Flávio Bolsonaro em Nova Iguaçu (RJ)
Pablo Jacob/ Divulgação
Vestindo um colete à prova de balas, o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) fez um ato nesta sexta-feira (21) em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, com discurso focado na segurança pública.
Ele afirmou que vai tratar facções criminosas como “terroristas”, prometeu aumentar penas para roubos de celular e fez ataques ao presidente Lula (PT).
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O palanque de Flávio no ato estava esvaziado politicamente após ele perder o apoio de partidos como PP e União Brasil.
Junto com o senador estava seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), o candidato ao governo do Rio Douglas Ruas (PL), e os candidatos ao Senado, Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL).
Também estavam presentes outros candidatos da nominata do PL, entre eles a mãe de Flávio e candidata a deputada federal, Rogéria Bolsonaro.
O presidenciável iniciou seu discurso reclamando justamente da falta de apoio político local.
“Nova Iguaçu já teve um prefeito mais perto da gente, né?”, disse.
O atual prefeito da cidade, Dudu Reina (PP), e o ex-prefeito Rogério Lisboa (PP) abandonaram o PL no Estado para apoiar a candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo.
Paes, por sua vez, fará campanha com Lula no Rio.
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro explorou o assunto da segurança pública, tema visto como um dos pontos fracos do PT.
Ele fez alusão ao enfrentamento de Lula na política externa, como no caso das tarifas impostas pelos Estados Unidos, e disse que o petista não teria a essa mesma disposição para combater a criminalidade dentro do Brasil.
“O atual presidente da República briga com quem está longe, com quem está a 10 mil quilômetros de distância, em outro continente.
Mas não briga contra ladrão de celular, ele não briga contra assaltantes, traficantes”, discursou para uma plateia formada por alguns apoiadores e, principalmente, por cabos eleitorais dos candidatos do PL.
“Com a gente aqui, integrante de Comando Vermelho, PCC e milícia vão ser tratados como terroristas.
Você que mora em uma área que é dominada por esses narcoterroristas, nunca mais vai precisar olhar na cara de um vagabundo como esse”, completou.
O candidato do PL dedicou também parte de seu discurso ao tema do roubo de celulares, medo enfrentado principalmente por populações dos grandes centros urbanos.
Ele prometeu endurecer penas e o cerco a este tipo de crime, e falou em "neutralizar" possíveis criminosos.
"A partir do ano que vem ou vocês serão presos ou vocês serão neutralizados pelas nossas polícias.
Eu não vou mais admitir passar a mão na cabeça de ladrão de celular.
Ladrão de celular vai ficar preso no mínimo oito anos e vai ter que trabalhar para pagar sua estadia, para dar valor, para saber como é difícil comprar um celular", disse Flávio.
No discurso que durou nove minutos ele fez ainda críticas à condução da economia pelo PT.
Segundo o candidato do PL, o motivo da inflação dos alimentos e do endividamento da população seria "culpa do Lula" e da alta taxa de juros do país.
Ele citou ainda o escândalo de corrupção do INSS e o associou ao PT.
"Você que tem mais de 60 anos merece cuidado, não merece ser roubado pelo governo como fez o Lula e a sua quadrilha", disparou.
Flávio afirmou que pretende manter e "melhorar" o Bolsa Família, programa criado pelo PT e que já foi duramente criticado pela família Bolsonaro no passado.
O senador fez ainda um aceno às mulheres, eleitorado mais refratário à sua candidatura e visto como estratégico para ele crescer nas intenções de voto.
"Eu vou tomar conta e proteger as mulheres brasileiras de covardes que espancam mulheres ou que assassinam mulheres.
Nós vamos garantir com tecnologia que a mulher não seja mais vítima desses marginais, porque se chegarem perto das mulheres, a polícia é acionada automaticamente", prometeu.
Já o candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas, falou por apenas dois minutos, e prometeu olhar para todos municípios do Estado, e "não só para a Zona Sul da capital", como teriam feito outros governos.
O ato de Flávio em Nova Iguaçu — que é o quarto maior colégio eleitoral do Rio de Janeiro — foi o primeiro desta campanha na Baixada Fluminense.
Ele tenta manter a influência na região que nas últimas eleições virou um reduto bolsonarista.
Porém, sem o apoio das prefeituras locais, terá um desafio maior para manter essa hegemonia.
