Dave Grohl explica como o Foo Fighters monta o repertório de um show de três horas, noite após noite - QTU Questões do Universo

Dave Grohl explica como o Foo Fighters monta o repertório de um show de três horas, noite após noite

Fonte: Bandeira da fonte

Tudo começa com um quadro branco.
É assim que o Foo Fighters inicia o processo de transformar seu vasto repertório em três horas de euforia e celebração do rock.

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“Por um lado, temos as músicas que todo mundo conhece e canta junto.
A essa altura, talvez umas 16 ou 17”, disse o vocalista Dave Grohl em uma chamada de vídeo durante a turnê, usando as mãos para simular o processo de montar o setlist do zero.
“Depois, colocamos algumas favoritas dos fãs que talvez o ouvinte casual já tenha ouvido.
E, então, entram aquelas faixas mais obscuras que só mais fanáticos do Foo Fighters vão adorar.”
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Em 13 de agosto, o Foo Fighters tocou para 50 mil pessoas no Lincoln Financial Field, na Filadélfia — e no dia 4 de setembro serão a atração principal do primeiro dia do Rock in Rio 2026.
Na Filadélfia, natureza abrangente do público da banda era evidente: grupos de adolescentes agitados passavam por pais da Geração X de óculos escuros esportivos, enquanto fãs tatuados faziam o tradicional churrasco pré-show e casais na casa dos 30 anos bebiam seus drinks.
Um homem sem camisa e de longa barba branca dançava animado usando um gorro de Papai Noel, enquanto uma jovem mãe balançava suavemente o bebê preso ao peito, com as orelhinhas protegidas por fones de ouvido.
Esse é o público das poucas bandas que alcançaram o estrelato nos anos 90 e permanecem na ativa por décadas.
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Assim, a noite não economizou nos hinos da era MTV, ao mesmo tempo em que prestou mais de uma homenagem ao baterista Taylor Hawkins, falecido em 2022.
Houve várias faixas do álbum mais recente (o intenso e barulhento "Your favorite toy") e até uma raridade da época em que Grohl tocava no Nirvana, a banda que conquistou o mundo e na qual ele entrou aos 21 anos (hoje ele tem 57) como baterista, permanecendo até a morte do vocalista Kurt Cobain, em 1994.

