caminho.
A missão foi parcialmente bem-sucedida, já que o módulo Blue Ghost-1 da Firefly pousou com sucesso, mas o módulo Hakuto-R da iSpace, do Japão, caiu na superfície lunar.
Mas o foguete, que tem cerca de 14 metros de comprimento e 3,6 metros de largura, permaneceu em órbita desde então.
Ele deve se chocar com a superfície lunar a uma velocidade de 8.700 km/h.
A diretora de Ciência da NASA e dos Programas Dragon da SpaceX, Julianna Scheiman, afirmou em uma coletiva de imprensa na segunda-feira que a empresa seguiu 'as regras e regulamentos apropriados' para o descarte adequado do segundo estágio do Falcon 9 após o lançamento em 15 de janeiro de 2025, mas 'o que aconteceu foi essencialmente uma combinação de atividade solar e forças gravitacionais que o colocaram em uma trajetória em direção à Lua'.
O impacto, entretanto, será muito rápido e impossível de ser visto a olho nu.
Mesmo quem estiver com telescópios muito grandes podem não ver nada, de acordo com um estudo sobre a colisão.
As fotos de antes e depois serão tiradas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, um pequeno satélite que orbita a Lua, mas provavelmente levará uma ou duas semanas para que sejam vistas, confirmou a NASA.
Segundo o estudo, será difícil ou impossível detectar o clarão do impacto, pois ele ocorrerá no lado iluminado da Lua.
Até o momento, nenhum clarão de impacto, natural ou artificial, jamais foi observado no lado iluminado da Lua, afirmam os pesquisadores.
A Lua é atingida regularmente por objetos, mas geralmente são fenômenos naturais, como meteoroides.
O número de impactos artificiais é relativamente pequeno.
O objeto é significativamente mais massivo do que a maioria dos impactores lunares naturais, mas também se move muito mais lentamente, segundo o estudo.
Mesmo assim, o impacto será equivalente a 2,8 toneladas de TNT, de acordo com o estudo, e deixará uma cratera de 20 a 30 metros de diâmetro e cerca de 5 metros de profundidade.
Momento do lançamento da Falcon 9 com veículo espacial.
Divulgação/SpaceX
