Contra o Remo, Neymar ganhou a mão. E não soube sair da mesa - QTU Questões do Universo

Contra o Remo, Neymar ganhou a mão. E não soube sair da mesa

Fonte: Bandeira da fonte

No domingo, mostramos no GLOBO como o pôquer deixou de ser apenas uma diversão na vida de Neymar e passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante em sua rotina.
Não como um pecado, nem necessariamente como uma ameaça à carreira, mas como parte de uma vida em que o futebol já não parece organizar todo o restante.
Na segunda-feira, ele participou do leilão de seu instituto em São Paulo, e um dos itens vendidos envolvia justamente uma partida de pôquer com ele.
Outro oferecia uma experiência VIP num jogo do Santos em que Neymar, por definição, seria desfalque.
Na terça, um dia depois da delegação, chegou a Belém poucas horas antes de o Santos entrar em campo, começou no banco, e Cuca admitiu depois, ainda que de forma cuidadosa, que aquela não era a preparação ideal.
Não era.
E o fato de Neymar ter entrado no segundo tempo e dado a assistência para o gol da classificação não muda isso.
Apenas torna a discussão mais complexa.
Grandes jogadores são justamente aqueles capazes de produzir uma solução mesmo quando o caminho até o jogo foi imperfeito.
O Santos hoje aceita de Neymar uma rotina que provavelmente não aceitaria de nenhum outro atleta porque ainda espera dele uma resposta que nenhum outro jogador do elenco consegue oferecer.
Foi o que aconteceu contra o Remo.
Neymar não dominou a partida, não fez uma atuação exuberante nem transformou o Santos em um time muito melhor.
Foi decisivo, que é outra coisa.
Percebeu um erro, atacou o espaço e colocou a bola para Rony marcar.
Em uma jogada, resolveu aquilo que o Santos não conseguira resolver durante mais de uma hora, boa parte dela contra dez adversários.
A classificação, portanto, não prova que a preparação estava correta.
Prova que Neymar ainda é capaz de corrigir com talento individual aquilo que a rotina, o planejamento e o próprio time não conseguiram organizar.
O Santos aceita o jogador excepcional porque depende da exceção que ele ainda produz.
A noite poderia ter terminado ali, com a melhor resposta possível: a bola na rede, a vaga garantida e Neymar novamente importante.
Mas houve provocações, ofensas e uma reação absolutamente desproporcional do presidente do Remo, que diminuiu o próprio cargo ao chamá-lo de vagabundo.
Neymar não inventou a hostilidade daquela noite, mas escolheu prolongá-la.
Dançou, respondeu, apontou a eliminação e transformou a saída de campo em mais um capítulo sobre ele.
Foi vítima da provocação e agente da escalada.
Ganhou a discussão dentro do campo e decidiu continuar discutindo fora dele.
No pôquer, tão importante quanto saber entrar numa mão é perceber quando ela terminou.
Neymar entrou na hora certa, fez a jogada decisiva e ganhou o jogo.
Depois do apito, continuou apostando.
Saiu de Belém como tantas vezes nos últimos anos: fundamental e desnecessário na mesma noite.