Amanhã começa o Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo.
E não se pode falar de música sem falar da África, berço da humanidade e continente onde estão algumas das mais antigas raízes da expressão musical humana.
Foi lá que o homem descobriu que, através do grito, poderia afastar ou alertar sobre os perigos.
Depois, percebeu que podia imitar os sons dos pássaros e de outros animais.
E, aos poucos, descobriu o canto, que ecoava pelas florestas e aldeias.
Descobriu também que, colocando peles sobre troncos, poderia produzir sons que chegariam a grandes distâncias, servindo como comunicação.
Assim, a percussão foi ganhando espaço, e a música acompanhou a caminhada da humanidade.
Com a diáspora africana, esses conhecimentos atravessaram fronteiras e chegaram a outros continentes, encontrando novas culturas e dando origem a diferentes formas de fazer música.
O que nasceu como comunicação, expressão e manifestação coletiva foi se transformando ao longo dos séculos, dando origem a ritmos e gêneros que hoje fazem parte da cultura de diferentes povos.
A música é uma das expressões humanas capazes de atravessar fronteiras sem precisar de tradução.
Não pela língua, mas pelo sentimento e pela mensagem que o som transmite.
Ela reúne multidões, desperta emoções, conta histórias e preserva conhecimentos.
No culto aos Orixás, a música é o elo com os Orixás, pois cada toque, cada cantiga e cada ritmo possui um significado.
As palavras cantadas carregam histórias, ensinamentos e louvações.
É através delas que, muitas vezes, aprendemos quem é aquele Orixá, seus caminhos, suas características, sua história e sua relação com o mundo.
Enquanto os grandes festivais celebram a música como expressão artística e cultural, nós, povos de Terreiro, sabemos que ela também pode ser uma ponte entre o mundo visível e o sagrado.
Essa diversidade musical também estará presente na programação do Rock in Rio.
Atrações que ecoam ancestralidade
No domingo, 6 de setembro, às 17h50, no Palco Sunset, o BaianaSystem levará ao festival uma sonoridade que dialoga com o afrorock, o ijexá, o sound system e diferentes referências da música popular brasileira.
Na segunda-feira, 7 de setembro, às 20h10, no Palco Sunset, Péricles apresentará um tributo à Motown e à black music, passando por gêneros como soul e R&B, fundamentais para compreender a trajetória da música negra norte-americana e sua influência sobre diferentes gerações de artistas.
Ainda no dia 7, às 21h20, no Palco Mundo, Gilberto Gil estará no festival.
Sua trajetória reúne diferentes tradições musicais e uma forte presença da cultura afro-brasileira, incorporada à sua obra ao longo de décadas.
E, no sábado, 12 de setembro, às 17h50, no Palco Sunset, os Gilsons convidam Daniela Mercury e Olodum para um encontro que reúne importantes referências da música brasileira.
O Olodum leva consigo a força da percussão baiana e do samba-reggae, gênero que se tornou uma das marcas da música produzida na Bahia.
São artistas e propostas musicais diferentes, mas que ajudam a mostrar como a música é capaz de dialogar com culturas, épocas e territórios distintos.
No rock, no samba, no reggae, no soul, no ijexá e na música popular brasileira, esses elementos encontraram novas formas de expressão, sem deixar de lembrar a cultura musical africana que se espalhou pelo mundo.
Que o Rock in Rio celebre a música sempre com esse reconhecimento do legado ancestral.
Láàyè Orin! (Viva a música!)
Axé para todos!
Da batucada do samba ao Rock in Rio, a música atravessa o Atlântico
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