Da lanterna mágica às primeiras câmeras: novo museu em Niterói é dedicado à memória do audiovisual - QTU Questões do Universo

Da lanterna mágica às primeiras câmeras: novo museu em Niterói é dedicado à memória do audiovisual

Fonte: Bandeira da fonte

Um novo espaço dedicado à preservação e à difusão da memória audiovisual será aberto ao público na quarta-feira (26), no casarão do Instituto de Arte e Comunicação Social (Iacs), da Universidade Federal Fluminense (UFF), em São Domingos.
O Museu Audiovisual Universitário (MAU) terá visitação todas as quartas, das 10h às 17h, com entrada franca, e reunirá cerca de 50 peças que ajudam a contar a história do cinema e das tecnologias de produção e exibição de imagens e sons.
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Criado em 2024, o MAU integra o Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (Lupa-UFF), cujo acervo reúne mais de 500 itens, principalmente equipamentos audiovisuais históricos.
A coleção inclui câmeras, projetores, gravadores de som, placas de lanterna mágica e películas cinematográficas de diferentes formatos e épocas, abrangendo um período que vai do final do século XIX aos anos 1970.
A exposição de longa duração “A multiplicidade do cinema”, com curadoria do professor Rafael de Luna Freire, apresenta a diversidade do acervo, com destaque para a história do cinema amador fluminense e para os registros produzidos por pessoas comuns no estado do Rio de Janeiro.
— A exposição serve como um cartão de boas-vindas ao acervo do MAU, mostrando a sua variedade, mas com ênfase na história do cinema amador fluminense, por meio de câmeras, projetores e filmes familiares realizados por pessoas comuns bem antes do advento do celular — explica o curador.
Entre os destaques está uma câmera Debrie Parvo L que pertenceu a Carmen Santos, atriz, produtora e diretora que teve papel importante na história do cinema brasileiro.
O público também poderá conhecer um projetor nacional conjugado para películas de 35mm e 70mm que funcionou no Cine Pathé Palácio, na Cinelândia, no Rio.
A exposição inclui ainda placas de lanterna mágica do século XIX — tecnologia de projeção de imagens anterior ao próprio cinema.
A organização do espaço explica que a variedade das peças permite acompanhar as transformações dos equipamentos e também das formas de produzir, registrar e exibir imagens ao longo de diferentes períodos.
A relação entre audiovisual, memória e a história da cidade também está presente no museu.
O MAU presta homenagem à Cine Propaganda Fluminense, de Eduardo Abelin, empresa que, nas décadas de 1950 e 1960, realizava exibições de filmes em ruas e praças de Niterói.
A trajetória será apresentada por meio de um documentário inédito produzido a partir de documentos doados pela família Abelin ao Lupa-UFF.
O espaço também aposta em novas tecnologias para aproximar os visitantes de experiências cinematográficas do passado.
Uma das atrações é uma reconstrução digital imersiva do antigo Cine Metro, na Rua do Passeio, no Rio.
A experiência permite conhecer virtualmente aspectos da arquitetura e da atmosfera das grandes salas de cinema de outras épocas.
Site do Lupa-UFF
O MAU conta com apoio da prefeitura, por meio da Secretaria municipal das Culturas.
Para a secretária Julia Pacheco, a abertura do museu amplia as possibilidades de acesso da população à memória audiovisual e reforça a relação entre cultura, universidade e preservação.
— É muito importante para Niterói ganhar um novo espaço de memória, pesquisa e acesso à cultura.
O MAU reúne um acervo que ajuda a contar não apenas a história das tecnologias do cinema, mas também as relações que construímos com o audiovisual ao longo do tempo.
Apoiar a abertura desse espaço é também contribuir para que esse patrimônio esteja cada vez mais próximo da população e para valorizar a produção de conhecimento realizada pela universidade pública — diz.
Além da visita presencial, o público poderá consultar e pesquisar o acervo do MAU por meio da base de dados disponível no site do Lupa-UFF, que reúne informações sobre os objetos e equipamentos audiovisuais preservados pelo laboratório.
A disponibilização digital amplia o acesso à coleção e contribui para atividades de pesquisa, ensino e preservação da memória audiovisual.
O museu também oferece visitas para grupos mediante agendamento prévio pelo site do Lupa-UFF.
O espaço fica no Bloco C do casarão do Iacs, na Rua Lara Vilela 126.