Defesa de Roberta Luchsinger diz que PF fez ‘pesca probatória’ e pede trancamento de inquérito sobre Lulinha - QTU Questões do Universo

Defesa de Roberta Luchsinger diz que PF fez ‘pesca probatória’ e pede trancamento de inquérito sobre Lulinha

Fonte: Bandeira da fonte

A defesa da empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista, afirma que a Polícia Federal fez uma "pesca probatória" sem autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e pede que o inquérito envolvendo ela e o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, seja trancado.
Segundo a defesa, a PF teria utilizado a quebra de sigilo de Roberta na investigação sobre fraudes no INSS para buscar provas envolvendo a atuação dela no Ministério da Saúde.
Para a defesa, isso teria desrespeitado a determinação do ministro André Mendonça, que havia autorizado o acesso aos dados da nuvem de Roberta para apurar as suspeitas envolvendo fraudes no INSS.
O pedido foi apresentado na quinta-feira (20) ao ministro André Mendonça.
Nele, a defesa da empresária afirma que a PF já tinha informações sobre a atuação de Roberta para tentar obter um contrato de R$ 627 milhões para fornecimento de canabidiol junto ao Ministério da Saúde desde o ano passado, quando estava investigando ela no âmbito da Operação Sem Desconto, sobre fraudes em descontos no INSS.
A quebra de sigilo e autorização para acessar as mensagens de Roberta só foi dada por Mendonça em fevereiro de 2026.
Para a defesa, os fatos da cronologia própria investigação da Sem Desconto mostram que a corporação não encontrou informações sobre essa atuação ao acessar as mensagens de whatsapp de Roberta, como a PF aponta ao pedir a abertura de novo inquérito contra ela.
Com isso, a defesa aponta que a PF já sabia das informações e usou uma quebra de sigilo autorizada em uma investigação que tinha outro objetivo para buscar dados que confirmariam as suspeitas sobre atuação dela sem relação com INSS.
"Em síntese, a Polícia Federal não 'tropeçou' em evidências por puro acaso, como quer fazer crer.
Quando pediram acesso à nuvem de Roberta, os policiais já conheciam os fatos, personagens e contextos do que estavam procurando e sabiam que tudo isso nada tinha a ver com INSS.
Ao buscar acesso aos dados sigilosos da peticionária, pretendia-se, justamente, fazer uma pescaria probatória, o que a decisão de Vossa Excelência expressamente vedava, diz a manifestação da defesa.

Roberta foi alvo de buscas da Sem Desconto em dezembro do ano passado.
Na ocasião, a PF já havia tomado o depoimento de Edson Claro, um ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS" e suspeito de liderar o esquema de fraudes no INSS.
Nele, Claro havia mencionado a atuação de Roberta e Lulinha junto ao Ministério da Saúde.

"Segundo o depoimento, buscou-se contato com servidor do Ministério da Saúde para avaliar a contratação da empresa; cogitou-se a formação de consórcio e alteração do Termo de Referência; a modificação dependeria da aprovação da Anvisa; e o projeto alcançaria R$ 627 milhões, para aquisição de produtos destinados às Secretarias Estaduais de Saúde", diz trecho da manifestação assinada pelso advogados Roberto Podval, Daniel Romeiro e Marcelo Raffaini.

Para a defesa, as provas obtidas pela PF a partir da quebra de sigilo deveriam, então, ser anuladas e o inquérito por suspeita de tráfico de influência envolvendo Roberta e Lulinha no âmbito do Ministério da Saude trancado.

"Diante disso, requer-se a Vossa Excelência que, antes de qualquer deliberação acerca da remessa dos autos à primeira instância, reconheça a ilicitude da exploração e utilização do conteúdo telemático de Roberta para a investigação de fatos estranhos à finalidade para a qual o acesso foi autorizado, bem como das provas dela diretamente derivadas, nos termos do art.
157, caput e § 1º, do Código de Processo Penal, determinando seu desentranhamento e inutilização", segue o pedido.
Empresária Roberta Luchsinger
Reprodução/X - Roberta Luchsinger