Conheça o jovem com vitiligo que estreia como modelo e quer ampliar referências de beleza - QTU Questões do Universo

Conheça o jovem com vitiligo que estreia como modelo e quer ampliar referências de beleza

Fonte: Bandeira da fonte

Durante anos, Vitor Santos procurou referências de pessoas que tivessem marcas na pele como as dele.
Aos 11 anos, o jovem desenvolveu vitiligo em meio a um período de ansiedade e isolamento provocado pela pandemia e, por muito tempo, não encontrou na moda ou na mídia imagens que ajudassem a mudar a forma como enxergava sua própria aparência.
Agora, aos 18, ele começa uma nova fase profissional como modelo e quer usar esse espaço para mostrar que a diferença também pode ser uma forma de beleza.

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"Me sinto animado, espero inspirar e motivar pessoas como eu a não esconder a beleza do vitiligo", reflete.
Vitor Santos, novo nome da moda, fala sobre beleza, vitiligo e a busca por representatividade
Divulgação WAY Model
Natural de São Paulo, Vitor foi selecionado no projeto "Me Nota Way", iniciativa de descoberta de novos talentos da WAY Model, e assinou contrato com a agência, que representa nomes como Alessandra Ambrósio, Carol Trentini e Marlon Teixeira.
A estreia na moda chega depois de uma trajetória marcada por diferentes experiências profissionais e pela vontade de contribuir com a família.
"Aos 12 anos eu ajudava minha mãe no farol.
Minha mãe trabalhava durante o dia todo vendendo geladinho.
Eu vendia água nos carros.
Com 13 anos, eu vendia brigadeiros em estações de metrô.
Aos 17, trabalhei algum tempo vendendo doces na rua, para pagar minha formatura do curso de empreendedorismo, que fiz na igreja.
Meus últimos trabalhos foram de freelancer, em mudanças e em festas juninas onde eu cuidava dos brinquedos", relembra.
Vitor Santos, novo nome da moda, fala sobre beleza, vitiligo e a busca por representatividade
Divulgação WAY Model
Antes da moda, Vitor precisou construir uma nova relação com a própria imagem.
O vitiligo surgiu quando ele ainda era criança e, segundo conta, a falta de referências fez parte desse processo.
Com o apoio da mãe, da irmã e de amigos, passou a enxergar as manchas não como algo a ser escondido, mas como uma característica que também poderia ser mostrada.
"Falo sobre o vitiligo e sobre a insegurança de não ter tido referências, de como me sinto hoje sabendo que posso inspirar ou motivar outras pessoas.
Aos 11 anos, eu desenvolvi vitiligo, durante a época de pandemia, por conta de ansiedade e estresse, que não compartilhava com ninguém.
Desde que desenvolvi vitiligo, dificilmente eu via pessoas que eu poderia me inspirar, que apareciam a todo o público, sendo referência.
Mesmo assim, com o apoio de amigos e familiares como minha mãe e irmã, a partir de um certo momento da minha vida, eu comecei a ver beleza nas minhas manchas e quis mostrá-las mais", afirma.
A aproximação com a agência aconteceu pelas redes sociais.
Vitor acompanhava o trabalho de modelos e começou a imaginar a possibilidade de seguir esse caminho.
A decisão de se inscrever na seleção veio com o incentivo de pessoas próximas.
"Descobri o perfil da agência Way e fiquei admirado com as postagens de moda, a partir daí eu comecei a acompanhar posts dos modelos, por pura admiração da beleza que expressavam.
Passado um certo tempo, vi o post da seleção de novos modelos Me Nota Way, então pensei: 'será que eu poderia ser modelo?'.
Com o incentivo da minha família e amigos, tomei coragem e me inscrevi.
No grande dia da seleção, fui totalmente animado, mas também muito nervoso.
Nunca havia notado nenhuma referência ou modelo como eu, tinha uma certa insegurança, mas estava confiante graças ao apoio dos meus amigos e da minha família.
Quando cheguei na frente dos avaliadores, me senti notado como alguém especial, me fizeram perguntas, conversaram comigo, querendo me conhecer mais e me dando todo o apoio que eu não imaginava receber.
Senti que fui aceito naquela conversa, antes mesmo de qualquer e-mail ou confirmação por mensagem", relata.
Vitor Santos, novo nome da moda, fala sobre beleza, vitiligo e a busca por representatividade
Divulgação WAY Model
Fora das passarelas, Vitor mantém uma rotina marcada por interesses variados.
Ele já se dedicou ao desenho, à música e ao basquete, além de cursar Técnico em Nutrição e Dietética em uma ETEC de São Paulo.
A curiosidade pela música levou o jovem a aprender piano e violão, enquanto o interesse por comunicação fez com que estudasse Libras por conta própria.
A iniciativa surgiu da vontade de conversar com amigos surdos que conheceu durante a vida escolar.
"Já pratiquei canto e aprendi a tocar piano e violão, por admiração aos instrumentos.
Também sou quase fluente em Libras.
Comecei a estudar por conta própria, há 2 anos, com o propósito de conseguir me comunicar com meus amigos surdos da escola que eu estudava.
Admiro muito a língua por conta dos sinais", diz.
Com a entrada na moda, Vitor espera construir uma carreira que vá além das imagens produzidas para campanhas e editoriais.
Para ele, a possibilidade de representar outras pessoas é parte importante desse novo caminho.
"Minha inspiração para ser modelo é poder ajudar minha família, isso é o que mais me motiva a evoluir como modelo", finaliza.