Após duas altas consecutivas, o Índice de Confiança do setor de Serviços (ICS) caiu 3 pontos em julho, para 87,8 pontos, informou nesta quinta-feira (30) a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Foi a pior queda desde novembro de 2022 (-3,6 pontos), informou Stéfano Pacini, economista da fundação.
Incertezas na economia, influenciadas por turbulências externas, como o “tarifaço” do governo americano, levaram ao resultado, afirmou o técnico.
Para o especialista, como serviços representa quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o resultado indica provável desaceleração da economia no começo do segundo semestre.
O recuo de julho foi influenciado por respostas negativas, do empresariado, tanto em relação ao presente quanto ao futuro.
Nos dois componentes do ICS, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 3,1 pontos, para 89,5 pontos, e o Índice de Expectativas (IE) recuou 2,8 pontos, para 86,3 pontos, em julho ante junho.
Pacini ponderou que os resultados delineados pela sondagem em julho indicam desaceleração na atividade de serviços com sinais “de nível menor de demanda”, nas palavras do especialista.
Também evidenciam cautela maior frente a notícias desfavoráveis, que podem afetar ritmo de negócios do setor nos próximos meses acrescentou.
Em julho, o governo americano anunciou taxas de exportação de dois dígitos a produtos com destino ao solo americano, entre eles, os originados do Brasil.
Também, esse mês, houve embates diplomáticos, entre Brasil e Argentina, que podem causar possíveis efeitos negativos no comércio dos dois países.
“Turbulências externas, aumento de incerteza, por causa de relações comerciais do Brasil, muitas incertezas relacionadas a questões políticas [2026 é ano de eleições]: tudo isso mexe com o humor do empresário, com a expectativa, com a perspectiva do empresário”, detalhou.
“E, com isso, a demanda prevista também é um pouco mais arrefecida, disse.
Aspectos como o ainda elevado nível de endividamento das famílias, e taxa de juros muito alta no mercado (que ajuda a inibir consumo) também contribuíram para ampliar as incertezas do empresário, quanto a ritmo de negócios futuro, acrescentou.
Assim, para o especialista, o recuo no ICS, na prática, é “um sinal de que o setor está vendo uma desaceleração [da economia] pela frente”, afirmou.
“Não necessariamente vamos ter uma queda no PIB", frisou.
"Mas pode significar revisões nas previsões, desaceleração nas previsões”, disse.
No entendimento dele, as previsões de mercado para os resultados trimestrais da economia podem vir “mais conservadoras”, e influenciadas por desaceleração de alguns setores - dentre eles, do setor de serviços.
Stefano Pacini, economista da FGV
Leo Pinheiro/Valor
