Comprar um eletrodoméstico ou eletrônico pensando apenas no preço pode ser um erro quando a intenção é economizar na conta de luz.
Um aparelho mais barato na loja pode apresentar um consumo de energia maior ao longo dos anos, enquanto um modelo inicialmente mais caro pode compensar o investimento com o tempo, caso tenha maior eficiência energética e seja utilizado com frequência.
Para orientar o leitor sobre como fazer essa avaliação, o TechTudo conversou com o engenheiro eletricista e consultor em eficiência energética Paulo Valdoci Pereira.
Segundo o especialista, além da eficiência energética, o perfil de uso, as tecnologias presentes no aparelho e a forma como ele é instalado podem impactar diretamente o consumo de energia elétrica.
Uma escolha mal planejada pode resultar em gastos maiores e outros problemas ao longo do uso.
Confira!
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A eficiência energética permite que aparelhos elétricos tenham o mesmo desempenho, mas consumindo menos energia
Reprodução/ChatGPT
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O que é eficiência energética e por que ela importa?
Eficiência energética pode ser entendida, de forma simples, como a capacidade de um equipamento realizar sua função utilizando a menor quantidade possível de energia.
Em outras palavras, o objetivo é obter o desempenho necessário com menos desperdício.
Entretanto, um aparelho eficiente não significa necessariamente que terá a menor potência entre todos os modelos disponíveis.
Potência e eficiência são conceitos diferentes.
A potência, medida em watts (W), indica a taxa com que o equipamento utiliza energia elétrica em determinado momento.
Já a eficiência considera quanto resultado o aparelho consegue entregar em relação à energia utilizada.
Por isso, um equipamento de maior potência não é automaticamente o que mais gasta energia.
Um aparelho mais potente pode realizar determinada tarefa em menos tempo, enquanto outro de potência inferior pode precisar permanecer ligado por mais tempo.
Para avaliar o impacto na conta de luz, é necessário considerar o consumo efetivo e o período de utilização.
Já o consumo de energia elétrica é medido em quilowatt-hora (kWh).
De maneira simplificada, quanto maior for a potência e quanto mais tempo o equipamento permanecer funcionando, maior tende a ser o consumo.
Entretanto, características de projeto e tecnologias de controle podem fazer com que dois aparelhos com capacidades semelhantes apresentem consumos diferentes.
“O consumo de energia depende da potência do equipamento e do tempo de uso.
Assim, um aparelho mais eficiente tende a consumir menos energia e reduzir a conta de luz, desde que seja utilizado pelo mesmo período e nas mesmas condições”, explica Paulo Valdoci Pereira.
O que significa a classificação energética dos eletrodomésticos? Entenda cada categoria
Reprodução/Refrimaq
Como identificar um aparelho eficiente
A forma mais fácil de identificar se um eletrodoméstico é realmente eficiente é observar a etiqueta de eficiência energética e verificar os dados específicos daquele modelo.
A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), disponibilizada pelo Inmetro, deve ser posicionada na parte externa, frontal ou lateral dos eletrodomésticos.
Ela deve estar em local visível e de fácil leitura para o consumidor no ponto de venda.
Nas compras pela internet, a etiqueta também deve aparecer junto às imagens principais do produto e em destaque na página de descrição técnica.
A etiqueta do Inmetro permite comparar características como marca, modelo, capacidade, potência, classificação energética e consumo, de acordo com a categoria do equipamento.
A classificação também merece atenção.
Em categorias abrangidas pelo Inmetro, a Classe A representa o nível de maior eficiência energética, reunindo os produtos mais eficientes dentro da respectiva categoria.
Já os produtos classificados como B ou C são menos eficientes e, em geral, apresentam maior consumo de energia.
Por isso, além do preço de compra, é importante considerar o consumo de energia ao comparar diferentes modelos.
Outras ferramentas que ajudam o consumidor a identificar os produtos mais eficientes são o Selo Procel de Economia de Energia e Selo HENSE de Eficiência Energética.
O segundo é uma certificação utilizada por fabricantes e importadores para indicar que um equipamento atende a critérios de eficiência energética definidos pela HENSE (High Energy Saving Evaluation).
Já o Procel é de utilização voluntária, concedido a equipamentos que estão entre os mais eficientes dentro dos produtos classificados na categoria A da ENCE, seguindo critérios técnicos estabelecidos pelo programa.
