Apesar do desempenho em campo, o Corinthians Feminino, heptacampeão brasileiro e hexa da Libertadores, enfrenta uma crise financeira e institucional que ameaça sua soberania.
Os desafios surgem uma década após a reativação da modalidade em 2016, sete anos depois do encerramento das atividades em 2009.
Uma semana atrás, jogadoras estiveram no Parque São Jorge para reivindicar pagamentos atrasados.
Elas se reuniram com o presidente corintiano Osmar Stabile, que foi cobrado para participar mais ativamente da rotina do time feminino.
Na conversa, as atletas conseguiram um acordo para receber dois meses de direitos de imagem em aberto, referentes a junho e julho.
Parte do combinado, o valor de um mês, foi cumprido na última sexta-feira, 28.
A promessa é que o restante seja acertado ainda ao longo desta semana.
Dívidas, Premiações e o Acordo com a Caixa
A meia-atacante Vic Albuquerque afirmou que é difícil se concentrar 100% sob estresse financeiro.
Ela destacou a importância de tudo estar bem nos bastidores para que o desempenho em campo seja total.
Há, ainda, uma dívida referente às premiações pelo título da Libertadores de 2025 e pela disputa da final da Copa das Campeãs e da Supercopa Feminina de 2026.
A diretoria não estabeleceu um prazo para efetuar esses pagamentos.
Parte da dificuldade em manter esses compromissos, tanto com o time feminino quanto o masculino, se deve ao contrato firmado com a Caixa Econômica Federal em 2022.
O acordo, assinado pelo presidente Duilio Monteiro Alves, para renegociar a dívida da Neo Química Arena, permite ao banco reter 50% das premiações por conquistas esportivas do clube.
Instabilidade em Campo Apesar dos Títulos
O sucesso do Corinthians Feminino refletiu diretamente no ponto mais alto da modalidade.
Cris Gambaré, destacada como diretora no clube, hoje é coordenadora da seleção feminina, cujo técnico é Arthur Elias, vencedor de 14 títulos no comando da equipe alvinegra entre 2018 e 2023.
Os títulos continuam sendo conquistados, mas o clube viu alguns de seus principais rivais diminuir a distância em termos de competitividade.
Campeão de sete das últimas oito edições do Brasileiro, o time vive um momento de instabilidade após perder a liderança para o São Paulo, com a diferença atual de 41 pontos a 38.
No final do ano passado, a equipe perdeu por 4 a 0 para o Palmeiras no primeiro jogo da final do Paulistão.
Essa foi a pior derrota em um Dérbi desde a reativação do futebol feminino em 2016.
Após vitória por apenas 1 a 0 no jogo de volta, ficou com o vice-campeonato.
De qualquer forma, o time continua candidato aos principais títulos.
Patrocínios e Polêmicas Envolvendo o Clube
O sucesso em campo fez o Corinthians Feminino atrair patrocínios próprios, como a MOÃ, marca de água de coco, e a Vizzela, de cosméticos.
A Vizzela protagonizou uma ação de marketing que resultou em multa de R$ 10 mil ao clube.
A penalidade foi aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva após a zagueira Thaís Regina mostrar um hidratante labial para as câmeras durante um jogo contra o Santos, em 9 de agosto.
O desconforto da multa foi menor perto da repercussão do polêmico patrocínio da Fatal Fans.
A empresa de conteúdo adulto firmou um acordo que abrange as equipes masculina e feminina.
Poucos dias depois, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para apurar se o patrocínio viola direitos de crianças e adolescentes, já que é exibido nos uniformes em TV aberta e praças esportivas, sem restrições.
Ao anunciar a renovação de contrato da atacante colombiana Gisela Robledo, válido até 31 de agosto de 2027, o clube informou que haveria contribuição da Fatal Fans nos custos para a permanência da jogadora.
