Como os números dos candidatos vão parar na urna? Entenda quem define e como funciona a escolha - QTU Questões do Universo

Como os números dos candidatos vão parar na urna? Entenda quem define e como funciona a escolha

Fonte: Bandeira da fonte

Em 2026, o eleitor brasileiro vai precisar digitar seis números diferentes na urna eletrônica — para presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
O que muita gente não sabe é que os números que aparecem na tela não estão ali por acaso: eles seguem regras eleitorais, são definidos dentro dos partidos e podem se tornar uma peça importante da estratégia de uma candidatura.
Transparência e legitimidade: Nunes Marques defende urnas a representantes de embaixadas e diz que Brasil é referência em transparência e legitimidade da eleição
Esquerda, direita ou centro? Teste indica sua posição política
Por isso, números como 13, 22 e 15 costumam ultrapassar a mera identificação partidária.
Para os candidatos e suas campanhas, fazer com que a sequência seja lembrada pode ser parte da estratégia eleitoral.
As regras de formação dos números
A numeração segue regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Presidente e governador concorrem com o número de identificação do partido.
Para senador, são acrescentados um algarismo; para deputado federal, dois; e para deputado estadual ou distrital, três.

A definição ocorre nas convenções partidárias.
Em regra, o número é determinado por sorteio, mas candidatos que disputam novamente o mesmo cargo pela mesma sigla têm preferência para manter a numeração utilizada na eleição anterior.
Para quem já tem um número associado ao próprio nome, a repetição pode ajudar a preservar uma identidade construída em pleitos anteriores.

Os números e a memória afetiva do eleitor
É nesse ponto que o número deixa de ser apenas uma exigência da urna e passa a ter importância na comunicação eleitoral.
— Tanto o nome do candidato, o número, as cores, o slogan, são importantes porque criam atalhos cognitivos que facilitam a identificação do eleitor — explica Luiz Ademir de Oliveira, cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

A relação ganhou força com a adoção das urnas eletrônicas.
Desde que o sistema começou a ser implantado, em 1996, o eleitor passou a ter de transformar a escolha em uma sequência numérica.
O uso das urnas eletrônicas chegou a 100% das seções eleitorais nas eleições municipais de 2000.
Para candidatos que disputam eleições proporcionais, como deputados federais e estaduais, o desafio se amplia.
Além de concorrer com um número maior de nomes, eles precisam fazer com que o eleitor associe uma sequência de quatro ou cinco algarismos à candidatura.
— Quanto mais fácil for para ele essa escolha, melhor — afirma Oliveira.
Segundo o cientista político, candidatos à reeleição podem partir de uma vantagem justamente por já terem um número conhecido pelo eleitor.
A repetição ajuda a transformar a sequência em uma referência associada ao nome do político.
A estratégia também aparece na comunicação das campanhas, que repetem os números em redes sociais, materiais de divulgação, jingles e peças de propaganda.
O objetivo é fazer com que, no momento da votação, a sequência seja recuperada com facilidade.
Para 2026, até o humor das redes sociais virou um recurso para disputar a memória do eleitor.
Candidatos que concorrem com o número 67 passaram a explorar a gíria 'six seven' e seu respectivo gesto com as mãos, muito popular entre os mais jovens.
A sequência, que na urna é apenas uma identificação de candidatura, ganhou assim uma associação que já circula fora do universo eleitoral.
O peso histórico na numeração dos partidos
Alguns números já chegam à disputa eleitoral carregados de associações políticas.
O 13, por exemplo, está ligado ao PT; o 22, ao PL.
Em casos assim, a identificação entre número, partido e campo político foi construída ao longo de sucessivas eleições.
— 13 versus 22.
Esses números estão bem gravados na memória do eleitor.
Então, são atalhos cognitivos mais fáceis de o eleitor se identificar — explica.
Eleições 2026: Eleições têm queda de quase 30% de candidatos; PL lidera registros e PT volta ao top 10
O cenário é diferente para partidos mais recentes ou candidatos que mudaram de legenda.
Quando o político troca de partido, pode também precisar apresentar ao eleitor uma nova combinação de algarismos.
Mesmo que o nome permaneça conhecido, a sequência que deverá ser digitada na urna muda.
Em 2026, o esforço de memorização ainda ganha uma dificuldade adicional: o eleitor terá de fazer seis escolhas diferentes.
De acordo com Oliveira, isso aumenta a importância de campanhas capazes de apresentar de maneira didática nomes, números e posições políticas.
A memorização, porém, não significa que o número estabeleça sozinho o voto.
Para o pesquisador e cientista político, a escolha continua sendo influenciada principalmente pela identificação do eleitor com o candidato e por suas preferências políticas e ideológicas.
O número, nesse processo, funciona como uma espécie de atalho: depois de escolher o candidato, o eleitor precisa lembrar como transformar aquela escolha em uma sequência de teclas na urna.
*aluno do curso Jornalismo do Futuro sob supervisão de Cibelle Brito.