Como a Natura transformou o uso sustentável dos produtos da região amazônica no seu principal pilar de inovação - QTU Questões do Universo

Como a Natura transformou o uso sustentável dos produtos da região amazônica no seu principal pilar de inovação

Fonte: Bandeira da fonte

Há 25 anos, quando a Natura iniciou os primeiros estudos para desenvolvimento de cosméticos à base de bioativos da sociobiodiversidade brasileira, o conhecimento do mercado era restrito.
De lá para cá, 52 bioinsumos passaram a fazer parte do portfólio Até 2030, serão 55, transformando o uso sustentável dos produtos da região amazônica no principal pilar de inovação e pesquisa da companhia.
Em 2025, 13,1% das matérias-primas usadas pela Natura eram originárias da Amazônia.
“A cadeia produtiva de biocomércio impacta diretamente 43 comunidades, que juntas somam mais de 11 mil famílias, e conserva 2,2 milhões de hectares de floresta”, afirma Manuel Krauss, diretor executivo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Natura.
“Os investimentos diretos nas comunidades de fornecedores em toda a região pan-amazônica somaram R$ 62,39 milhões, 29% mais que em 2024”.

A novidade fica por conta da Natura Ingredientes, startup de bioingredientes que conecta as cadeias sustentáveis e seus insumos rastreáveis ao mercado global.
A iniciativa pioneira, que iniciou operação piloto há seis meses, trabalha no modelo corporate venture building.
“Alocamos ativos já consolidados nos nossos produtos para usos diversos, garantindo segurança e escala não só para a indústria de cosméticos, mas também para a produção alimentícia”, afirma Krauss.
No portfólio, estão mais de 20 espécies, entre elas óleos e manteigas de performance superior, como andiroba, tucumã, castanha-do-pará e murumuru, além de ativos olfativos raros como priprioca e ishpink.
Entre as primeiras parcerias comerciais, figuram a indústria britânica de cosméticos Lush e a brasileira Mahta, da área de alimentos.

Com investimentos em inovação da ordem de R$ 1,4 bilhão em 2025 – o equivalente a 6,5% da receita e 40% mais que em 2024 –, fortalecendo capacidades em pesquisa e desenvolvimento, tecnologia, operações, logística e sustentabilidade, a Natura vê a inovação como estratégia do negócio e farol para o crescimento futuro.
“Em um mercado em constante mutação, as empresas precisam entregar produtos cada vez mais dinâmicos.
A inovação é o que garante a longevidade do negócio”, afirma o CEO João Paulo Ferreira.
“Inovar nos permite antecipar tendências, responder com agilidade às mudanças de comportamento dos clientes, fortalecer nossas marcas e abrir novas oportunidades de crescimento”.

João Paulo Ferreira, CEO da Natura: inovação é o que garante a longevidade do negócio
PAULO VITALE / DIVULGAÇÃO
A fim de se manter em constante evolução, a Natura conta com dois grandes centros de pesquisa – um em Benevides, no Pará, e outro em Cajamar, São Paulo –, onde abriga mais de 440 profissionais focados em pesquisa e desenvolvimento.
Entre 2022 e 2025, o investimento focado estritamente em P&D saltou de R$ 297 milhões para R$ 495,8 milhões.
Paralelamente, mantém mais de 45 parcerias com universidades e cientistas por meio do programa Natura Campus, criado em 2006.
Entre os principais parceiros estão o Science Valley Institute, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e, na área de agricultura sustentável, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Camta, para a evolução do Sistema Agroflorestal (SAF Dendê).

“Cada vez mais, praticar a inovação aberta se faz necessário”, afirma Krauss.
“De dezembro de 2024 até agora investimos em quatro startups, sempre com o propósito de buscar soluções com potencial de escala, capazes de gerar impacto socioambiental positivo e resolver as dores do consumidor.” Em julho de 2025, o Natura Ventures, fundo de corporate venture capital, incorporou ao portfólio a norte-americana Mango Materials, responsável por uma tecnologia de ponta que captura biometano gerado na decomposição de resíduos em estações de tratamento de água e o converte em biopolímeros renováveis e biodegradáveis, chamados PHAs (Poli-hidroácidos).

Em fevereiro deste ano, foi a vez da uruguaia Antarka, de biotecnologia, que pesquisa a região da Antártica com foco em soluções para longevidade da pele.
A startup tem um projeto que busca explorar o potencial cosmético das fotoliases antárticas, enzimas capazes de recuperar o DNA danificado pela radiação ultravioleta, responsável por 80% dos danos visíveis causados à pele humana.

“Queremos conectar nosso ecossistema a startups, marcas, produtos ou serviços digitais que entreguem soluções personalizadas baseadas em necessidades específicas dos consumidores”, diz Krauss.
“A edição 2026 do Programa Natura Innovation Challenge, plataforma de aceleração sem aporte financeiro, segue duas trilhas: cocriação de produtos e collabs de marca.” Segundo ele, quando a empresa investe em ciência, tecnologia, inteligência artificial e pesquisa, amplia sua capacidade de desenvolver soluções originais com mais eficiência.

Um bom exemplo dessa receita é a parceria firmada com a plataforma de IA da Debut, com o objetivo de desenvolver um complexo de longevidade cutânea.
“Combinamos três grandes pilares: a sabedoria da natureza, o conhecimento tradicional das comunidades e o que há de mais moderno em tecnologia e IA para impulsionar o futuro em inovação dos produtos Natura”, afirma Krauss.
A estimativa é que os primeiros lançamentos cheguem ao mercado em 2027.

Ainda dentro do pilar longevidade, a Natura desenvolveu, dentro do Centro de Inovação da Avon Brasil – marca controlada pela companhia na América Latina –, a primeira pele bioimpressa 3D capaz de reproduzir os efeitos da menopausa.
O modelo simula transformações como a perda de colágeno, a diminuição da densidade e o ressecamento intenso do tecido cutâneo.
A tecnologia, segundo Krauss, permite análises mais controladas e aprofundadas, o que deve acelerar o desenvolvimento de produtos mais eficazes.
“Ao usar células de mulheres brasileiras, garantimos maior representatividade para a nossa realidade”, diz o diretor de P&D.

De acordo com o executivo, diante da mudança de comportamento do consumidor, que está muito mais informado, preocupado com saúde e com o planeta, não dá mais para a indústria enxergar beleza, saúde, bem-estar e higiene como setores compartimentados.
“Há uma simbiose entre eles.
Hoje, as pessoas buscam produtos personalizados para suas necessidades e que sejam socioambientalmente responsáveis” afirma.
“E isso vale tanto para beleza quanto para higiene e cuidados pessoais.
Agora está tudo junto.”

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