O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul confirmou que os exercícios militares conjuntos em andamento com as forças americanas seriam encerrados mais cedo, após o anúncio feito pelo presidente Donald Trump de que havia ordenado ao Pentágono que 'reduzisse substancialmente' os exercícios.
O exercício anual Ulchi Freedom Shield, uma iniciativa conjunta dos EUA e da Coreia do Sul, teve início na segunda-feira.
Nesta quarta-feira (19), o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul declarou, em comunicado, que, em resposta a uma proposta dos EUA, 'os aliados concordaram em ajustar partes do exercício, incluindo sua duração e escala'.
Os exercícios agora terminarão em 21 de agosto, seis dias antes do planejado inicialmente.
Os dois lados também concordaram em reduzir a escala de alguns exercícios conjuntos de treinamento em campo, cujos detalhes ainda estão em discussão, informou o governo sul-coreano.
'Daqui para frente, a Coreia do Sul e os Estados Unidos discutirão e implementarão diversas medidas para atingir os objetivos do exercício UFS e manter uma forte postura de defesa conjunta', acrescentou o comunicado.
Trump ordenou a redução dos exercícios militares conjuntos, citando seu relacionamento 'muito bom' com o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong Un.
Pyongyang protesta rotineiramente contra os exercícios conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul, alegando que a cooperação militar entre os dois países mina a estabilidade na península coreana.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Divulgação/Casa Branca
Esta semana, a Coreia do Norte descreveu o Escudo da Liberdade Ulchi como uma 'ameaça aberta' ao país.
No domingo, Trump criticou o exercício militar anual como 'inapropriado e hostil' em relação à Coreia do Norte, um país que, segundo ele, tem sido 'nofensivo e respeitoso' com os Estados Unidos durante sua presidência.
'Com base na minha excelente relação com Kim Jong Un, da Coreia do Norte, não estou satisfeito com o fato de os Estados Unidos terem concordado, há muito tempo, em participar de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul', escreveu Trump em sua plataforma de mídia social.
A Coreia do Sul é uma aliada de longa data dos EUA e abriga cerca de 28,5 mil soldados americanos.
A presença dos EUA na península tem sido tradicionalmente destinada a impedir a retomada das hostilidades transfronteiriças, visto que a Guerra da Coreia (1950-1953) nunca terminou oficialmente.
Em 2006, a Coreia do Norte testou sua primeira arma nuclear e, desde então, vem expandindo seu arsenal de armas atômicas juntamente com um programa de pesquisa de mísseis balísticos que produziu munições capazes de atingir o território continental dos EUA.
Nas últimas décadas, a presença dos EUA na Coreia do Sul também se tornou um importante ponto de alavancagem na disputa estratégica entre Washington e Pequim, sendo esta última há muito tempo a principal protetora de Pyongyang.
Líder norte-coreano, Kim Jong-un
AFP PHOTO/KCNA VIA KNS
