Preparar as crianças e adolescentes para o segundo período escolar do ano vai demandar um esforço financeiro elevado das famílias neste fim de julho.
Nas principais lojas e redes varejistas da região metropolitana, artigos básicos sofreram reajustes acima da inflação, e suprimentos específicos chegam a comprometer uma fatia considerável da renda mensal, de acordo com nota técnica divulgada nesta sexta-feira (31) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA).
Os itens que mais estrangulam o orçamento doméstico atualmente são as mochilas e os cadernos.
Dependendo do local de venda, do fabricante e do personagem estampado, uma mochila pode custar de R$ 39,90 a mais de R$ 500, o que equivale a quase 50% do piso nacional vigente.
Já os chamados "cadernos inteligentes", que permitem personalização, variam entre R$ 120 e R$ 160, exigindo cerca de 10% de um salário mínimo para a aquisição de uma única unidade.
Outros modelos de 200 folhas chegam a custar mais de R$ 60.
O cenário de encarecimento foi mapeado pelo Dieese/PA entre os dias 27 e 30 de julho.
O levantamento avaliou cerca de 50 produtos e constatou que grande parte sofreu aumentos expressivos em relação ao mesmo período do ano passado, superando em mais que o dobro a inflação acumulada de 4,6%.
Variação de preços nas prateleiras e diminuição de estoques
A oferta de materiais nesta época do ano é tradicionalmente menor se comparada ao mês de janeiro.
Muitos comerciantes evitam renovar os estoques para a segunda metade do ano letivo, comercializando remanescentes que ainda assim chegam às prateleiras com valores reajustados e com grande disparidade entre os estabelecimentos, diz a entidade.
"Uma das principais estratégias do consumidor continua sendo a boa e velha pesquisa de preços, pois além de mais caros, um mesmo produto pode apresentar diferenças que chegam a mais de 20%", destaca Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA.
Além dos materiais de papelaria, o complemento do fardamento, como a compra de calças, bermudas, blusas ou calçados novos, também apresenta elevação.
As análises estatísticas indicam que esses itens de vestuário superam a inflação do período em mais de 5%.
Os campeões de aumento na Volta às Aulas
Gizão de cera Faber Castell (caixa com 12 unidades): de R$ 8,32 (jul/2025) para R$ 10,10 (jul/2026) – alta de 21,39%
Corretivo líquido Bic (18 ml): de R$ 7,35 (jul/2025) para R$ 8,45 (jul/2026) – alta de 14,97%
Borracha TK branca (pacote com duas unidades): de R$ 8,99 (jul/2025) para R$ 10,29 (jul/2026) – alta de 14,46%
Cola Polar (40g): de R$ 3,20 (jul/2025) para R$ 3,65 (jul/2026) – alta de 14,06%
Cartolina branca (folha/unidade): de R$ 2,03 (jul/2025) para R$ 2,30 (jul/2026) – alta de 13,30%
Fonte: Dieese/PA
