Paulo Squariz, da Suzano: “A companhia já opera com autossuficiência quase total em relação à energia elétrica em regime sem paradas”
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Energia solar e eólica, além de outras fontes renováveis como biomassa, vêm conquistando espaço importante na indústria na busca de alcançar metas ESG, descarbonização e redução de custos.
O hidrogênio verde, que ainda é produzido em escala experimental, deve também ganhar relevância na substituição dos fósseis carvão e gás em processos industriais de altas temperaturas, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A adesão da indústria a energias limpas saltou de 34% em 2023 para 48% no ano seguinte (último dado da CNI disponível).
“O uso de fontes renováveis vem crescendo e ganhando impulso com a aprovação do marco legal do hidrogênio, que pode desempenhar papel importante em setores onde a eletrificação direta é mais complexa”, afirma Davi Bomtempo, superintendente de meio ambiente e sustentabilidade da entidade.
Segundo ele, a transição energética tem avançado mais rápido em setores que conseguem incorporar fontes renováveis sem mudanças drásticas em seus processos produtivos.
“A autoprodução se tornou estratégia central nesse avanço, com destaque para o Nordeste, onde seis em cada dez indústrias já investem em energia renovável”, explica Bomtempo.
Já segmentos de uso intensivo de eletricidade (siderurgia, cimento, alumínio e química) enfrentam uma transição mais longa e desafiadora, por operarem com equipamentos de vida útil extensa, alta demanda térmica e tecnologias que ainda exigem maturidade e adaptação.
Para Bomtempo, como a modernização do maquinário exige volume elevado de capital e retornos de longo prazo, previsibilidade regulatória, incentivos tributários e linhas de financiamento são fundamentais para acelerar o ritmo de eletrificação ou a adesão a fontes como biometano.
Como parte do plano de fortalecimento da segurança energética e a consequente redução da pegada de carbono, a ArcelorMittal investiu no país, de 2023 a 2025, cerca de R$ 5,8 bilhões em complexos eólicos e solares que elevaram a capacidade de autogeração de energia renovável para 1 GW.
“Entendemos que a transição e a eletrificação industrial de baixo carbono não são mais apenas nichos de mercado, mas o padrão de exigência global definitivo”, diz Fábio Scardua, CFO, projetos de investimentos e estratégia da empresa.
A meta global da ArcelorMittal é zerar as emissões líquidas de carbono até 2050.
O plano inclui eficiência energética, reaproveitamento de gases de processo, uso de sucata, substituição de combustíveis e desenvolvimento de novas tecnologias.
Transição é maior nos setores que não precisam de alterações drásticas em seus processos produtivos
A indústria de papel e celulose também avança na descarbonização.
A unidade da Bracell em Lençóis Paulista (SP), com capacidade para produzir 3 milhões de toneladas/ano de celulose kraft, é única na América do Sul a operar totalmente livre de combustíveis fósseis.
A unidade, que entrou em operação em 2022, conta com um gaseificador de biomassa - segundo a empresa, o maior do mundo - que utiliza licor negro (combustível), subproduto da produção de celulose, para gerar energia limpa.
“No ano passado, essa planta, que absorveu US$ 3 bilhões em investimentos, produziu 340 megawatts de energia limpa, das quais 230 megawatts são absorvidos pela demanda interna e os restantes 110 megawatts são colocados no grid nacional”, explica Márcio Nappo, vice-presidente de sustentabilidade da Bracell.
O valor e o calor usados nos processos industriais são gerados a partir da queima da biomassa.
“Do ponto de vista industrial, estamos bastante avançados dentro da questão da descarbonização, ou da substituição de fontes fósseis por fontes renováveis”, diz.
A Suzano também é sustentada majoritariamente por fontes renováveis próprias, como a biomassa do eucalipto.
“A companhia já opera com autossuficiência quase total em relação à energia elétrica em regime sem paradas”, diz Paulo Squariz, diretor de negócios de energia.
Segundo ele, a Suzano alcançou 88% de conteúdo renovável, índice que chega a 91% quando analisado exclusivamente a matriz elétrica com base em geração própria.
A empresa tem 1,9 GW de potência instalada em cogeração (licor negro e biomassa florestal) distribuída entre suas unidades.
Excedentes são injetados no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Cresce adoção de fontes renováveis na indústria
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