Em meio ao aumento dos registros de antissemitismo no Brasil e à concentração de ocorrências no ambiente digital, a Confederação Israelita do Brasil lançou, nesta quarta-feira (1), o projeto “Decodificando o Antissemitismo”, iniciativa voltada à identificação e ao enfrentamento de discursos de ódio contra judeus. 'Você tem que ser boazinha': 80 anos depois, a menina que sobreviveu ao Holocausto e teve a infância roubada conta sua história no Brasil Acervo: O decreto de Getúlio Vargas que entregou Olga Prestes para Adolf Hitler, há 90 anos Segundo o Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, da entidade, houve aumento de 149% nos registros em comparação com 2022, quando foram contabilizados 397 casos. O levantamento aponta ainda que 80,9% das ocorrências registradas ocorreram em plataformas digitais. O monitoramento identificou 115.970 menções classificadas como antissemitas, com alcance potencial estimado em 66 milhões de pessoas. Da Idade Média aos memes A primeira entrega do projeto é o livro “Decodificando o Antissemitismo: Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio”, assinado por Anelise Fróes, Matheus Alexandre e Bruno Cardoni Ruffier, com prefácio da historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro. A obra reúne pesquisa histórica, sociológica e iconográfica para mostrar como antigos estereótipos contra judeus se transformaram ao longo dos séculos e passaram a circular também em imagens, memes e teorias conspiratórias. “Decodificando o Antissemitismo” Divulgação — Não é possível fazer nenhum tipo de enfrentamento ao discurso de ódio se não sabemos reconhecê-lo — afirmou Anelise Fróes, uma das autoras do Atlas. — A internet não é terra de ninguém, e a liberdade de expressão não pode significar o cometimento de crimes de ódio. Além do livro, a iniciativa inclui uma plataforma digital com o conteúdo integral do Atlas, mais de 2 mil imagens, podcasts, videoaulas, relatórios, materiais educativos e um canal de denúncias. Segundo Rony Vainzof, diretor responsável pelo Projeto Nacional de Enfrentamento ao Antissemitismo da CONIB, parte do desafio está justamente em identificar manifestações que aparecem de forma codificada, inclusive em memes e símbolos que reproduzem antigos estereótipos. — A ideia é que as pessoas entendam o que é antissemitismo quando se depararem com ele e saibam como agir — disse Fróes. Apresentado em São Paulo, o “Decodificando o Antissemitismo” será uma frente permanente nas áreas de educação, formação e monitoramento, em um cenário no qual as redes sociais se tornaram o principal espaço de disseminação das manifestações registradas pela entidade.
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Confederação Israelita lança atlas e plataforma para identificar manifestações de antissemitismo no Brasil
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O Globo
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