“Você precisa controlar o ritmo para não perder a atenção do público”, disse Grohl.
“Ao mesmo tempo, temos muitas músicas — estamos tentando condensar 31 anos em três horas.”
Saiba como foi essa última noite do Foo Fighters nos EUA, da abertura intensa ao final pirotécnico, com comentários feitos no dia seguinte por um Grohl falante — ainda que de voz rouca.
A primeira música é uma escolha óbvia: ‘All my life’
“Eu adoro começar o show com ‘All My Life’.
Fazemos isso há anos.
Lembro quando estávamos montando o repertório e pensei: ‘Por que desperdiçar esse momento?’.
Sabemos o que acontece quando eu começo a tocar.
É como em "Tubarão" — o monstro está chegando.
Então pensei: vamos soltar essa bomba logo de cara.
Não sei se temos outra música que crie esse momento.
E é uma sensação incrível.
É como uma corrida de três horas, tem que ser: ‘Pronto? Vamos’.
E é difícil se preparar de verdade para isso.
A única maneira de acender esse pavio é com essa música.”
Criando uma conexão: ‘The pretender’
“Sempre que me sinto sozinho no palco, basta cruzar o olhar com alguém da plateia e perceber que aquela é uma experiência compartilhada.
De vez em quando, aparece um Papai Noel pelado ou alguém com uma fantasia ridícula, e isso é ótimo.
Corro de um lado para o outro no palco todas as noites.
Você deveria ver minha contagem de passos no anel Oura.
Ontem à noite, a medição marcou 26 mil passos.
Corro muito e, às vezes, percebo que estou de olhos fechados enquanto toco com mais intensidade.
Se fico de olhos fechados por mais de uma estrofe e um refrão, digo a mim mesmo: ‘Abra os olhos.
Olhe para as pessoas.
Esteja presente e viva o momento.
Cruze o olhar com alguém na primeira fila e saia desse transe’.
Não estou ali apenas por mim.
Isso pertence a todos.”
Participação do público: ‘My hero’
“Eu sigo a escola do Queen no Live Aid.
Naquela fase da carreira, eles já não eram a banda mais descolada ou a maior do mundo; havia outras na cola deles.
Mas as pessoas ainda falam sobre aquela apresentação.
Freddie Mercury foi o maior frontman de todos os tempos.
Ele sabia como conquistar o público.
E fazia isso unindo todo mundo refrão após refrão, um atrás do outro.
Então, essa é a minha principal ambição ou intenção quando tocamos em um estádio.
Ainda tocamos como se estivéssemos naquele clubezinho, mas quero ver 50 mil pessoas cantando ‘My hero’, quero ver 50 mil pessoas cantando ‘Best of you’.
E quero fazer isso desde o minuto em que subimos ao palco até a hora em que saímos dele.”
Homenagem ao Nirvana, com um antigo lado B: ‘Marigold’
“Muitas das nossas músicas acústicas podem soar meio melancólicas e sombrias.
E é aquela coisa: não quero perder o elemento Van Halen nessa conta.
Aí, ouvi nossa gravação ao vivo de ‘Marigold’ pela primeira vez em 20 anos.
Fazia muito tempo que eu não ouvia aquele registro.
Adoro o andamento e a energia da música.
Mas também adoro o fato de ela ter sido, de certa forma, a precursora desta banda — aquelas músicas que eu compunha e gravava no meu porão ou quando morava com o Kurt [Cobain] naquele apartamento pequeno em Olympia.
Para mim, ela representa o começo desta banda.”
Apresentando a banda, com um toque diferente: “One headlight”
“O show também precisa ter um pouco de leveza.
Então, pensei que seria divertido, quase como um jantar onde cada um traz um prato, se todos trouxessem algo de uma banda da qual fizeram parte anteriormente.
O Chris (Shiflett, guitarrista) já tocou em várias bandas e escolheu o No Use for a Name.
O Nate (Mendel, baixista), é claro, tem o Sunny Day Real Estate.
O caso mais inusitado é o do Rami (Jaffee, tecladista).
Aquela música do Wallflowers, ‘One Headlight’? Quer dizer, é ótima.
Mas eu sempre pensava: ‘Nossa, será que existe alguma conexão com o nosso público?’ Meu Deus.
A galera vai à loucura.
E para o Pat (Smear, guitarrista), obviamente, são os Germs.
“O Ilan (Rubin, novo baterista) não achava que tivesse algo que funcionaria.
Acho que ele é o melhor baterista de rock do mundo.
Acredito nisso de verdade.
Ele tem uma potência natural impressionante, além de um swing e uma sensibilidade incríveis.
Mas ele também é um guitarrista virtuoso.
Então eu disse: ‘Você deveria fazer um solo de guitarra, e eu assumo a bateria’.”
Um grito: ‘Monkey wrench’
“Eu não perco a voz.
Ela só fica mais com uma pegada Motörhead.
É engraçado: há muito tempo, fui ao otorrinolaringologista e ele passou uma câmera lá dentro.
Morria de medo dele dizer que havia apenas restos de queijo, ou cracas e coisas do tipo acumuladas desde os anos 90.
Mas, ele disse: ‘Nossa, está ótima’.
“Gosto de soar cru.
Adoro dar tudo de mim, a ponto de parecer que as veias do meu pescoço vão explodir, porque esses são os cantores que cresci idolatrando.
É a influência de todos os meus heróis do punk rock, de toda a fase hardcore, de todas as bandas de heavy metal dos anos 70 e 80.
Não sei o que faria se tivesse uma voz perfeita.
Não sei se gostaria tanto dela.
Há algo de catártico nesse grito primal, em estar lá soltando a voz com toda a força possível.”
Homenagem a Taylor Hawkins: ‘Aurora’
“Fizemos uma espécie de pacto de tocar ‘Aurora’ para o Taylor todas as noites.
E ‘Under You’ é sobre o Taylor, então ela também é para ele.
Às vezes, é difícil tocá-la sem desmoronar.
Mas ‘Aurora’ é uma daquelas músicas que a gente adorava tocar todas as noites.
E era um momento lindo para o Taylor brilhar.
Ele realmente gostava muito dessa música.
Na verdade, foi a primeira que compusemos todos juntos — eu, Taylor e Nate — na Virgínia, no meu porão.
Então, é uma música especial.”
Encerrando com chave de ouro: ‘Everlong’
“Nem sempre tem fogos de artifício.
Então, quando chegamos àquele último refrão e eles são disparados, fico tão surpreso quanto todo mundo.
Isso é bem legal.
‘Everlong’ é o nosso encerramento por excelência — não só porque as pessoas conhecem, mas porque a letra se encaixa perfeitamente no final de um grande show: ‘Se tudo pudesse parecer tão real para sempre / Se algo pudesse ser tão bom novamente’.
Então, é isso: ela simplesmente funciona.
Na verdade, uma vez, há muito tempo, perguntei ao Paul McCartney: ‘Como você escolhe qual música vai encerrar o show?’.
E ele respondeu: ‘Bom, temos uma música chamada ‘The end’’.
E eu pensei: ‘Ah, claro’.”
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