Da TV à gráfica no RJ: Carlos Bolsonaro vê ataques por forasteirismo saltarem em meio à acirrada corrida ao Senado em SC - QTU Questões do Universo

Da TV à gráfica no RJ: Carlos Bolsonaro vê ataques por forasteirismo saltarem em meio à acirrada corrida ao Senado em SC

Fonte: Bandeira da fonte

Na largada da corrida pelos votos da direita em Santa Catarina, o ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL) viu aumentarem as críticas por uma suposta falta de vinculação ao estado, tema que já vem pautando a discussão política local desde que o nome dele foi confirmado para a disputa.
Incluído na chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL), ele tem a concorrência da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), que faz parte da mesma composição, e do senador Espiridião Amin (PP-SC), vinculado à candidatura ao Executivo do ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD).

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Visto como "forasteiro" por parte da classe política catarinense desde que foi indicado ao Senado a pedido do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no ano passado, Carlos passou a ser alvo de ofensiva mais intensa desde a semana passada, quando não mencionou Santa Catarina durante a primeira inserção na propaganda eleitoral gratuita na TV.
Na peça, o ex-vereador pediu voto ao irmão, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e relembrou detalhes da infância e da convivência com o pai, mas não citou nominalmente o estado.

— Na minha infância, no geral, a amizade vinha de forma muito espontânea.
Naquele tempo, a gente podia brincar muito na rua, jogar futebol no paralelepípedo.
O Flávio era bom de bola para caramba.
A relação dos três sempre se misturou muito e fomos muito unidos, mas a gente sempre estava desenvolvendo o senso do que era certo e errado, com a ajuda do meu pai — disse Carlos na propaganda.

Após a má repercussão, o ex-vereador apareceu nesta segunda-feira, durante o horário eleitoral, com uma bandeira do estado ao fundo de seu discurso, citando Santa Catarina nominalmente quatro vezes.
— Eu sei que tem gente que vai falar: "Mas o Carlos não nasceu em Santa Catarina." Eu respeito quem pensa assim.
Eu não nasci aqui, mas foi aqui que renasci.
Aqui eu encontrei a paz, a generosidade de um povo de bem que defende os mesmos valores que eu.
Por isso, no Senado jamais haverá uma causa de Santa Catarina que não seja minha ou do meu irmão Flávio — afirmou na nova gravação.

Também desde a semana passada, o ex-vereador foi questionado por adversários após recorrer a uma gráfica no Rio de Janeiro para a impressão de seu material de campanha.
Como mostrou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, os adesivos distribuídos em território catarinense foram produzidos pela empresa Exact Embalagens e Rótulos, sediada em Saquarema, na Região dos Lagos fluminense.
Uma das peças, que também exibe a imagem e o número da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), mostra o CNPJ da companhia e da campanha de Carlos.
Opositores também argumentam que, nas últimas semanas, ele cumpriu poucas agendas no estado, trocando-o por São Paulo e pelo Rio de Janeiro, onde publicou uma foto ao lado da mãe, Rogéria Bolsonaro, e escreveu na legenda que estava "no melhor lugar do mundo".
O ex-vereador também tem evitado participações em debates contra outros candidatos ao Senado.

Os episódios têm sido usados como munição contra Carlos por adversários como o vereador Afranio Boppré (Psol), que, em sua inserção na TV no primeiro dia do horário eleitoral, afirmou que os eleitos ao Senado por SC não poderiam fazer parte de "uma família do Rio de Janeiro que vive nas páginas dos jornais".
Nas redes sociais, os casos também têm sido explorados tanto por perfis de esquerda como da direita não bolsonarista.

Já Esperidião Amin, que em tese disputa votos com Carlos em grupos similares, vem apostando na vinculação direta ao estado.
Ex-prefeito de Florianópolis e ex-governador, o atual senador e candidato à reeleição se descreve, por exemplo, como "catarinense raiz", principal lema da campanha.
Carlos, por sua vez, argumenta que disputará a vaga no Congresso “pelo Brasil, pela liberdade e pelo futuro”.
Procurado pelo GLOBO sobre as críticas, o ex-vereador não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
O espaço segue em aberto.

Em uma disputa acirrada pelas duas vagas ao Senado, Carlos registrou 16% das intenções de voto na rodada da Quaest divulgada na semana passada, em empate técnico com Esperidião Amin, que aparece numericamente à frente, com 19%.
Já Carol de Toni, também tecnicamente igualada a Carlos, vem atrás com 13%.

Amin chegou a ser cotado para a composição de Jorginho Mello, mas foi escanteado pela deputada, que ameaçou deixar o PL caso não fosse escolhida.
Desde então, ele fechou uma aliança com João Rodrigues e foi incluído na chapa majoritária do ex-prefeito de Chapecó.