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De acenos ao bolsonarismo a 'herança maldita': entenda em seis pontos como foi a entrevista de Zema à TV Globo

Fonte: Bandeira da fonte

Na estreia da série de entrevistas do Jornal Nacional com os presidenciáveis, o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) buscou acenar ao eleitor de direita e escolheu o Judiciário como seu principal alvo, mas evitou ataques diretos a rivais na corrida ao Palácio do Planalto.
Ele também fez uma série de críticas ao governo federal e a antecessores no Executivo mineiro, os quais acusou de lhe deixarem uma espécie de "herança maldita".
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A entrevista desta segunda-feira foi encarada por Zema, que concorre pela primeira vez à Presidência após oito anos na gestão estadual, como janela para se apresentar ao eleitorado nacional após ter faltado no domingo ao primeiro debate de presidenciáveis, na TV Band.
Veja a seguir os principais pontos da entrevista:
1- Críticas ao STF
Sem citar nominalmente o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários que lideram as pesquisas, Zema mirou no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele chamou a Corte de “tribunal político” ao comentar o julgamento da trama golpista do 8 de Janeiro, e alegou haver “perseguição”.
No entanto, Zema não se comprometeu com uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Em diferentes momentos, Zema chamou o sistema judicial brasileiro de “caro” e “lerdo”, e disse discordar do enquadramento do 8 de Janeiro como tentativa de golpe de Estado pelo STF.
— Foi um movimento de vandalismo e depredação.
Eu darei anistia ou, pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político.
Que seja judicial.
O que vimos no Brasil foi perseguição — afirmou Zema.
2- Acenos e diferenças para Bolsonaro
Buscando o voto à direita, Zema procurou demarcar diferenças para Bolsonaro e defendeu a vacinação contra Covid-19, mas fazendo também acenos ao eleitor bolsonarista — ele afirmou, por exemplo, ser contrário à obrigatoriedade da vacinação para crianças.
— Eu tomei todas as vacinas da Covid, acredito na ciência, recomendo que tome.
Em Minas eu recomendei que as crianças tomassem, mas não posso permitir que alguém seja perseguido porque não tomou vacina.
O papel do governo é fazer campanha de conscientização, vacinar o maior número de pessoas possível — argumentou o candidato do Novo.
3- Casos de corrupção
Com discurso de “outsider”, Zema também buscou se contrapor a posturas que atribuiu à classe política e ao governo federal, especialmente em casos de corrupção.
Ao ser questionado sobre uma operação da Polícia Federal que apontou indícios de irregularidades na área ambiental durante seu governo, por exemplo, Zema disse defender que “nada seja encoberto, diferente do que acontece às vezes em Brasília”.

— Fica aqui o meu repúdio a esses bandidos que, além de estarem recebendo dinheiro, estavam destruindo o meio ambiente.
A Controladoria-Geral do Estado, subordinada a mim, já estava investigando.
Quero que tudo seja apurado e esses bandidos mofem na prisão.
Num estado com 300 mil funcionários, sempre está sujeito a surgir algumas frutas podres, mas não quero que nada seja encoberto, ninguém seja protegido, como às vezes acontece em Brasília — alegou.
Em outro momento no qual desviou o foco para o governo federal, quando comentava sobre a necessidade de ampliação da cobertura vacinal, Zema mudou o assunto para segurança pública e acusou o Planalto de não agir contra “bandidos que estão matando mais do que muita doença”.
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4- Contradição sobre Bukele
Ainda na seara da segurança pública, Zema disse ter visitado El Salvador para colher experiências, e elogiou o presidente salvadorenho Nayib Bukele pelo que chamou de “avanço extraordinário na redução de homicídios”.

No entanto, Zema disse “não concordar” com as medidas implementadas por Bukele, cuja gestão é acusada de prisões em massa, julgamentos coletivos e desaparecimento de suspeitos, e não especificou quais políticas salvadorenhas pretende aplicar em um eventual governo no Brasil.
5- Privatizações e leis trabalhistas
Em outro momento em que se esquivou de medidas específicas, Zema afirmou que “por ora” não pretende elevar a idade mínima de aposentadoria, mas afirmou que avaliará a medida levando em conta o aumento da expectativa de vida da população e a necessidade de equilibrar as contas públicas.
O presidenciável do Novo justificou que, em um eventual governo, é possível aumentar a arrecadação e cobrir o rombo da Previdência com uma “maior formalização” do emprego.
— Em primeiro lugar, quero aumentar a formalização do mercado de trabalho.
Quero simplificar leis trabalhistas e criar um regime de trabalho por hora.
(...) Venho do setor privado e vi como o Estado carece de boa gestão e pode melhorar sua eficiência — argumentou.
Zema também evitou se comprometer com a manutenção da atual política de ganho real do salário mínimo, mas afirmou que garantiria a “reposição inflacionária” caso eleito.
Ele defendeu ainda privatizações de empresas como a Caixa e o Banco do Brasil, e chamou as estatais de “empresas subavaliadas porque têm uma gestão ruim”.
6- Culpa de antecessores
Questionado em diferentes momentos sobre dados negativos de sua gestão em Minas, como o aumento da dívida pública e o avanço de estatísticas de feminicídio, Zema culpou antecessores do PT e do PSDB, alegando que recebeu “um estado arruinado”.

O salto da dívida estadual de Minas, que dobrou e chegou a R$ 180 bilhões sob sua gestão, também foi atribuído por Zema a supostos erros de antecessores.
O candidato do Novo argumentou ter ampliado a arrecadação e entregado o estado com superávit orçamentário.
— Essa dívida foi herdada dos anos 1990, e cresceu muito devido aos juros de agiota do governo federal.
Hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que quando eu assumi — alegou.
Confrontado ainda com o fato de ter autorizado um reajuste de 300% no salário de governador e de secretários durante sua gestão, Zema alegou que os vencimentos da gestão estadual estavam “defasados” por uma medida “populista” de antecessores.