Quando a Ferrari anunciou o Luce, seu primeiro carro 100% elétrico, as críticas vieram aos montes, dividindo investidores e admiradores da tradicional fabricante italiana, conhecida por seus esportivos com motores a combustão.
Houve quem criticasse a decisão de migrar para este mercado e quem falasse mal do design, assinado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, que trouxe um visual pouco convencional para o carro.
A repercussão negativa também foi sentida no mercado financeiro: as ações da empresa chegaram a cair mais de 8% no primeiro pregão após a apresentação do modelo.
Design de iPhone, engenharia da Nasa: Veja detalhes do primeiro carro 100% elétrico da história da Ferrari
Ferrari ou aspirador de pó? Carro elétrico de R$ 3,2 milhões recebe 'chuva' de críticas e é alvo de memes
Tudo indicava para um fracasso de vendas da marca, que tem um público cativo e chega a banir compradores que descaracterizam os carros.
Mas em dois meses, os pouco menos de 500 unidades do Luce foram vendidos, segundo o jornal Financial Times.
De acordo com a publicação, a demanda foi impulsionada principalmente pela forte demanda da China, que vem se destacando pela produção de carros elétricos e híbridos das suas próprias montadoras, fazendo com que o público interno já tenha rompido a resistência aos modelos elétricos (são 40 milhões veículos, sendo 37 milhões puramente elétricos).
Soma-se a isso, o fato de que para os chineses, já é mais fácil carregar as baterias, já que o país conta com 16,7 milhões de eletropostos.
Os pedidos das revendedoras do gigante oriental surpreendeu a matriz da Ferrari.
Além dos chineses, a fabricante italiana encontrou mercado em empresários do setor de tecnologia nos Estados Unidos.
Para Scott Sherwood, analista independente do mercado de carros de luxo, ouvido pelo Financial Times, a Ferrari demonstrou conhecer com precisão o perfil do cliente que pretende conquistar com seu primeiro veículo elétrico.
A meta teria sido alcançada no início de julho, cerca de dois meses após o lançamento do veículo, que custa a partir de 550 mil euros (cerca de R$ 3,2 milhões) e foi desenvolvido para atrair um novo perfil de clientes de alto poder aquisitivo.
Galerias Relacionadas
Mesmo diante da resistência dos apaixonados pelos motores a combustão, a Ferrari manteve sua estratégia de posicionar o Luce como uma vitrine tecnológica e uma porta de entrada para uma nova geração de consumidores, especialmente na China e em polos de inovação como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde os veículos elétricos já são amplamente aceitos.
Ainda de acordo com o Financial Times, foi a demanda do público chinês que impulsionou as vendas do modelo.
Segundo a publicação, a empresa orientou suas concessionárias a não pressionarem os clientes tradicionais e colecionadores da marca a migrarem para modelos elétricos.
A intenção é manter o Luce voltado a um público específico, sem comprometer a base de consumidores dos esportivos a combustão.
A Ferrari também estabeleceu uma meta de longo prazo de comercializar cerca de 2.500 unidades do Luce até 2030, o equivalente a aproximadamente 600 veículos por ano — cerca de 5% das vendas anuais da montadora.
O CEO Benedetto Vigna já afirmou que a entrada da empresa no segmento de elétricos não deverá comprometer sua elevada margem operacional, graças ao baixo volume de produção.
A expectativa agora é que a primeira unidade de produção do Luce seja leiloada durante a Monterey Car Week, na Califórnia, em agosto.
Segundo a casa de leilões Sotheby's, o exemplar especial poderá ser arrematado por mais de US$ 1,1 milhão, ou R$ 5 milhões.
