Apesar de as ocorrências com drones estarem mais frequentes nos últimos meses, os órgãos de segurança pública do estado investigam o uso desses equipamentos pelas organizações criminosas desde 2017, quando se descobriu a aquisição deles por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, do TCP.
Chefe do tráfico nas comunidades Cinco Bocas, Cidade Alta, Pica-Pau, Parada de Lucas e Vigário Geral — o Complexo de Israel —, Peixão usaria os drones para monitoramento de rivais, principalmente do CV na Penha, e de agentes públicos.
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De lá para cá, o uso desse tipo de aeronave se espalhou.
Em 2024, policiais federais prenderam, em flagrante, um homem em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ao receber, pelos Correios, um fuzil antidrones.
A informação foi passada aos agentes por funcionários da Receita Federal, que suspeitavam do pacote vindo da Ásia.
Naquele mesmo ano, a Polícia Civil investigou um homem que pilotava um drone responsável por lançar uma bomba caseira em uma comunidade de Cordovil, na Zona Norte.
No ano seguinte, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE) iniciou uma investigação contra um brasileiro ligado ao CV que se voluntariou para atuar na guerra entre Rússia e Ucrânia.
Ele teria ido ao Leste Europeu custeado pela facção para aprimorar táticas de guerrilha e ensiná-las posteriormente aos comparsas no Rio.
O mesmo aconteceu em relação a outro integrante do grupo: ao voltar da Ucrania, ele foi flagrado por uma aeronave da PM ministrando treinamento com um drone de cerca de três metros no Complexo do Alemão.
A data do monitoramento não foi divulgada pela corporação.
Drones de grande porte
E não para por aí.
Investigações da PF que levaram o ex-deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, à prisão por envolvimento com o CV, em 2025, revelaram que ele e um assessor intermediaram a compra ilegal de antidrones para a facção.
As conversas mostram que parte do valor de R$ 750 mil foi quitada com o pagamento de R$ 55 mil em notas de R$ 2.
Na época, TH Jóias ainda não ocupava uma cadeira na Alerj, mas já tinha sido eleito suplente de deputado.
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Já este ano, investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio identificaram que traficantes do Alemão, dominado pelo CV, adquiriram drones de grande porte usados originalmente em atividades agrícolas e transporte de carga.
Os equipamentos têm capacidade para carregar até 80 quilos —peso equivalente a cerca de 20 fuzis —, autonomia de até 12 quilômetros e custo superior a R$ 200 mil por unidade.
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