A convenção do União Brasil no Rio foi realizada nesta sexta-feira sem confirmar a candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella ao Senado, tampouco o apoio do partido a Douglas Ruas (PL) na eleição de governador.
Dentro da federação que integra com o PP, o União é o lado mais favorável à composição, mas o cenário ainda é de impasse.
A possibilidade de adotar neutralidade na disputa estadual segue forte.
“Hoje foi a nossa Convenção Partidária com candidatos a Deputados Federais e Estaduais no Rio de Janeiro.
A decisão sobre o Senado Federal e o Governo do Estado será resolvida no próximo dia 4”, anunciou o partido.
Na última semana, o PL sinalizou que toparia abraçar a candidatura de Canella, investigado pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustível.
Ele chegou a ser preso em flagrante porque havia um fuzil em seu carro durante a operação, mas o ministro Alexandre de Moraes revogou as medidas, incluindo o uso de tornozeleira.
O partido de Douglas Ruas tenta manter a federação na chapa a fim de contar com a estrutura que as siglas lhe dariam, sobretudo o tempo de propaganda no horário eleitoral.
Sem elas, o candidato do PL contará com menos da metade dos minutos a que Eduardo Paes (PSD) vai ter direito na TV e no rádio.
A crise na coligação começou há duas semanas, quando o então vice da chapa, Rogério Lisboa (PP), anunciou a saída da aliança.
O movimento resultou de conversas de bastidores que já vinham sinalizando uma preferência do PP por Eduardo Paes.
Assim, a neutralidade passou a ser costurada.
Para tentar manter a federação, o PL topa a candidatura de Canella e a escolha de outro vice pelos partidos.
As conversas, no entanto, são complexas, apesar de quem ter a palavra final no diretório fluminense do conglomerado partidário ser o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
As negociações envolvem a conjuntura nacional e encontram, no Rio, a resistência do líder do PP na Câmara e chefe estadual da legenda, Dr.
Luizinho — um dos que se opuseram, inclusive, ao apoio do partido a Flávio Bolsonaro (PL) na presidencial.
Paes, enquanto isso, ainda corteja o PP, mesmo sabendo que a neutralidade já seria uma vitória.
Algumas das ofertas de espaço incluem a suplência de Pedro Paulo (PSD) na eleição para o Senado e o futuro apoio a um candidato da federação na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, no ano que vem.