“Após identificar o eletrodoméstico mais adequado às suas necessidades, o consumidor deve consultar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), do Inmetro.
Na hora da compra, quando houver essa possibilidade, a recomendação é dar preferência aos equipamentos que reúnam pelo menos dois selos.
Além disso, a pesquisa e a comparação entre modelos podem contribuir para uma escolha mais eficiente e adequada às necessidades do consumidor”, orienta o especialista.
A etiqueta do Inmetro auxilia o consumidor a escolher os aparelhos que gastam menos energia
Divulgação
O perfil de uso faz diferença
Mesmo que dois aparelhos tenham excelente classificação energética, o impacto na conta de luz pode ser diferente conforme a forma e a frequência de utilização.
Uma televisão ligada algumas horas por dia, por exemplo, tende a ter um impacto diferente do de uma geladeira, que permanece conectada continuamente.
Já um ar-condicionado utilizado por várias horas diariamente pode representar um gasto relevante, mesmo quando o modelo apresenta boa eficiência energética.
Por isso, mais do que perguntar “qual aparelho consome menos?”, é importante considerar “quanto tempo vou usar esse aparelho?” e “quantas pessoas vão utilizá-lo?”.
“Antes de transformar a intenção de compra em uma aquisição de eletrodoméstico, é importante avaliar a real necessidade do equipamento: quantas pessoas ele irá atender, qual será a frequência de uso e onde será instalado.
Ter esses objetivos bem definidos ajuda a evitar compras por impulso.
No caso de uma máquina de lavar roupas, por exemplo, é importante considerar a quantidade de roupas que precisa ser lavada, em quilos, e a frequência de utilização.
Também deve-se avaliar a necessidade e o espaço disponível para uma secadora, seja um modelo conjugado ou um equipamento separado, sempre levando em conta a frequência de uso.
O mesmo raciocínio vale para outros eletrodomésticos, como as lava-louças: é preciso considerar a quantidade de pessoas atendidas, o volume de louças e a frequência de utilização”, explica Paulo Pereira.
O especialista completa que os hábitos de uso podem impactar ainda mais o consumo de aparelhos utilizados com frequência, como a geladeira, ou que demandam muita energia, como o ar-condicionado.
Instalação incorreta, abertura frequente das portas, dimensionamento inadequado e temperatura de conforto mal ajustada podem aumentar o desperdício de energia elétrica, mesmo em modelos mais eficientes.
Hábitos e frequência de uso afetam diretamente o consumo de energia elétrica
Foto: Reprodução/Freepik
Tecnologias que ajudam a economizar
A indústria tem desenvolvido diferentes recursos para melhorar o desempenho dos eletrodomésticos.
Entre essas soluções estão as tecnologias Inverter, os sensores, os modos econômicos, os temporizadores e os sistemas automáticos de controle.
A tecnologia Inverter, bastante conhecida em aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos com motores ou compressores, permite controlar a operação de maneira mais dinâmica, reduzindo a necessidade de constantes ciclos de liga e desliga em determinadas condições.
Na prática, isso pode contribuir para um funcionamento mais eficiente, principalmente em situações de uso prolongado.
“O ar-condicionado com tecnologia inverter, por exemplo, pode gastar até 60% menos energia que o modelo convencional”, ressalta o especialista em eficiência energética.
Os sensores também podem ajudar.
Em televisores, por exemplo, recursos automáticos podem ajustar determinadas configurações conforme as condições de uso.
Em outros equipamentos, sensores podem detectar temperatura, presença, carga ou condições de operação e ajustar o funcionamento de acordo com essas informações.
Temporizadores e recursos de programação também são úteis, pois impedem que o equipamento permaneça ligado além do necessário.
São recursos simples, mas podem fazer diferença, principalmente em aparelhos utilizados por períodos determinados.
Funções como “modo Eco” ou “modo Econômico” também podem reduzir o consumo em determinadas situações, normalmente alterando parâmetros de funcionamento para priorizar a economia.
O resultado, entretanto, pode variar de acordo com o aparelho e com o programa escolhido.
Portanto, a tecnologia deve ser considerada como parte da análise, e não como substituta da consulta à etiqueta energética.
Eletrodomésticos com tecnologia inverter, sensores e temporizadores contribuem para uma melhor uso da energia elétrica
Frigelar/Divulgação
110 V ou 220 V: faz diferença?
Essa é uma das dúvidas mais comuns na hora de comprar um equipamento elétrico.
