A responsável pela elaboração do programa econômico do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, evitou confirmar nesta segunda-feira (3) se será a candidata a vice na chapa do senador.
A economista e ex-presidente da Caixa sinalizou que a decisão cabe ao comando do Republicanos, partido ao qual é filiada.
Em entrevista, ela reiterou apoio à campanha de Flávio e defendeu um forte ajuste fiscal entre as principais medidas em um eventual governo.
"Eu também quero saber [sobre candidatura a vice].
Tem que convidar o presidente [do Republicanos] Marcos Pereira, o Flávio e o [senador e coordenador da campanha de Flávio] Rogério Marinho para o programa, não eu.
Mas, brincadeiras à parte, é uma honra ter meu nome lembrado, mas acho que essa eleição não é sobre a Daniella, não é sobre o Flávio, é sobre que país a gente quer para o futuro", disse a ex-presidente da Caixa em entrevista à GloboNews.
A vaga de vice na chapa de Flávio permanece indefinida diante da resistência de partidos do Centrão em formar alianças para a eleição presidencial.
Na semana passada, o candidato convidou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para compor a chapa, mas o PP reafirmou, em nota, que permanecerá neutro na disputa presidencial, o que inviabiliza a candidatura da senadora.
Segundo apurou o Valor, a candidatura de Marques também enfrenta obstáculos semelhantes, já que o Republicanos caminha para adotar a neutralidade na eleição.
O posicionamento oficial será definido na convenção nacional da legenda, marcada para esta terça-feira (4).
Diante desse cenário, há a possibilidade de uma chapa pura, com um nome do próprio PL para a vice-presidência.
Ajuste fiscal de 1,5% do PIB
Durante a entrevista, Marques voltou a defender que um eventual governo de Flávio promoveria um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O corte seria o equivalente a cerca de R$ 190 bilhões com base no resultado de 2025, segundo cálculo feito pelo portal g1.
A declaração foi feita ao listar as principais medidas econômicas que, segundo ela, seriam adotadas caso o senador fosse eleito presidente.
"Primeiro, ter um órgão de governança, porque hoje está tudo descontrolado.
O primeiro passo é um conselho superior de governança fiscal.
Dois, você tem que ter uma revisão do arcabouço [fiscal], criando um mecanismo que controle a trajetória da dívida/PIB, que a gente está indo para 100% do PIB.
Três, promover um corte de gasto da ordem de 1,5% do PIB.
Quatro, um choque de gestão e modernização da estrutura administrativa", afirmou.
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Ao ser questionada sobre como seria possível realizar um ajuste dessa magnitude, já que Flávio afirmou anteriormente que não pretende alterar a política de valorização do salário mínimo, nem modificar os pisos constitucionais de saúde e educação ou promover uma reforma da Previdência, Marques respondeu que a redução do déficit viria principalmente da reorganização e monetização de ativos da União.
"Hoje, os ativos da União, não só estatais, a gente vai propor uma reestruturação desses ativos, porque é um escárnio o que está acontecendo com o patrimônio público.
Só em dívida ativa corrigida a [Certificado de Depósito Interbancário] CDI, pela [Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional] PGFN, detida pelo governo federal, são mais de R$ 3 trilhões.
[...] A primeira vertical é a securitização da dívida.
Facilmente, você tem hoje entre R$ 200 bilhões e R$ 400 bilhões em ativos performados para fazer só no primeiro ano", afirmou.
A economista também defendeu a criação de um fundo imobiliário para monetizar "parte dos mais de 700 mil imóveis pertencentes à União", registrados com "valor contábil acima de R$ 1 trilhão".
"A União hoje tem mais de 700 mil imóveis registrados no balanço com valor contábil acima de R$ 1 trilhão e gasta líquido mais de R$ 1 bilhão de aluguel, se isso não é má gestão ou um escárnio, eu não sei o que é.
A gente vai fazer um fundo imobiliário para conseguir monetizar parte desses ativos", disse, acrescentando que a medida poderia gerar cerca de R$ 100 bilhões em receitas.
Outro eixo apresentado foi a revisão da gestão das empresas estatais, descartando a possibilidade de privatização total dessas organizações.
"O que precisa é revisar o processo de gestão e governança.
Houve um retrocesso muito grande neste governo em relação à Lei das Estatais, o que está permitindo o aparelhamento das estatais de novo", afirmou.
Segundo Daniella, as estatais dependentes consomem mais de R$ 5 bilhões anuais apenas com despesas de pessoal.
Por fim, a economista defendeu "um programa de antecipação de recebíveis", além do fortalecimento da segurança jurídica e da ampliação de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), medidas que, segundo ela, contribuiriam para elevar receitas e melhorar o equilíbrio das contas públicas.
Procurado pelo Valor sobre as declarações da ex-presidente da Caixa, o Ministério da Fazenda não retornou até a publicação da matéria.
