Aos 48 anos, Phellipe Marques vive uma fase profissional que, alguns anos atrás, parecia distante.
Nascido em Belém, no Pará, o ator se mudou para o Rio de Janeiro em 2019 para tentar construir uma carreira na atuação.
Até chegar aos sets, porém, o caminho passou por uma experiência pouco convencional para quem pretendia viver da arte: durante dois anos, ele trabalhou como motorista de aplicativo.
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A mudança para a capital fluminense também significou deixar para trás o emprego público e reorganizar a vida ao lado da mulher.
Sem garantias sobre o futuro profissional, Phellipe precisou conciliar a busca por trabalhos na área artística com uma atividade que garantisse renda.
O período ao volante acabou trazendo uma experiência que ele não esperava levar para a profissão.
Ao circular diariamente pela cidade, conheceu pessoas de diferentes origens e ouviu histórias que, segundo ele, ampliaram sua percepção sobre comportamentos e relações.
"Foram dois anos trabalhando como motorista de aplicativo e conhecendo o Rio como poucas pessoas conhecem.
Eu conheci gente de todos os lugares, ouvi histórias, observei comportamentos e aprendi muito sobre a cidade.
Hoje percebo que aquele período também foi uma escola para o ator que eu estava me tornando", afirma.
Aos poucos, os testes começaram a aparecer.
Em 2024, Phellipe participou de processos para produções como "Cidade de Deus", "Os Donos do Jogo" e "Man on Fire".
O último projeto tinha ainda um obstáculo adicional: ele estava com o inglês enferrujado e o passaporte vencido.
Mesmo assim, decidiu gravar o teste.
Em 27 de agosto daquele ano, recebeu a confirmação de que havia sido escolhido para integrar a produção.
"Quando minha agente me disse que eles queriam ver o meu teste mesmo com todas aquelas questões, alguma coisa mudou dentro de mim.
Eu gravei, entreguei e tentei não criar expectativas.
Quando recebi a mensagem dizendo 'aprovado para Man on Fire', chorei.
Foi a confirmação de que aquele sonho que eu carregava há tantos anos poderia, de fato, se tornar realidade", diz.
As filmagens aconteceram no México.
Na produção, Phellipe trabalhou sob direção de Clare Kilner, que também dirigiu episódios de "House of the Dragon", e dividiu cenas com Alice Braga.
A viagem aconteceu poucos meses depois de outro acontecimento importante em sua vida.
Em outubro de 2024, nasceu Adonis, seu filho.
Phellipe conseguiu acompanhar o nascimento antes de seguir para o México para as gravações.
Aos 48 anos, Phellipe Marques conta como saiu das ruas do Rio para os sets
Divulgação
A experiência também mudou a maneira como ele olha para os anos anteriores.
A passagem pelo serviço público e o período dirigindo pelas ruas do Rio, que poderiam parecer desvios em uma trajetória rumo à atuação, hoje são vistos como partes de um percurso menos linear.
"Eu saí de Belém, cheguei ao Rio, dormi no chão da sala, trabalhei como motorista de aplicativo e continuei acreditando que poderia construir uma carreira como ator.
Anos depois, estava no México, dentro de uma produção internacional.
Para mim, essa trajetória mostra que o caminho pode ser muito diferente do que imaginamos, mas o sonho não precisa ser abandonado", destaca.
A mudança não significa, para ele, apagar as experiências que vieram antes.
O trabalho como motorista, em particular, permanece como uma lembrança de um período em que a carreira artística ainda era uma possibilidade, e não uma realidade consolidada.
"O motorista de aplicativo não deixou de existir.
Ele faz parte da minha história.
Foi aquele homem que continuou acreditando mesmo quando ainda não tinha nenhuma garantia de que o sonho daria certo.
Hoje eu olho para trás com gratidão, porque cada etapa me trouxe até aqui.
O sonho continua sendo o meu ponto primordial", conclui.
De motorista de aplicativo a 'Man on Fire': como Phellipe Marques chegou a uma produção internacional
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