O Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a ver a inflação na meta no chamado "horizonte relevante", que é o período em que a política de juros está tendo efeito e que agora está localizado no primeiro trimestre de 2028.
O comunicado da decisão em que o colegiado liderado por Gabriel Galípolo foi bem menos confuso que o anterior, quando a autoridade se atrapalhou para dizer que continuaria cortando a Selic mesmo com a alta das projeções de inflação que, naquele momento, olhavam para o fim de 2027.
Segundo o BC, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza o sistema de metas, estará em 3,2% no fim de março de 2028.
A distância é muito longa e até lá muito coisa pode acontecer, por isso, a projeção vale mais pelo seu efeito no processo decisório do BC do que pela sua capacidade de efetivamente antecipar o resultado.
Com o IPCA projetado ao redor da meta, mesmo com o mercado bem mais pessimista, o BC acaba sendo menos questionado sobre uma incongruência entre o que está vendo para frente e o que está decidindo, diferente do que ocorreu em junho.
Um detalhe importante é que o IPCA livres, que considera só os preços efetivamente definido pelas dinâmicas de mercado, tem uma projeção ainda mais baixa: 3,1%.
Embora algumas casas do mercado esperassem um anúncio de pausa, o BC seguiu o que a maioria vinha avaliando, inclusive o governo, e deixou a porta aberta tanto para manter o ritmo de cortes de 0,25 ponto por mais uma reunião como para interromper o processo.
Tudo vai depender da evolução do quadro econômico até o próximo encontro, previsto para os dias 15 e 16 de setembro.
Vale destacar que o BC vê mais riscos de alta do que de queda da inflação e reforçou sua preocupação com as expectativas do setor privado acima da meta, o que implica que não se pode dar de barato uma nova redução para setembro.
Porém, se estratégia de conta-gotas prosseguir, o time de Galípolo entregaria às vésperas das eleições uma taxa Selic a 13,75% ao ano, mesmo valor que o governo Jair Bolsonaro entregou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Não é o ideal, mas seria uma contenção de danos políticos pelo menos nesse flanco para o governo Lula.
