A Supercopa da UEFA, em Salzburgo, na próxima quarta-feira, marca simbolicamente o início da temporada do futebol europeu.
Apenas três semanas depois da final da Copa do Mundo e em meio a um verão do Hemisfério Norte que parece passar voando, o grande protagonista do mercado é Vinicius Junior.
Com apenas um ano restante de contrato com o Real Madrid e a seis meses de poder negociar livremente com qualquer clube, o brasileiro colocou o gigante espanhol em estado de alerta.
Diante do interesse do Arsenal, o Real apertou o botão de emergência e apresentou uma última oferta para tentar garantir a permanência do atacante de 26 anos.
Conseguiu.
Para desespero dos haters e invejosos, muitos deles dentro do próprio mundo do futebol, que insistem em minimizar a dimensão alcançada por esse garoto preto e pobre de São Gonçalo, Vinicius venceu essa disputa.
Conseguiu sair fortalecido de uma Copa desastrosa da seleção brasileira e consolidou sua posição como uma das maiores e mais influentes estrelas do esporte mundial.
Hoje, sua força transcende contratos, especulações e manchetes.
Como repórter, tive o privilégio de acompanhar muitos dos capítulos mais importantes dessa trajetória desde sua chegada à Espanha.
Da estreia pelo Castilla contra o Las Palmas ao primeiro dérbi diante do Atlético B, em Majadahonda.
Da fatídica partida contra o Chelsea, quando Zidane o escalou como lateral-direito, à lesão sofrida diante do Ajax.
Dos amistosos da seleção contra Colômbia e Peru, nos Estados Unidos, quando Tite demonstrou sensibilidade e humanidade ao tentar protegê-lo em um momento de fragilidade.
Da parceria entre a resiliência de Vinicius e a confiança de Ancelotti aos gols nas finais de Paris e Londres.
Dos episódios perturbadores de racismo em Valencia, Valladolid, Mallorca e Madri aos atritos com Xabi Alonso e às vaias, difíceis de imaginar hoje, da própria torcida no Bernabéu.
São quase dez anos acompanhando essa história.
O tempo passa rápido.
O que não muda é a impressão de que Vinicius sempre precisou provar algo a alguém.
Como se fosse constantemente obrigado a reafirmar o próprio talento, justificar o próprio sucesso e reivindicar seu lugar no mundo.
Ele está longe de ser perfeito.
Mas não precisa ser.
Para o Real Madrid, para o Arsenal ou para qualquer outro gigante europeu, o que importa é que seja diferente.
Decisivo.
E poucos jogadores no planeta podem dizer que são tão decisivos quanto Vinicius.
Daqueles capazes de obrigar um adversário a desenhar toda uma estratégia em função de um único atleta.
Porque uma arrancada, um drible ou um lampejo de genialidade bastam para mudar os rumos de uma eliminatória.
Nesta Copa, foi uma das raríssimas notícias positivas da seleção brasileira.
Pelo futebol que apresentou e pela postura que exibiu.
Mostrou liderança, foco e concentração.
Este time precisa ser construído ao redor dele pensando em 2030.
Da mesma forma, a proposta milionária apresentada pelo Real Madrid revela que o clube entende algo simples: não apenas não pode abrir mão de Vinicius, como tampouco pode correr o risco de enfrentá-lo em uma futura eliminatória europeia.
Cansei de repetir isso em debates de rádio e televisão na Espanha quando se discutia uma possível ida dele para a Arábia Saudita.
Era muito fácil despachá-lo para uma realidade distante ao tentar reduzir seu valor e seu impacto.
Outra coisa, completamente diferente, é encarar uma semifinal de Champions League sabendo que Vinicius Junior estará do outro lado, explorando cada metro de espaço deixado aberto na lateral direita.
A decisão foi exclusivamente dele.
E foi tomada com base em algo muito mais eloquente do que palavras ou debates vazios: estatísticas, títulos, atuações e uma montanha de dinheiro sobre a mesa.
Tudo isso serve apenas para confirmar aquilo que a carreira de Vinicius já demonstrou faz tempo.
Mas que muita gente no Brasil e na Espanha ainda insiste em não querer enxergar.
De São Gonçalo ao centro do futebol mundial: Vinicius Junior chega ao auge do próprio poder
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