A demanda do Brasil por fertilizantes deve ficar em 45,3 milhões de toneladas neste ano, segundo estimativa da Agroconsult.
Trata-se de uma queda de 7,6% em relação ao recorde registrado em 2025, quando o país consumiu 49 milhões de toneladas do produto.
Os dados foram apresentados pelo presidente da consultoria, André Pessôa, nesta terça-feira (25/3), durante o 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes.
A redução é puxada principalmente pelos cultivos de soja, milho e trigo, com tendência de estabilidade no algodão e no café.
De acordo com Pessôa, a retração deve-se tanto à queda na importação quanto na produção nacional, e será mais significativa no fósforo.
A Agroconsult também calcula que a área plantada de soja não deverá ter crescimento no ciclo 2026/27, diferente do que ocorreu nas últimas temporadas.
Há uma expectativa de ligeiro avanço na área de milho, muito por conta da safrinha.
No trigo, a retração de área será significativa.
A boa notícia vem do algodão, que deve recuperar área, e do café, que segue em expansão.
Segundo o especialista, um fato a ser comemorado nas principais culturas é que os preços pararam de cair, sinalizando recuperação para o próximo ano.
"Os preços pararam de piorar, o que não significa que a rentabilidade vai melhorar", observou.
No caso da soja, essa previsão é motivada por equilíbrio maior entre a quantidade ofertada e a demanda.
O super El Niño é um fator de preocupação.
Pessôa lembrou que, no último episódio do fenômeno, na safra 2023/24, houve atraso no plantio da soja, o que jogou para frente a semeadura da safrinha - que sofreu com a falta de chuva.
"Não dá pra saber ainda qual o efeito do El Niño, vamos ter de acompanhar de lupa dia a dia nos primeiros dias de outubro como essa chuva se distribui, porque isso vai ser determinante.
Dificilmente os produtores vão arriscar plantar milho em março", afirmou.
