'De volta à vida?' Projeto bilionário quer recriar ave extinta há mais de 300 anos; entenda

Fonte: Bandeira da fonte

A empresa americana de biotecnologia Colossal Biosciences anunciou novos avanços em seu projeto para recriar o dodô, ave extinta no século XVII, e afirmou ter superado um dos principais desafios técnicos para o desenvolvimento de embriões de aves geneticamente modificadas.
A iniciativa, que já captou mais de US$ 555 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) em investimentos e prevê um cronograma de cinco a sete anos para o nascimento do primeiro exemplar, combina edição genética, cultivo de células germinativas e técnicas inéditas de incubação artificial.
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O dodô (Raphus cucullatus) era uma ave não voadora endêmica das Ilhas Maurício, no Oceano Índico.
A espécie desapareceu poucas décadas após a chegada dos colonizadores europeus, vítima da caça, da destruição do habitat e da introdução de animais invasores, tornando-se um dos símbolos mundiais da extinção causada pela ação humana.
Ao contrário dos mamíferos, aves não podem ser clonadas por meio das técnicas tradicionais de transferência de embriões.
Por isso, os pesquisadores trabalham com células germinativas primordiais — precursoras dos óvulos e espermatozoides — retiradas do pombo-de-nicobar, considerado o parente vivo mais próximo do dodô.
Essas células são editadas geneticamente para incorporar características da ave extinta e, depois, inseridas em galinhas geneticamente modificadas, que funcionam como hospedeiras para produzir os gametas.
Em setembro do ano passado, a Colossal anunciou ter conseguido cultivar pela primeira vez, em laboratório, células germinativas de pombos por longos períodos, um marco considerado essencial para o projeto.
Na ocasião, a empresa também apresentou galinhas editadas para não produzirem suas próprias células reprodutivas, abrindo espaço para receber as células modificadas que darão origem aos futuros embriões.
Outro avanço foi divulgado em maio deste ano, quando a empresa informou ter desenvolvido um sistema de "ovo artificial" capaz de incubar aves fora da casca natural.
O equipamento permitiu o nascimento de 26 pintinhos saudáveis e foi apresentado como uma solução para espécies cujos ovos são grandes demais para serem incubados por aves hospedeiras.
A tecnologia poderá ser aplicada tanto ao dodô quanto ao moa-gigante, ave extinta da Nova Zelândia.
Apesar do entusiasmo da empresa, parte da comunidade científica recomenda cautela.
Pesquisadores independentes observam que os resultados ainda não foram integralmente publicados em revistas científicas revisadas por pares e destacam que um eventual animal obtido dificilmente seria uma cópia genética perfeita do dodô, mas sim uma ave moderna modificada para apresentar características semelhantes à espécie extinta.
Também há debates sobre os impactos ecológicos e éticos de uma eventual reintrodução desses animais na natureza.
A Colossal, por sua vez, argumenta que o objetivo do projeto vai além da chamada "desextinção".
Segundo a empresa, as ferramentas desenvolvidas para editar células germinativas, preservar material genético e incubar embriões poderão ser utilizadas para aumentar a diversidade genética e evitar o desaparecimento de espécies atualmente ameaçadas.
A companhia mantém projetos semelhantes envolvendo o mamute-lanoso, o tigre-da-Tasmânia e o moa-gigante, além de programas voltados à conservação de animais vivos.