Cortar o açúcar na infância protege o cérebro por décadas e reduz risco de demência, aponta novo estudo - QTU Questões do Universo

Cortar o açúcar na infância protege o cérebro por décadas e reduz risco de demência, aponta novo estudo

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Limitar o consumo de açúcar antes dos 2 anos de idade pode proteger o cérebro décadas depois e diminuir a chance de demência.
É o que mostra um estudo recente, que acompanhou cerca de 65 mil britânicos nascidos nas décadas de 1940 e 1950, durante o racionamento de açúcar da Segunda Guerra Mundial.
Os cientistas descobriram que o grupo exposto a essa restrição na primeira infância apresentou um risco um quinto menor de desenvolver a doença na idade adulta.
A diminuição no consumo de açúcar também retardou o início da doença em uma média de 2,6 anos para aqueles que eventualmente a desenvolveram.
O estudo constatou que os benefícios foram observados tanto em bebês que consumiram menos açúcar quanto naqueles que foram expostos a menos açúcar durante a gravidez.
Estudos anteriores realizados com o mesmo grupo já haviam constatado que eles tinham menor probabilidade de sofrer ataques cardíacos, insuficiência cardíaca e derrames se tivessem consumido pouco açúcar na primeira infância e se suas mães tivessem consumido pouco açúcar durante a gravidez.
“Nossos resultados sugerem que limitar o consumo de açúcar nos primeiros estágios da vida pode trazer benefícios duradouros para a saúde cerebral.
Esses resultados destacam a importância potencial da nutrição nos primeiros anos de vida para reduzir o risco de demência décadas depois”, afirmou Jiazhen Zheng, especialista da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong em Guangzhou, China, e coautor do estudo.
Os resultados, publicados na revista Neurology, mostraram que 388 das 15.025 pessoas expostas à restrição de açúcar ainda na gestação e durante o primeiro ano de vida desenvolveram demência.
No grupo de 15.256 indivíduos que passaram pela mesma restrição antes de nascer e até os 2 anos de vida, foram 456 diagnósticos.
E dos 23.774 nascidos após o fim do racionamento, 504 desenvolveram a doença.
Com os dados, os pesquisadores calcularam que pessoas que vivenciaram o racionamento de açúcar antes do nascimento e até 1 ano de idade apresentaram um risco 21% menor de desenvolver demência em comparação com pessoas nascidas após o racionamento de açúcar.
Se o consumo de açúcar fosse restringido até os 2 anos, a queda seria maior: de 23%.
A porcentagem final de redução de danos foi calculada após considerar fatores como sexo, nível socioeconômico, idade, hipertensão e diabetes.

"Limitar o consumo de açúcares adicionados durante a gravidez e a infância pode ser uma medida benéfica que famílias e comunidades podem adotar, mas são necessárias mais pesquisas para entender melhor como essas exposições precoces influenciam o risco de demência e para orientar as estratégias de saúde pública", disse Zheng.

Os cientistas ressaltaram que o estudo foi observacional, ou seja, não pode estabelecer ligações entre a dieta e o risco de demência nem comprovar que comer menos açúcar previne diretamente a doença.
São necessárias mais pesquisas para melhor compreender a possível relação entre o consumo de açúcar e o desenvolvimento de demência.
Ter uma alimentação saudável e equilibrada ainda é uma das melhores maneiras de cuidar da saúde do cérebro.