Existe, porém, um mito importante a esclarecer: 220 V não significa automaticamente menor consumo de energia do que 127 V, popularmente chamado de 110 V.
Os padrões de 127 V e 220 V fazem parte da distribuição elétrica normal para consumidores residenciais.
Quando se compara o mesmo equipamento, com a mesma potência, a tensão não determina, por si só, o consumo de energia.
O que muda principalmente é a corrente elétrica necessária para alimentar o equipamento.
A diferença entre os padrões de tensão existentes no Brasil está relacionada às empresas que iniciaram a eletrificação do país ainda no século XIX.
Em locais onde o sistema de energia foi implantado por empresas americanas ou canadenses, como na região Sudeste, o padrão adotado foi o de 110 V.
Já em locais onde a instalação foi feita por empresas inglesas ou de outros países da Europa, como no Nordeste e no Sul, o padrão foi importado desses países e funciona em 220 V.
Entretanto, o consumo de um aparelho depende da potência e do tempo de funcionamento, e não simplesmente da tensão de alimentação.
De acordo com o especialista em eficiência energética, dois equipamentos de mesma potência podem consumir a mesma quantidade de energia, independentemente de funcionarem em 127 V ou 220 V.
Isso não significa que a escolha da voltagem seja irrelevante.
O aparelho precisa ser compatível com a instalação elétrica disponível no imóvel.
Ligar um equipamento incompatível com a tensão da rede pode causar mau funcionamento, danos ao produto e riscos à segurança.
Portanto, na hora da compra, a pergunta não deve ser "110 V ou 220 V para economizar?", mas sim: "qual tensão é compatível com a instalação onde o aparelho será utilizado?"
Voltagem não afeta diretamente o consumo de energia elétrica dos eletrodomésticos
Letícia Rosa/TechTudo
Preço de compra x economia no longo prazo
Outro erro comum é considerar apenas o preço encontrado na loja.
Imagine dois equipamentos semelhantes: um custa R$ 1.500 e outro, R$ 1.900.
À primeira vista, o primeiro parece ser a escolha mais econômica.
Entretanto, se o segundo apresentar consumo significativamente menor e for utilizado durante muitas horas por dia, a diferença inicial pode ser compensada em alguns meses.
Ou seja, uma economia no momento da compra pode resultar em uma conta de luz muito mais alta ao longo do período de uso do aparelho.
Por isso, uma comparação mais completa deve considerar pelo menos quatro fatores:
Preço de compra: quanto será necessário desembolsar inicialmente;
Consumo de energia: quanto o aparelho tende a consumir, de acordo com os dados de sua etiqueta e com o perfil de uso;
Frequência de utilização: quantas horas por dia ou dias por mês o equipamento será utilizado;
Manutenção e vida útil: custos relacionados a limpeza, peças, assistência técnica e eventual substituição.
Essa análise é especialmente importante para equipamentos que permanecem ligados durante muitas horas, como geladeiras e freezers, ou que apresentam grande consumo de energia, como aparelhos de ar-condicionado, air fryers e outros equipamentos de alta demanda energética.
Outro ponto importante é verificar a disponibilidade de uma rede de assistência técnica na região, além da reputação da marca e do modelo escolhido.
No caso de produtos importados, também pode ser interessante avaliar, sempre que possível, a contratação de uma garantia estendida, especialmente para reduzir possíveis transtornos em caso de defeitos.
“Normalmente, a substituição de equipamentos ineficientes por modelos mais eficientes é muito vantajosa, pois afeta diretamente os custos fixos mensais, com reflexo positivo no bolso.
Em caso de dúvidas, consulte um técnico especializado, pesquise e procure fazer a aquisição já com o dimensionamento e os modelos técnicos possíveis definidos.
Compras feitas por impulso, sem uma avaliação preliminar da necessidade e das condições e hábitos das pessoas que irão utilizar o eletrodoméstico, podem ocasionar uma troca sem efeitos financeiros significativos”, recomenda o engenheiro eletricista Paulo Valdoci Pereira.
Preço é apenas uma das variáveis do processo de escolha dos eletrodomésticos.
Consumo de energia também deve ser avaliado
Reprodução/Freepik
*Esse conteúdo faz parte do projeto Tecnologia que facilita, patrocinado por EOS.
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