Como a Sólides usa laboratórios de IA para criar produtos e espalhar a tecnologia pela empresa - QTU Questões do Universo

Como a Sólides usa laboratórios de IA para criar produtos e espalhar a tecnologia pela empresa

Fonte: Bandeira da fonte

Antes de a inteligência artificial generativa dominar as discussões das empresas, a Sólides já havia decidido, ainda em 2021, criar estruturas dedicadas a experimentar com a tecnologia.
Desde lá, a companhia de tecnologia para gestão de pessoas mantém dois laboratórios de IA: um dentro da própria empresa e outro em parceria com a PUC-SP.
A aposta ajudou a criar produtos, mas também começou a mudar a forma como as próprias equipes trabalham.
Hoje, segundo Mônica Hauck, cofundadora e CEO da Sólides, as iniciativas que envolvem inteligência artificial já não ficam restritas aos profissionais de tecnologia.
“O que antes saía só do time técnico agora pode sair de qualquer equipe, com a tecnologia apoiando”, afirma Hauck.
A estratégia faz parte de um movimento que a executiva descreve como um “forma de transbordar” dos laboratórios para o restante da companhia.
Os profissionais dedicados à área têm duas missões: desenvolver aplicações de IA para os clientes e identificar oportunidades de uso interno capazes de aumentar a performance das equipes.
A estrutura reúne profissionais em diferentes momentos da carreira, de pessoas que estão começando na área a pesquisadores com mestrado.
O objetivo, segundo Hauck, é combinar conhecimento acadêmico com problemas concretos do negócio.
“Esse nome, laboratório, é muito para a forma.
Porque, na verdade, o time está varrendo a companhia toda.
Nesse momento, a gente tem duas funções ali: entregar a melhor IA possível para o nosso cliente, mas também, internamente, observar todas as possibilidades de uso para a gente como time ganhar performance.”
Do laboratório para o WhatsApp
Um dos resultados dessa estratégia apareceu justamente em um desafio que vai além de desenvolver um software mais sofisticado: fazer a tecnologia chegar a pequenas e médias empresas que ainda têm baixa maturidade digital.
Segundo Hauck, cerca de 80% dos clientes chegam à Sólides usando Excel ou papel para parte de seus processos.
Esse cenário levou a companhia a buscar uma interface mais familiar para pequenos empreendedores.
Mônica Hauck, cofundadora e CEO da Sólides
Divulgação
A solução foi desenvolver um produto “AI first” que pode ser acessado pelo WhatsApp e também funciona em outros canais, como Telegram.
A lógica é permitir que o dono de uma pequena empresa, que muitas vezes não possui uma área de recursos humanos e dificilmente passaria parte do dia operando um software específico de RH, consiga acessar a tecnologia por uma ferramenta que já utiliza rotineiramente.
Segundo a CEO, a mudança ampliou significativamente o mercado que a empresa considera capaz de atender.
Antes da IA, a Sólides estimava seu mercado endereçável em cerca de 1,5 milhão de pequenas e médias empresas.
Agora, a estimativa chega a quase 7 milhões.
“O que mudou nessa história é que, com a IA, a gente conseguiu entregar uma tecnologia para um mercado não estava pronta para consumir software.”
Para Hauck, a experiência também mostra que desenvolver a tecnologia é apenas uma parte do trabalho.
Distribuição, usabilidade, segurança e educação dos clientes precisam entrar na equação.
IA deixa de ser assunto exclusivo da tecnologia
Internamente, os laboratórios também funcionam como espaços para testar aplicações antes de levá-las para outras áreas.
Hauck cita o próprio RH da Sólides como exemplo de uma equipe que experimenta ferramentas que ainda não necessariamente se transformaram em projetos oficiais.
Quando um teste começa a mostrar potencial, a ideia pode ser estruturada e levada para outras equipes.Esse modelo, segundo a executiva, está alterando inclusive a origem dos projetos de tecnologia dentro da companhia.

Em vez de esperar que uma iniciativa comece na área técnica, funcionários de outros departamentos conseguem identificar problemas e propor usos de IA, recorrendo à tecnologia como suporte.
A mudança vem acompanhada de uma nova preocupação: controlar o custo dos experimentos.
Hauck avalia que as empresas estão entrando em uma fase diferente da adoção de inteligência artificial.
Se, há um ou dois anos, fazia sentido testar ferramentas sem necessariamente exigir um retorno claro, a disponibilidade de dados sobre ganhos de performance passou a aumentar a cobrança sobre o retorno dos investimentos.
“Muitas pessoas querem gastar token porque, no primeiro momento, é euforia.
Aí você gasta uma fortuna com token, com uma coisa que você podia fazer até sem inteligência artificial”, afirma.
A orientação dentro da Sólides, diz, é evitar aplicar IA apenas porque a tecnologia está disponível.
“Não se apaixone pelo meio, se apaixone pelo resultado.
Nem tudo você vai resolver com inteligência artificial.
Algumas coisas você vai resolver com automação simples.
Outras, corrigindo o processo.”
“Líder de gente e de agente”
A disseminação da tecnologia também começa a mudar a visão da Sólides sobre gestão de pessoas.
Para Hauck, líderes precisarão administrar equipes formadas simultaneamente por profissionais, processos e sistemas de inteligência artificial.
“Eu provoco muito os meus líderes aqui: você precisa ser um líder de gente e de agente.
Quantos agentes você está liderando?”, afirma.
A executiva diz defender há cinco ou seis anos que gestores precisariam aprender a liderar tanto a “inteligência natural” quanto a artificial.
Com a popularização dos agentes de IA, a provocação, segundo ela, ganhou uma aplicação mais concreta.
“Você tem que entender que é um time só.
Esse momento de adaptação, de entender que o ambiente de trabalho agora é híbrido, é fundamental e deve ser liderado, na minha opinião, pelo time de gestão de pessoas.”
Para Hauck, uma das principais dificuldades será acompanhar a velocidade da transformação tecnológica.
Enquanto a tecnologia avança de maneira exponencial, argumenta, a capacidade humana de adaptação continua seguindo outro ritmo.
“A nossa elasticidade, a nossa capacidade de adaptação, vai ser levada ao limite cada vez mais.
E nós, como líderes, temos que ter essa consciência.
Precisamos ajudar as pessoas, ajudar os times e criar processos.”
A Sólides cresceu 60% em 2025, segundo Hauck, e a expectativa da companhia é manter um ritmo acelerado de expansão.
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Clayton Rodrigues
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